Search

Mulher sofre perfuração de tímpano após agressão do marido em Dourados

Uma mulher de 35 anos perdeu parte da audição do ouvido esquerdo depois de ser agredida pelo marido, de 39, na noite de quinta-feira, 25, em Dourados, região sul de Mato Grosso do Sul. De acordo com o registro policial, o casal caminhava pela Avenida Weimar Gonçalves Torres, área central da cidade, quando o homem desferiu socos e chutes contra a companheira, que caiu na via pública. Populares presenciaram o ataque, prestaram os primeiros socorros e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

A vítima foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Dourados. Durante o exame clínico, a equipe médica identificou perfuração do tímpano esquerdo, lesão que comprometeu a capacidade auditiva da paciente. O laudo preliminar confirma que o trauma resultou diretamente do impacto dos golpes. Além do dano ao ouvido, a mulher apresentava escoriações nos braços, nas pernas e no rosto, compatíveis com o relato de agressões físicas reiteradas.

Logo após a ocorrência, o caso foi comunicado à Polícia Militar. Uma guarnição deslocou-se até a UPA, colheu informações com a vítima e testemunhas e deu início às buscas pelo suspeito. O agressor foi localizado ainda nas imediações da avenida onde o fato ocorreu. Segundo o boletim, ele não ofereceu resistência à abordagem, mas permaneceu em silêncio sobre a motivação do ataque. O homem foi preso em flagrante e encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) de Dourados.

Na delegacia, o suspeito foi autuado por lesão corporal dolosa com incidência da Lei Maria da Penha, que prevê medidas específicas de proteção à mulher em situação de violência doméstica. O inquérito foi instaurado e seguirá sob responsabilidade da Delegacia de Atendimento à Mulher, que deverá ouvir novamente a vítima, colher depoimentos de testemunhas e requisitar exames complementares para comprovar a extensão das lesões auditivas.

De acordo com especialistas, a perfuração de tímpano é considerada grave porque pode causar perda auditiva parcial ou total, zumbidos e dor intensa. Em muitos casos, o tratamento inclui uso de medicamentos para prevenir infecções e, quando necessário, procedimentos cirúrgicos para reconstrução da membrana. A UPA informou que a paciente passará por avaliação de um otorrinolaringologista nos próximos dias para determinar a necessidade de intervenções adicionais.

Os populares que socorreram a vítima relataram que o casal caminhava aparentemente em clima de discussão antes do ataque. No entanto, conforme o registro policial, não há indícios de que a mulher tenha revidado. Moradores e comerciantes da região forneceram imagens de câmeras de segurança que, segundo a investigação, devem contribuir para esclarecer a dinâmica da agressão e confirmar o momento em que os golpes provocam a queda da vítima no asfalto.

Com base nas informações preliminares, a polícia trabalha com a hipótese de violência doméstica recorrente. A mulher afirmou ter sofrido outras agressões anteriormente, mas não detalhou quantas nem registrou boletins contra o companheiro. Nos próximos dias, os investigadores devem solicitar medida protetiva de urgência para manter o agressor afastado da vítima, caso ela concorde.

A legislação brasileira estabelece que a lesão corporal dolosa praticada contra mulher em contexto doméstico pode resultar em pena de até três anos de detenção, aumentada se houver agravantes, como o uso de meio cruel ou a prática na presença de descendentes. Se a perda auditiva for considerada permanente, o enquadramento penal poderá ser reclassificado, elevando a pena prevista.

O suspeito permanece custodiado na Depac à disposição da Justiça. A audiência de custódia deve ocorrer nas próximas 24 horas, quando o juiz competente analisará a legalidade da prisão em flagrante e decidirá sobre eventual concessão de liberdade provisória ou conversão em prisão preventiva. Enquanto isso, a vítima recebe acompanhamento médico e psicológico oferecido pela rede municipal de assistência social.

O caso continua em investigação. A polícia ainda aguarda laudos periciais, registros de câmeras de monitoramento e novos depoimentos para concluir o inquérito. Assim que as diligências forem encerradas, o processo será encaminhado ao Ministério Público, responsável por oferecer denúncia à Justiça.