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Mato Grosso do Sul soma 13,3 mil internações ligadas a álcool e outras drogas em uma década

Campo Grande – Entre 2012 e 2022, a rede hospitalar de Mato Grosso do Sul registrou 13.377 internações decorrentes do consumo de álcool e de outras substâncias psicoativas, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (OBID). O dado ganha destaque nesta sexta-feira (20), quando se celebra o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo.

O recorte revela que, do total de admissões, 7.975 estiveram diretamente associadas ao uso de bebidas alcoólicas, enquanto 5.402 derivaram do consumo de entorpecentes como cocaína, cannabis, opioides e combinações de múltiplas drogas. Esses atendimentos incluem, majoritariamente, quadros de transtornos mentais e comportamentais relacionados ao abuso ou dependência dessas substâncias.

Homens concentram maior parte dos casos

A série histórica indica predominância masculina nas internações em ambas as categorias — álcool e outras drogas —, mantendo um padrão observado em diferentes regiões do país. A base de dados, contudo, não detalha a distribuição etária nem informa sobre reincidências ao longo do período analisado.

Cenário de 2022 evidencia custos ao sistema público

Somente em 2022, 540 pacientes foram internados em unidades de saúde do estado por complicações graves ligadas ao consumo de álcool. O atendimento desses casos gerou despesa direta de R$ 35.156 aos cofres públicos, valor que inclui procedimentos médicos, leitos e medicação hospitalar.

No mesmo ano, 425 internações ocorreram em razão do uso de outras drogas. Embora o relatório não detalhe o montante gasto especificamente com esse grupo, a quantidade reforça a complexidade do quadro epidemiológico enfrentado por hospitais gerais e serviços especializados de Mato Grosso do Sul.

Gravidade regional acompanha panorama nacional

O impacto financeiro observado no estado reflete tendência verificada em todo o país. Estimativas consolidadas indicam que o Brasil desembolsa aproximadamente R$ 19 bilhões anuais em custos diretos e indiretos para enfrentar as consequências sanitárias do consumo abusivo de bebidas alcoólicas. O valor inclui despesas hospitalares, perda de produtividade e aposentadorias precoces relacionadas a doenças crônicas e acidentes.

Subnotificação e importância do diagnóstico precoce

Autoridades de saúde alertam que os números divulgados podem estar subestimados, uma vez que parte significativa dos usuários não procura atendimento formal ou recorre apenas a ambulatórios. A data nacional de combate às drogas serve, portanto, como marco para reforçar estratégias de vigilância, rastreamento de casos e ampliação do acesso a serviços de reabilitação.

Rede de atendimento estadual

Mato Grosso do Sul mantém Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) em Campo Grande e em municípios do interior. As unidades funcionam de portas abertas, oferecendo acolhimento, atendimento médico, acompanhamento psicológico, oficinas terapêuticas e articulação com a rede de serviços sociais.

Além da estrutura pública, grupos de apoio como Alcoólicos Anônimos (AA) e Narcóticos Anônimos (NA) complementam a assistência com reuniões presenciais e online, baseadas no compartilhamento de experiências e na ajuda mútua. A participação é gratuita e não exige encaminhamento médico.

Como buscar ajuda

Usuários, familiares e profissionais podem obter orientações sobre prevenção, tratamento e serviços disponíveis por meio do telefone 132, canal nacional que funciona todos os dias da semana. A ligação é sigilosa e gratuita a partir de qualquer município.

Os interessados em atendimento presencial devem procurar a unidade básica de saúde mais próxima ou dirigir-se diretamente aos CAPS AD. Na ausência desses centros, as secretarias municipais de saúde costumam direcionar o paciente para serviços de referência em municípios vizinhos.

Com base nos indicadores do OBID, gestores estaduais reforçam a necessidade de políticas contínuas de prevenção, fortalecimento da rede de cuidados e monitoramento atualizado dos dados, de modo a reduzir internações e minimizar o impacto econômico e social do consumo abusivo de álcool e outras drogas em Mato Grosso do Sul.

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