Campo Grande (MS) – O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) promove, ao longo de março, um mutirão de colonoscopia dentro das ações da campanha Março Azul, iniciativa direcionada à conscientização e ao diagnóstico precoce do câncer de intestino. A mobilização é coordenada pelo Serviço de Endoscopia da instituição e tem como público-alvo pacientes previamente acompanhados no ambulatório do próprio hospital.
A atividade foi dividida em duas etapas. A primeira ocorreu no último domingo, 15 de março, quando parte dos exames já foi realizada. A segunda está programada para 29 de março, concluindo o atendimento dos 50 pacientes selecionados. Todos passaram por triagem inicial no HRMS e foram incluídos no mutirão de acordo com critérios clínicos estabelecidos pela equipe médica.
A realização concentrada dos procedimentos segue recomendações da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), que preconiza a colonoscopia como principal método para identificar, em estágio inicial, alterações capazes de evoluir para tumores malignos. A detecção precoce aumenta significativamente as chances de cura e reduz a mortalidade relacionada ao câncer colorretal.
Dados divulgados pela SOBED indicam que o câncer de intestino ocupa o terceiro lugar entre as neoplasias mais letais no país, causando cerca de 20 mil mortes ao ano. Ainda segundo a entidade, mais de 50 mil novos casos são diagnosticados anualmente no Brasil. A incidência atinge, sobretudo, homens e mulheres a partir dos 45 anos, faixa etária na qual os sintomas costumam ser discretos ou inexistentes.
De acordo com o chefe do Serviço de Endoscopia do HRMS, médico endoscopista Fernão Magalhães, a ausência de sinais evidentes reforça a necessidade de rastreamento regular. O especialista ressalta que pessoas com histórico familiar de câncer colorretal devem antecipar os exames, iniciando a investigação entre 40 e 45 anos. “Quanto mais cedo a lesão é identificada, maior a probabilidade de tratamento curativo e menor a necessidade de intervenções complexas”, afirma.
O Serviço de Endoscopia do HRMS funciona ininterruptamente há 25 anos, oferecendo atendimento 24 horas por dia. Entre os procedimentos realizados estão endoscopia digestiva alta, colonoscopia, abordagem de vias biliares e pâncreas, além de endoscopia respiratória. Em 2025, a unidade realizou aproximadamente 7 mil intervenções endoscópicas, número que reflete a demanda crescente por diagnósticos minimamente invasivos no estado.
Há 15 anos, o hospital incorporou a endoscopia pediátrica ao portfólio de serviços, tornando-se referência estadual no atendimento a crianças que necessitam de exames digestivos. A oferta desse recurso no setor público amplia o acesso de pacientes infantis a diagnósticos especializados, que, até então, estavam restritos à rede privada.
A realização do mutirão integra a estratégia do Governo de Mato Grosso do Sul para reduzir os impactos do câncer colorretal na população. O acesso facilitado à colonoscopia, aliado à divulgação de informações sobre prevenção, busca diminuir a taxa de mortalidade associada à doença. A Secretaria de Estado de Saúde reforça que a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do tabagismo, complementa as medidas de rastreamento.
Durante os dois dias de mutirão, os pacientes selecionados recebem todas as orientações sobre preparo intestinal, processo essencial para garantir a qualidade das imagens obtidas durante a colonoscopia. Os exames são realizados em ambiente ambulatorial, sob sedação, e os laudos são analisados pela equipe do HRMS, que encaminha cada caso para acompanhamento adequado, conforme os achados.
Com a campanha Março Azul, o HRMS pretende consolidar um calendário anual de mobilizações voltadas ao diagnóstico precoce do câncer de intestino. A expectativa é ampliar, nos próximos anos, o número de beneficiados e reforçar a importância do rastreamento regular, especialmente entre pessoas acima de 45 anos ou inseridas em grupos de risco familiar.
Os resultados do mutirão serão incorporados ao banco de dados da instituição para subsidiar futuras ações de prevenção e orientar políticas públicas na área de saúde. A coordenação do projeto destaca que iniciativas semelhantes, quando realizadas de forma contínua, contribuem para a redução de custos do sistema de saúde, ao evitar tratamentos de maior complexidade decorrentes de diagnósticos tardios.








