Um homem de 41 anos, residente em Dourados, Mato Grosso do Sul, procurou a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) na segunda-feira (23) para denunciar um esquema de estelionato que, segundo ele, resultou na perda de R$ 35.995,00. O golpe foi aplicado por meio de uma plataforma on-line que se apresentava como oportunidade de trabalho remoto remunerado por tarefas simples.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima foi abordada inicialmente pelo aplicativo Telegram. Pessoas que se identificaram como integrantes do “suporte” da plataforma ofereceram instruções detalhadas sobre supostas atividades digitais, o que, na avaliação do morador, conferiu aparência de credibilidade ao serviço. As orientações incluíam a realização de cliques e pequenas operações dentro de um site específico, com a promessa de comissões crescentes após cada etapa concluída.
Para liberar valores maiores de pagamento, os golpistas exigiam que o usuário efetuasse depósitos periódicos. Entre as movimentações registradas, o homem informou ter realizado 15 transferências por meio de uma plataforma de pagamentos, totalizando R$ 29.995,00. Além disso, efetuou outras duas transferências diretas de sua conta bancária, no montante de R$ 6.000,00. Somados, os repasses chegam a R$ 35.995,00.
Segundo o relato, a vítima chegou a receber quantias simbólicas após as primeiras tarefas, o que reforçou a confiança na suposta oportunidade. No entanto, à medida que os depósitos aumentavam, o valor prometido não era liberado integralmente. Quando questionados, os interlocutores no Telegram justificavam o atraso como “processamento interno” e insistiam em novos aportes financeiros, alegando que a soma investida seria “dobrada” em curto prazo.
O homem relatou à polícia que, diante da insistência dos contatos, passou a suspeitar de irregularidades. Ele tentou reaver os recursos junto às instituições financeiras envolvidas, mas não teve êxito. Também buscou interromper os repasses na plataforma de pagamentos, porém já havia realizado a maior parte das transferências quando percebeu que se tratava de um golpe.
Na delegacia, o morador apresentou comprovantes bancários, registros de transações na plataforma de pagamentos, capturas de tela das conversas no Telegram e dados sobre as contas indicadas pelos golpistas. O objetivo, segundo ele, é auxiliar a investigação na identificação dos responsáveis e, se possível, na recuperação do dinheiro perdido.
O boletim de ocorrência descreve que os autores usavam perfis distintos dentro do aplicativo de mensagens, todos se passando por atendentes oficiais. Em cada etapa, eles forneciam links, códigos de acesso e promessas de rendimentos superiores aos valores depositados. O esquema se baseava em contato constante, repassando instruções de supostas “missões” que deveriam ser concluídas pelo usuário para liberar novos “lucros”.
Conforme detalhado à polícia, a estrutura do golpe seguia um padrão de pirâmide digital: os primeiros depósitos geravam pequenos retornos, suficientes para criar confiança, mas quantias mais elevadas nunca eram devolvidas. Quando o morador questionava o atraso no pagamento, recebia mensagens afirmando que faltavam etapas finais ou mais depósitos para finalizar o “ciclo de lucros”.
O caso foi registrado como estelionato e será encaminhado ao setor de investigação da Polícia Civil. A corporação deverá requisitar informações às empresas de pagamento e às instituições bancárias, além de tentar rastrear os endereços virtuais associados às contas apresentadas no aplicativo de mensagens.
Em depoimento, a vítima afirmou que não conhecia os autores e que tomou a iniciativa de denunciar para evitar que outras pessoas sofram prejuízos semelhantes. Ele declarou ainda que, apesar de ter seguido todos os passos indicados pelos supostos atendentes, não recebeu o montante prometido e continuou sendo pressionado a enviar mais dinheiro até interromper o contato definitivamente.
A delegacia orientou o morador sobre os procedimentos judiciais cabíveis e sobre a necessidade de preservar todos os registros eletrônicos. A investigação poderá incluir pedidos de bloqueio de valores, análise de dados cadastrais das contas receptoras e eventual cooperação com órgãos especializados em crimes cibernéticos.
Até o momento, não há informações sobre identificação ou localização dos suspeitos. A Polícia Civil de Dourados destaca que golpes semelhantes, baseados na oferta de renda extra por tarefas on-line, têm se multiplicado em aplicativos de mensagens, e recomenda atenção redobrada a convites que exijam depósitos prévios ou dados bancários.
O morador de Dourados aguarda o andamento das diligências e espera recuperar parte ou a totalidade do valor perdido. A Depac reforça que documentos comprobatórios, como os apresentados pela vítima, são fundamentais para rastrear transações financeiras e avançar na apuração de crimes virtuais.









