Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com desempenho positivo na suinocultura, registrando embarque superior a 20 mil toneladas de carne suína para o mercado externo. O volume representa crescimento de 11 %, na comparação com 2024, e confirma o Estado entre os principais polos exportadores do país. A combinação de aumento da produção interna, maior eficiência no abate e abertura de novos compradores sustentou a expansão registrada nos relatórios oficiais.
O setor estadual é formado por mais de 300 granjas em operação comercial, que reúnem aproximadamente 121 mil matrizes. Esse plantel possibilitou um abate anual superior a 3,6 milhões de suínos em 2025, resultado que movimenta uma cadeia ampla, envolvendo fornecedores de grãos para alimentação, empresas de genética, transportadoras, serviços veterinários e estrutura de processamento industrial.
No comércio exterior, o desempenho acima das 20 mil toneladas consolida a participação sul-mato-grossense no total exportado pelo Brasil. Embora o país possua outros polos tradicionais, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o avanço de Mato Grosso do Sul demonstra capacidade de ampliar a oferta nacional e atender demandas de mercados diversificados, sobretudo na Ásia, onde o consumo de proteína suína mantém trajetória de crescimento.
O impacto econômico vai além da balança comercial. Estimativas do segmento apontam para cerca de 32 mil empregos diretos distribuídos pelas diferentes etapas do processo produtivo, desde a criação nas granjas até o processamento final nas indústrias frigoríficas. Esse contingente de postos de trabalho reforça a relevância da atividade para a arrecadação de municípios produtores e para a geração de renda em áreas rurais e urbanas.
Para 2026, a expectativa é de novo avanço nas exportações, sustentado principalmente pela melhoria da infraestrutura logística. O foco recai sobre rotas capazes de reduzir tempo e custo de transporte, dois fatores considerados decisivos para a competitividade internacional do produto sul-mato-grossense. A diversificação de destinos também integra o planejamento, com negociações abertas para ampliar a lista de países compradores.
Segundo o presidente da Associação Sul-mato-grossense de Suinocultores (Asumas), Renato Spera, a logística terá peso crescente na formação do preço final entregue ao importador. Ele avalia que o alinhamento entre produção, infraestrutura e eficiência alfandegária pode garantir margens mais atrativas tanto para produtores quanto para frigoríficos instalados no Estado.
Nesse contexto, a Rota Bioceânica é apontada como fator decisivo. O corredor rodoviário em fase final de implantação ligará Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, passando por Paraguai e Argentina. A expectativa é encurtar milhares de quilômetros em relação aos trajetos atuais que utilizam portos do Sudeste ou do Sul do Brasil, reduzindo significativamente o tempo de viagem até mercados asiáticos e diminuindo despesas com frete marítimo.
Além da rota internacional, iniciativas estaduais de pavimentação, manutenção de rodovias e integração ferroviária complementam a estratégia logística. O setor também descreve avanços em defesa sanitária, requisito primordial para manter habilitações de plantas frigoríficas e garantir acesso a nações com regras sanitárias rigorosas. Esses fatores, combinados, tendem a fortalecer a imagem do Estado como fornecedor confiável.
No âmbito institucional, a Asumas planeja ampliar programas de difusão de tecnologia, capacitação de produtores e interlocução política. A entidade pretende articular melhorias no ambiente regulatório, apoiar projetos de sustentabilidade e reforçar padrões de biosseguridade, considerados essenciais para prevenir doenças que possam comprometer a continuidade das exportações.
Com produção estável nas granjas, investimentos em bem-estar animal e rastreabilidade, e a perspectiva de logística mais eficiente, o complexo de carne suína de Mato Grosso do Sul inicia 2026 em posição de buscar novos patamares de participação no comércio global. O setor sustenta que a consolidação desses elementos deverá criar condições para superar o resultado do ano anterior e ampliar a presença do Estado nos principais mercados internacionais de proteína animal.








