O recém-empossado Ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, cumpre agenda em Dourados (MS) nesta sexta-feira, 3 de maio, para avaliar as medidas de enfrentamento ao surto de chikungunya que atinge as aldeias da região. A visita inclui inspeção às instalações do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) e reunião com a direção da unidade a partir das 12h.
A presença do ministro ocorre num momento em que o número de casos cresce nas comunidades indígenas. Conforme o Informe Epidemiológico Diário divulgado nesta quinta-feira, 2 de maio, pela Sala de Situação de monitoramento, há 1.519 casos prováveis da doença no polo base de Dourados, sendo 822 confirmações registradas dentro da Reserva Indígena. O levantamento aponta ainda nove internações devido a complicações clínicas e 227 atendimentos hospitalares relacionados ao surto.
Desde o início do ano, o município contabiliza cinco óbitos por chikungunya, todos envolvendo moradores indígenas da Reserva. Os registros são os seguintes:
- 26/02/2026 – mulher, 69 anos, Aldeia Jaguapiru;
- 09/03/2026 – homem, 73 anos, Aldeia Jaguapiru;
- 10/03/2026 – bebê, 3 meses, Aldeia Bororó;
- 12/03/2026 – mulher, 60 anos, Aldeia Jaguapiru;
- 24/03/2026 – bebê, 1 mês, Aldeia Jaguapiru.
Diante do cenário epidemiológico, a pauta principal do encontro no HU-UFGD envolve avaliação da capacidade de atendimento, disponibilidade de leitos e integração das equipes médicas com agentes de saúde indígena. A expectativa é alinhar estratégias de diagnóstico rápido, manejo clínico e ações preventivas nas aldeias, além de verificar necessidades emergenciais de insumos e pessoal.
Esta é a primeira viagem oficial de Eloy Terena ao município após assumir o ministério. A posse ocorreu na terça-feira, 31 de abril, quando sucedeu Sonia Guajajara, de quem era secretário-executivo. A escolha do novo titular foi oficializada pelo governo federal com o objetivo declarado de ampliar o diálogo com as comunidades indígenas e reforçar a coordenação das políticas de saúde, território e proteção de direitos.
Natural de Aquidauana (MS) e integrante do povo Terena, Luiz Henrique Eloy Amado possui doutorado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal Fluminense e em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Também realizou pós-doutorado em ciências sociais na École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França. Antes de ingressar na administração federal, atuou como advogado da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em processos no Supremo Tribunal Federal, na Corte Interamericana de Direitos Humanos e no Tribunal Penal Internacional.
A agenda em Dourados inclui ainda reuniões com lideranças locais, técnicos da Secretaria Especial de Saúde Indígena e representantes da prefeitura. De acordo com assessores, o ministro pretende recolher demandas sobre saneamento, abastecimento de água e logística de transporte de pacientes – pontos considerados cruciais para conter a propagação do vírus transmitido pelo Aedes aegypti.
O HU-UFGD é o principal ponto de referência para atendimento de média e alta complexidade na região sul de Mato Grosso do Sul e recebe pacientes dos municípios vizinhos e das aldeias Jaguapiru e Bororó. A estrutura hospitalar faz parte da Rede Hospitalar Universitária Federal e mantém convênios com o Sistema Único de Saúde para assistência à população indígena.
Autoridades sanitárias locais reforçam orientações sobre eliminação de criadouros do mosquito, uso de repelentes e busca imediata de atendimento em caso de febre alta, dor articular e exantema. Paralelamente, equipes de vigilância epidemiológica intensificam a coleta de amostras e o georreferenciamento de focos para direcionar ações de fumacê e bloqueio mecânico.
Após a vistoria no hospital, Eloy Terena deve apresentar um relatório preliminar ao Ministério da Saúde e à Casa Civil, destacando recursos necessários, cronograma de ações e parcerias interministeriais para assistência emergencial às aldeias. O documento servirá de base para novas deliberações sobre reforço de profissionais, envio de equipamentos e campanhas educativas no território indígena de Dourados.
Com a visita, o governo federal busca demonstrar acompanhamento próximo da situação epidemiológica e articular respostas coordenadas entre União, estado e município para mitigar o avanço da chikungunya entre os povos tradicionais do Mato Grosso do Sul.









