Mato Grosso do Sul passará a ofertar serviços de telessaúde em 100% dos 79 municípios até o fim de 2025, conforme dados de monitoramento do Ministério da Saúde. Com esse desempenho, o estado ocupa a primeira posição no Centro-Oeste, macrorregião que atualmente detém o maior índice nacional de digitalização do Sistema Único de Saúde (SUS), com 61% de cobertura.
A ampliação resulta de investimentos contínuos em infraestrutura de saúde digital. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) estruturou redes de teleconsultoria, telediagnóstico e teleinterconsulta que integram profissionais das unidades básicas aos serviços de especialidades. Segundo a superintendência de Saúde Digital da pasta, a meta é consolidar o modelo como rotina permanente de atendimento, reduzindo deslocamentos de pacientes, otimizando recursos e encurtando filas por consultas ou exames especializados.
Indicadores de uso apontam avanço consistente. Entre 2022 e 2025, o volume total de atendimentos de telemedicina e telessaúde cresceu mais de 370%. Apenas no Telediagnóstico em Cardiologia (TeleECG), foram realizados 63.862 exames em 2025, superando tanto os 43.265 registros de 2023 quanto os 58.984 de 2024. Os números confirmam a tendência de incorporação do recurso como ferramenta de triagem e acompanhamento de casos cardíacos.
Outro serviço em expansão é o de Teleinterconsultas, que possibilita a discussão de casos clínicos entre profissionais de diferentes níveis de atenção. No período analisado, o recurso contabilizou 13.030 atendimentos em 2025, apenas na plataforma prestada em parceria com o Núcleo de Telessaúde (NTS) DigSaúde/Fiocruz — Einstein. A modalidade garante suporte especializado a equipes de atenção primária e agiliza decisões terapêuticas em locais onde não há médico especialista presencial.
A digitalização reflete mudanças na gestão de filas. De acordo com a SES, 58 municípios utilizam atualmente o TeleECG; 28 contam com serviços de Teledermatologia; e sete adotam a Teleoftalmologia. Esses recursos concentram-se em especialidades consideradas críticas para a regulação estadual, ampliando a capacidade de atendimento sem necessidade de deslocamento do paciente.
Em especial, duas áreas de grande demanda apresentaram melhora significativa. Na Neurologia Pediátrica, 6.394 crianças foram atendidas por meio de teleatendimento depois de aguardarem na fila de espera. Já na Oftalmologia voltada a catarata, foram realizados 5.096 procedimentos a partir de demandas reprimidas.
O impacto também aparece em nível municipal. Segundo levantamento da secretaria, 14 cidades reduziram de forma expressiva ou zeraram as solicitações de consultas especializadas após a adoção das plataformas digitais. Estão nessa lista Caracol, Aquidauana, Pedro Gomes, Brasilândia, Coxim, Fátima do Sul, Angélica, Anastácio, Deodápolis, Rio Negro, Sidrolândia, Selvíria, Vicentina e Bandeirantes.
O Ministério da Saúde monitora a implementação de soluções de telessaúde em todo o país dentro da Estratégia de Saúde Digital. O Centro-Oeste lidera, e Mato Grosso do Sul desponta como referência regional por alcançar cobertura integral antes mesmo do prazo limite definido para estados que firmaram cooperações técnicas. A meta nacional é tornar permanentes as ferramentas de atendimento remoto, complementando o atendimento presencial e ampliando o acesso da população à rede de atenção.
A gestão estadual atribui parte do êxito à articulação com universidades, instituições de pesquisa e hospitais de referência, que oferecem suporte tecnológico e capacitação para profissionais de saúde. A integração de plataformas distintas em um sistema único de registro eletrônico permite que médicos de base consultem rapidamente especialistas, enviem exames em tempo real e recebam laudos ou orientações.
Além dos ganhos clínicos, a SES destaca efeitos financeiros. O uso de teleconsultas e telediagnósticos reduz custos com transporte sanitário, diminui tempo de internação e previne agravamentos que demandariam tratamentos de maior complexidade. O modelo também amplia a resolutividade da atenção primária, considerado pilar do SUS.
Para 2026, a secretaria planeja expandir a oferta de outras especialidades remotas, como Telepsiquiatria e Teleneurologia para adultos, além de incluir exames de imagem de maior complexidade em parceria com centros de diagnóstico. A continuidade do investimento faz parte do plano estadual de Saúde Digital, alinhado às diretrizes do Ministério da Saúde para integração de informações e desenvolvimento de prontuário eletrônico em nuvem.
Com a totalidade dos municípios conectados, o estado espera manter indicadores de desempenho em teleatendimento acima da média nacional. A estratégia considera protocolos de segurança da informação e confidencialidade dos dados dos pacientes, seguindo exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e de resoluções do Conselho Federal de Medicina.
O monitoramento dos resultados seguirá por meio de painéis analíticos compartilhados com gestores municipais, possibilitando ajustes na rede e o direcionamento de recursos conforme a demanda identificada. A SES também prevê avaliações periódicas de satisfação de pacientes e profissionais, para garantir a qualidade e a eficiência do serviço prestado.









