Duas internas de 29 e 28 anos são apontadas pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) como líderes de um motim ocorrido na tarde de sexta-feira, 28, no Presídio Feminino Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande. A mobilização começou por volta das 15h30, quando uma das detentas, insatisfeita com a negativa a seu pedido de transferência para outra unidade, passou a insultar as policiais penais, chutar a porta de aço da cela 5 e ameaçar o efetivo de plantão.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/Cepol), a detenta conseguiu destravar o ferrolho da porta, saiu para o corredor e instigou outras mulheres a se rebelarem. Simultaneamente, na cela 10, outra interna assumiu a condução da agitação, orientando companheiras a golpearem as portas e forçarem as trancas. O documento oficial aponta que aproximadamente 58 presas aderiram aos gritos, xingamentos e ameaças dirigidos às servidoras.
Com a escalada da confusão, a direção do estabelecimento acionou o Comando de Operações Penitenciárias (COPE), equipe especializada no restabelecimento da ordem em unidades prisionais. Os agentes determinaram o retorno imediato das internas às celas, mas uma das líderes avançou contra os policiais, recusando-se a cumprir as ordens. Diante da resistência, foi adotado o protocolo de uso progressivo da força, que incluiu a aplicação de spray de pimenta e um disparo de munição de elastômero, popularmente conhecida como bala de borracha. Segundo o registro, ninguém foi atingido pelo projétil.
Após a intervenção, a interna que iniciou o motim foi isolada preventivamente em cela disciplinar. Servidoras relataram que ela apresentava escoriações decorrentes da resistência oferecida e de impactos da própria cabeça contra a parede. A segunda detenta, identificada como coautora, também permaneceu sob custódia em regime disciplinar. Para ambas, foi emitida requisição de exame de corpo de delito com o objetivo de documentar possíveis lesões.
Durante o tumulto, parte das presas removeu parte das roupas e ficou apenas com peças curtas. A estratégia, segundo relato de policiais penais, visava inibir a entrada de agentes masculinos que poderiam ser mobilizados em apoio à equipe feminina.
A Agepen informou que, além do isolamento, foram aplicadas outras medidas administrativas previstas em regulamento interno, como a possibilidade de transferência das envolvidas para unidades de maior segurança. As policiais penais que foram alvo de ofensas e ameaças optaram por não representar criminalmente contra as internas, limitando-se às sanções disciplinares adotadas pela administração prisional.
O episódio não deixou feridos entre servidoras ou detentas, e não houve registro de danos estruturais significativos às celas. A Agepen reforçou que o acionamento do COPE foi fundamental para restituir a normalidade com rapidez e sem a necessidade de força letal.
O caso segue em apuração administrativa dentro do presídio feminino e também na esfera policial, com base no boletim registrado na Depac/Cepol. As autoridades avaliam se as condutas configuram crime de incitação à rebelião, desobediência e ameaça. Até a conclusão do inquérito, as duas presas continuam sob regime disciplinar rígido.
O Presídio Feminino Irmã Irma Zorzi abriga detentas do regime fechado em Campo Grande e, segundo a Agepen, dispõe de protocolos específicos para casos de indisciplina coletiva. A utilização de recursos não letais, como spray de pimenta e munição de elastômero, faz parte das diretrizes para contenção de motins, priorizando a integridade física de internas e agentes.
Não há previsão de audiência ou transferência imediata, mas a direção do presídio avalia o histórico disciplinar das envolvidas para definir os próximos passos. Até a publicação deste texto, a Agepen não divulgou se outras internas sofrerão sanções devido à participação no episódio.









