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Sob protestos, coordenador regional da Funai em Campo Grande é exonerado pelo Ministério dos Povos Indígenas

O Ministério dos Povos Indígenas oficializou, nesta terça-feira (11), a exoneração de Elvisclei Polidório do cargo de coordenador regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em Campo Grande. A decisão, com efeito imediato, foi registrada em portaria assinada pelo secretário-executivo da pasta, Eloy Terena, e publicada no Diário Oficial da União.

O documento aponta a existência de processo administrativo e indica que a medida está amparada na Lei 8.112, que rege o regime jurídico dos servidores públicos federais, e no Decreto 11.355, que disciplina a ocupação de cargos em comissão no âmbito do serviço público federal. A portaria não detalha o conteúdo do processo nem esclarece as razões específicas para a substituição na chefia da Coordenação Regional da Funai em Mato Grosso do Sul.

A troca de comando foi antecedida por mobilização de lideranças indígenas na capital sul-mato-grossense. Na segunda-feira (10), véspera da publicação da portaria, 28 caciques compareceram à sede da coordenação regional para manifestar apoio à continuidade de Polidório e protestar contra a possibilidade de mudança. O grupo declarou ausência de consulta prévia à maioria dos representantes indígenas abrangidos pela CR Campo Grande, argumentando que a medida contrariaria o princípio de participação das comunidades nas decisões que as afetam.

Em entrevista concedida durante o ato, Polidório afirmou não ter sido ouvido pelo ministério e negou ter negociado a própria saída. “Eu não tenho pretensão de ir para o Ministério dos Povos Indígenas e não houve conversa formal com o secretário Eloy nem com esses grupos que pedem a troca”, disse. O ex-gestor também sustentou que apenas cinco caciques estariam favoráveis à exoneração, enquanto “mais de trinta” defenderiam sua permanência na função.

Polidório atribuiu a decisão a suposta interferência política dentro da pasta. Sem apresentar documentos que corroborem a acusação, declarou que a exoneração teria sido articulada para abrir espaço a interesses externos. “Foi uma interferência do Ministério dos Povos Indígenas, principalmente do secretário Eloy Terena, que quer ter acesso à Funai para fazer suas barganhas políticas”, afirmou.

A reportagem procurou o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai para comentar as declarações, mas, até o momento, nenhum posicionamento oficial foi divulgado pelas instituições.

A Coordenação Regional da Funai em Campo Grande é responsável por atender dezenas de comunidades indígenas espalhadas por Mato Grosso do Sul. Entre as etnias atendidas estão Terena, Guarani e Kaiowá, grupos que somam parte significativa da população indígena no estado e enfrentam demandas relacionadas a demarcação de terras, saúde, educação e políticas de incentivo à produção agrícola.

Com a exoneração de Polidório, ainda não foi divulgado o nome do substituto ou a data em que o novo coordenador assumirá o posto. Enquanto isso, servidores da Funai em Campo Grande seguem executando as atividades de rotina, entre elas o acompanhamento de processos de regularização fundiária, mediação de conflitos e articulação de projetos socioeconômicos com as prefeituras e o governo estadual.

A saída do coordenador ocorre em meio a debates nacionais sobre a estrutura da Funai e a necessidade de fortalecimento institucional para atender às demandas de povos indígenas em diferentes regiões do país. No caso de Mato Grosso do Sul, onde há histórico de disputas territoriais e episódios de violência no campo, a definição de quem ocupará o cargo é considerada estratégica por lideranças locais.

Até a publicação desta reportagem, não havia informação sobre eventuais mudanças adicionais na equipe da Coordenação Regional nem indicação de prazos para novo processo de consulta às comunidades. O Diário Oficial da União trouxe apenas a exoneração, mantendo em aberto as etapas seguintes da transição administrativa.

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