O comércio de Campo Grande projeta o melhor desempenho para o período natalino desde 2011. Levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL/CG), realizado em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), indica que 77,5% dos consumidores pretendem efetuar as compras de fim de ano em lojas físicas. O fluxo previsto deve injetar aproximadamente R$ 194 milhões na economia local, valor que anima empresários após um ciclo marcado por instabilidade econômica e incertezas políticas.
A pesquisa entrevistou 210 moradores das sete regiões da capital sul-mato-grossense e apontou tendência de aumento no tíquete médio. O gasto estimado chega a R$ 616 por pessoa, distribuído entre presentes, que respondem por cerca de R$ 300, e despesas com confraternizações, como ceias e encontros familiares. O montante favorece diversos segmentos, do varejo de moda à alimentação, passando por serviços de lazer.
Consumidor volta às ruas
Segundo a CDL/CG, a preferência pela compra presencial reflete dois fatores principais: a insatisfação com problemas recorrentes no comércio eletrônico e o desejo de vivenciar a experiência de escolher o produto diretamente na loja. Muitos entrevistados relataram atrasos ou divergências de qualidade em pedidos feitos pela internet durante a Black Friday, evento que precede o Natal. A vivência negativa reforçou a busca por atendimento direto, onde é possível verificar características, testar mercadorias e sair com o item em mãos.
O presidente da entidade, Adelaido Figueiredo, avalia que o momento abre espaço para fidelizar clientes. Na avaliação dele, lojas que entregarem o mesmo padrão de qualidade divulgado nas redes sociais têm chance de estabelecer vínculos duradouros. Para tanto, atendimento, estoque adequado e políticas de troca transparentes ganham protagonismo nas semanas que antecedem o Natal.
Setores mais procurados
Vestuário e acessórios lideram a intenção de compra, concentrando 52,4% das preferências apuradas pela pesquisa. Na sequência aparecem perfumaria e cosméticos, além do segmento de calçados. A predominância de itens de uso pessoal reforça a expectativa de grande movimento em shoppings, galerias e lojas de rua voltadas à moda e à beleza.
A CDL/CG observa ainda que a classe média, responsável pela maior parcela do consumo natalino, passou grande parte do ano com gastos contidos devido à combinação de inflação, alta de juros e incerteza sobre rumos políticos. Com a proximidade das festas, esse público demonstra disposição para liberar recursos acumulados, equilibrando necessidades e desejo de celebrar.
Impacto para a economia local
O volume de R$ 194 milhões previsto para circular em Campo Grande deve beneficiar diretamente empresários, empregados do comércio e prestadores de serviço. Além de vendas maiores, o setor espera incremento na geração de vagas temporárias, tradicionalmente abertas em dezembro para atender ao aumento de demanda. O resultado também contribui para a arrecadação tributária municipal.
Nos últimos anos, a participação do e-commerce vinha crescendo de maneira consistente, mas os dados de 2023 sugerem retomada do varejo físico na capital. A CDI/CG destaca que o desempenho positivo não se limita às lojas consolidadas: estabelecimentos de menor porte, como butiques de bairro e vendedores autônomos, podem capturar parte do fluxo ao oferecer atendimento personalizado e estoques direcionados.
Preparação do comércio
Para aproveitar a disposição do consumidor, a CDL/CG orienta as empresas a reforçar treinamento de equipes, garantir produtos bem expostos e utilizar canais digitais como vitrine complementar, não substituta. A entidade também sugere que promoções prometidas em redes sociais sejam replicadas nas unidades físicas, evitando frustração do comprador que decidiu ir à loja após visualizar uma oferta on-line.
A expectativa otimista não elimina desafios. A pesquisa indica que o tíquete médio, ainda que superior ao observado em 2022, permanece sensível a fatores como disponibilidade de crédito e eventual necessidade de parcelamento. Diante disso, estabelecimentos que oferecem condições flexíveis de pagamento tendem a conquistar parte dos 22,5% de consumidores que ainda avaliam se comprarão pela internet ou em lojas físicas.
Com a aproximação da data comemorativa, Campo Grande entra na reta final de preparativos, e o varejo aposta em atrativos extras, como decorações temáticas, horários estendidos e ações promocionais. Se as projeções forem confirmadas, 2023 marcará a melhor performance natalina em 12 anos, fortalecendo a confiança de comerciantes e apontando para um novo ciclo de recuperação do setor na capital sul-mato-grossense.









