O estado de Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com 65.403 violações de direitos humanos registradas no sistema federal Disque 100 até 22 de dezembro. O total resulta de 9.113 denúncias formais encaminhadas ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, órgão responsável pelo monitoramento nacional de ocorrências envolvendo grupos vulneráveis.
Campo Grande concentra quase metade da demanda estadual. A capital reuniu 4.403 protocolos — 48,3% do total sul-mato-grossense — e contabilizou 32.364 violações, número que a posiciona no topo do ranking municipal. Na segunda posição aparece Dourados, com 624 denúncias, seguida por Corumbá, que registrou 470 queixas. Juntos, os três municípios somam 5.497 ocorrências e mais de 35 mil violações, evidenciando a maior pressão sobre a rede local de proteção.
A análise por grupos vulneráveis indica que crianças e adolescentes conformam o segmento mais atingido no estado. Ao longo do ano, esse público foi alvo de 4.307 denúncias e 25.574 violações, valores que correspondem a 47,3% dos protocolos e 39,1% dos abusos compilados pela plataforma. A frequência de registros contra essa faixa etária mantém o tema da violência infantojuvenil no centro das preocupações de órgãos de segurança, assistência social e justiça.
O público idoso figura em segundo lugar entre os mais vitimados. Foram 2.775 denúncias envolvendo pessoas com 60 anos ou mais, resultado que abarca situações de negligência, violência física, psicológica e patrimonial relatadas aos atendentes do Disque 100. Já as pessoas com deficiência sofreram 10.709 violações distribuídas em 1.735 queixas, demonstrando que esse grupo também enfrenta um cenário persistente de descumprimento de direitos.
Em relação à violência de gênero, o painel federal contabilizou 923 denúncias direcionadas a mulheres, das quais derivaram 5.068 violações distintas ao longo de 2025. Os dados reforçam a necessidade de atuação integrada entre delegacias especializadas, centros de atendimento e equipes de saúde para conter situações que incluem desde agressões físicas e morais até restrição de liberdade e tentativa de feminicídio.
O perfil das vítimas mostra predominância feminina: 51,12% dos registros identificaram mulheres como alvo principal das agressões, enquanto homens representaram 39,2%. O restante das ocorrências refere-se a casos sem informação de gênero, pessoas não binárias ou registros em que a vítima preferiu não declarar sexo. A distribuição reitera a maior exposição de mulheres a violações diversas no estado.
Já a caracterização dos suspeitos apresenta composição distinta. Mulheres aparecem apontadas como autoras em 45,77% das denúncias, percentual superior ao de homens, que somaram 37,21%. A diferença se relaciona à elevada participação de cuidadoras, mães ou responsáveis em episódios de violência doméstica contra crianças, idosos ou pessoas com deficiência, contexto frequentemente descrito pelos denunciantes.
Entre as ocorrências analisadas, o serviço de emergência identificou 201 episódios classificados como risco iminente à vida da vítima. Além disso, 53 denúncias foram categorizadas como flagrante, situação em que a autoridade pode intervir imediatamente, e três contatos relataram vítimas em sangramento no momento da ligação. Esses números, embora pequenos em proporção, indicam que o canal continua essencial para acionar rapidamente a rede de proteção em quadros críticos.
O fluxo de chamadas ao Disque 100 variou durante o ano. Outubro registrou o maior volume, com 973 protocolos, enquanto junho apresentou o menor, com 593. Oscilações mensais refletem fatores como campanhas de conscientização, períodos de férias escolares, condições econômicas e ampliação de canais de acesso, que influenciam a disposição da população em denunciar.
O ministério reforça que cada protocolo pode conter uma ou várias violações, o que explica a diferença entre o número de denúncias (9.113) e o de abusos registrados (65.403). Uma única ligação pode relatar casos simultâneos de violência física, psicológica e negligência, por exemplo, todos contabilizados separadamente para fins estatísticos.
O Disque 100 recebe denúncias de forma gratuita, anônima e sigilosa, 24 horas por dia, inclusive em fins de semana e feriados. Além do telefone, a população pode acionar o serviço por WhatsApp, Telegram, chat no portal do ministério ou e-mail. Pessoas surdas ou com deficiência auditiva dispõem de atendimento via videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras), ampliando a acessibilidade e a cobertura de proteção a vítimas em todo o território sul-mato-grossense.









