Campo Grande (MS) – A CG Solurb, concessionária responsável pela limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos da capital sul-mato-grossense, iniciou o processo de implantação de um novo aterro sanitário que deverá entrar em operação no primeiro semestre de 2028. O empreendimento, denominado Aterro Sanitário Ereguaçú, foi concebido para substituir o Aterro Dom Antônio Barbosa 2, cuja capacidade será esgotada nos próximos dois anos.
Para viabilizar o projeto, a empresa protocolou na Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) o pedido de licença ambiental de instalação. O futuro aterro estará localizado na saída para Sidrolândia, às margens da rodovia MS-455, no quilômetro 0 + 500 metros. A emissão da licença é requisito obrigatório para o início das obras, estimadas em mais de R$ 50 milhões, dos quais cerca de metade será aplicada diretamente na fase de implantação.
Capacidade e área do novo empreendimento
O terreno destinado ao Ereguaçú possui 99,51 hectares, dos quais 87,9 hectares serão efetivamente utilizados na operação do aterro. Dentro desse espaço, 55,9 hectares ficarão reservados para a disposição de resíduos, enquanto a área restante abrigará acessos internos, canais de drenagem de águas pluviais, diques de contenção, taludes, cinturão verde e edificações de apoio, como guarita, prédio administrativo, vestiários e refeitório.
Segundo dados apresentados pela CG Solurb, o novo aterro terá capacidade total de 20.516.306 m³, sendo possível acomodar até 19.832.405 m³ de resíduos sólidos urbanos ao longo da vida útil prevista de quatro décadas. A operação inicial foi projetada para receber 1.098 toneladas de resíduos por dia, volume que deve crescer gradualmente para 1.765 toneladas diárias em 2064, considerando 313 dias úteis a cada ano.
Substituição do Dom Antônio Barbosa 2
O Aterro Dom Antônio Barbosa 2 está em atividade desde dezembro de 2012 e, conforme projeções técnicas, chegará ao limite de sua capacidade no mesmo período em que o Ereguaçú deverá ser inaugurado. Para evitar interrupção nos serviços de destinação final, a CG Solurb recebeu autorização para ampliar temporariamente o Dom Antônio Barbosa 2 em 3,5 hectares, prolongando sua vida útil até 2028.
Atualmente, o aterro em operação atende não apenas Campo Grande, mas também municípios vizinhos, entre eles Terenos, Rio Negro, Rochedo, Bandeirantes, Corguinho, Jaraguari, Figueirão e São Gabriel do Oeste. A mesma abrangência regional está prevista para o novo empreendimento, que continuará recebendo os resíduos da capital e dos demais municípios consorciados.
Etapas do licenciamento ambiental
O projeto do Ereguaçú vem sendo discutido há vários anos. Em 2021, o tema chegou a ser tratado em audiência pública pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), mas ações civis públicas e decisões judiciais retardaram o andamento do processo. Um dos principais questionamentos concentrava-se na existência de vegetação de vereda, classificada como área de preservação permanente, em razão de córregos que margeiam a propriedade. A empresa Brasil Empreendimentos Ltda., responsável por uma das contestações judiciais, desistiu da ação, permitindo a retomada do licenciamento.
Além da análise de impacto ambiental, o projeto inclui sistemas de impermeabilização do solo, drenagem de chorume, captação de biogás e cobertura diária dos resíduos com camadas de terra, práticas consideradas essenciais para prevenir contaminação de lençóis freáticos e minimizar a emissão de odores. Esses requisitos técnicos, comuns a empreendimentos do tipo, precisam ser validados pelos órgãos ambientais antes que a concessionária receba a autorização definitiva.
Investimento e horizonte de operação
O aporte inicial superior a R$ 50 milhões será direcionado principalmente à construção de células de disposição, à instalação de sistemas de drenagem pluvial e de tratamento de efluentes líquidos e gasosos. A CG Solurb projeta que o investimento garantirá a operação segura do aterro por 40 anos, período em que a Capital e os municípios adjacentes deverão ter a destinação adequada de seus resíduos domiciliares assegurada.
A empresa estima que as obras comecem imediatamente após a emissão da licença ambiental, permitindo um cronograma alinhado à desativação do Dom Antônio Barbosa 2. Durante a fase de implantação, a concessionária deverá cumprir condicionantes ambientais, monitorar a qualidade da água dos córregos vizinhos e manter barreiras vegetais para mitigar impactos sobre áreas sensíveis.
Papel estratégico para a região
Ao concentrar a destinação dos resíduos urbanos de diversos municípios, o aterro Ereguaçú assume papel estratégico no sistema de gestão de resíduos sólidos da Região Metropolitana de Campo Grande. A solução proposta combina engenharia ambiental, planejamento urbano e exigências de sustentabilidade, temas que motivaram debates públicos nos últimos anos. Caso o cronograma seja cumprido, a Capital passará a contar, a partir de 2028, com uma estrutura capaz de acomodar o crescimento demográfico e econômico previsto para as próximas décadas.
Com a nova instalação, o poder público e a concessionária esperam assegurar a continuidade dos serviços de coleta e disposição final, evitando sobrecarga em aterros existentes e reduzindo riscos de deposições irregulares. A expectativa é que o Ereguaçú se torne referência regional em gerenciamento de resíduos sólidos, integrando tecnologia, controle ambiental e capacidade de atendimento prolongado.









