A proximidade das festas de fim de ano costuma reunir familiares em torno de mesas recheadas de pratos tradicionais e bebidas diversas. Diante desse cenário, a nutricionista Júlia Melo, em entrevista concedida no estúdio da Rádio Massa Campo Grande, recomenda atenção redobrada para não transformar a confraternização em motivo de desconforto e culpa alimentar.
Segundo a especialista, o principal equívoco é encarar a noite de Natal ou Ano-Novo como licença para abandonar totalmente os cuidados mantidos ao longo do ano. Ela observa que muitas pessoas seguem dietas rígidas por meses e, diante da variedade de alimentos típicos, sentem-se autorizadas a exagerar. Esse comportamento, afirma, tende a resultar em grande consumo calórico de uma só vez e em mal-estar físico posterior.
Para prevenir o excesso, Júlia orienta que a estratégia de equilíbrio comece antes mesmo do encontro festivo. A recomendação é manter as refeições habituais durante o dia, sem recorrer a longos períodos de jejum com a justificativa de “guardar espaço” para a ceia. Ao pular refeições, explica, aumenta-se a fome e a probabilidade de escolhas impulsivas à noite.
Durante a própria ceia, a nutricionista destaca a importância de comer devagar e permanecer atento aos sinais de saciedade. Ela lembra que o momento também é social, favorecendo conversas que naturalmente estendem o tempo à mesa. Mastigar lenta e conscientemente, segundo a profissional, ajuda o organismo a reconhecer quando está satisfeito, evitando que a pessoa pare apenas quando o prato fica vazio.
Outra recomendação é compor o prato de forma equilibrada. Júlia sugere priorizar saladas e vegetais, reservar espaço para proteínas magras e moderar a quantidade de preparações muito calóricas, como pratos ricos em gordura ou açúcar. Dessa forma, é possível experimentar variados sabores tradicionais sem ultrapassar os próprios limites.
As bebidas merecem atenção especial. A nutricionista alerta que o risco de consumo excessivo não se restringe ao álcool; refrigerantes e sucos industrializados também têm alta carga de açúcar. Para quem opta por bebidas alcoólicas, a orientação é intercalar cada dose com um copo de água. O procedimento contribui para a hidratação, reduz o ritmo de ingestão e minimiza o desconforto na manhã seguinte. Beber álcool de estômago vazio, acrescenta, potencializa o mal-estar e deve ser evitado.
Mesmo com todos os cuidados, é possível que o exagero aconteça. Nesse caso, Júlia Melo desaconselha atitudes compensatórias radicais, como jejuns prolongados ou dietas extremamente restritivas no dia seguinte. A melhor estratégia, afirma, é retomar a rotina alimentar habitual o quanto antes. Um prato simples, composto por salada, arroz, feijão e uma fonte de proteína magra, já auxilia o corpo a reorganizar o metabolismo.
A hidratação figura entre os pontos-chave do pós-ceia. Ingerir água com frequência ajuda na recuperação, principalmente para quem consumiu álcool. Incluir frutas ao longo do dia seguinte fornece vitaminas, minerais e fibras que favorecem o funcionamento intestinal.
A profissional também sugere a prática de atividades leves, como caminhada, alongamento ou passeio ao ar livre. De acordo com ela, o objetivo não é “queimar” tudo o que foi ingerido, mas restabelecer o ritmo corporal, estimular a circulação sanguínea e contribuir para o bem-estar geral.
No entendimento de Júlia, atravessar as comemorações sem culpa envolve aceitar que pequenas indulgências fazem parte do contexto social e cultural das festas. O essencial é manter hábitos consistentes ao longo do ano, permitindo que eventuais excessos permaneçam pontuais. “O exagero pode ocorrer, mas ele não precisa virar regra”, resume.
A nutricionista reforça ainda que cada pessoa deve respeitar os próprios sinais de fome e saciedade, além de considerar restrições médicas individuais. Pessoas com condições específicas, como diabetes ou hipertensão, devem redobrar a atenção aos ingredientes e consultar um profissional de saúde em caso de dúvidas.
Com medidas simples e planejamento adequado, conclui a especialista, é possível desfrutar da ceia de Natal ou Ano-Novo, apreciar a companhia dos familiares e manter o equilíbrio alimentar. Dessa forma, o período de confraternização deixa apenas lembranças agradáveis, sem gerar desconforto físico ou sentimento de culpa no dia seguinte.









