A conclusão do sistema de drenagem que pretende eliminar alagamentos recorrentes em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, permanece condicionada ao término do Contorno Rodoviário da cidade. Sem a liberação dessa etapa, novas frentes de canalização, entre elas a do Córrego da Onça, não podem ser iniciadas, mesmo com recursos federais já assegurados.
O prefeito Cassiano Maia informou que o município garantiu aproximadamente R$ 35 milhões, obtidos junto à bancada federal, para intervenções consideradas estratégicas: a canalização do Córrego da Onça e a do Jardim Brasília. Segundo ele, a articulação financeira começou ainda no período de transição, antes da posse. “Fomos a Brasília e conseguimos esse aporte”, lembrou. Apesar do montante disponível, o início das obras depende da finalização de investimentos anteriores previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O modelo de execução do PAC estabelece que cada fase só pode avançar após a conclusão da etapa imediatamente anterior. Dessa forma, o Contorno Rodoviário, que já alcançou mais de 80% de execução, precisa ser entregue para que o fluxo de novos repasses seja liberado. “Com a retomada e conclusão dessa obra, conseguiremos destravar o recurso e iniciar a canalização dos córregos”, explicou o chefe do Executivo municipal.
Frentes de serviço em andamento
Enquanto o contorno não é finalizado, a prefeitura mantém equipes atuando em diversos bairros. Intervenções de drenagem e pavimentação avançam nas regiões do Alvorada, Violetas, Vila Verde, Samambaia, Maristela, Flamboyant e Jardim Rodrigues. No bairro Ipanema, trabalhos já começaram; no Jardim Ferroviário, o lançamento das obras está previsto para os próximos dias.
O secretário municipal de Infraestrutura, Osmar Dias, destaca que as intervenções atuais já impactam positivamente o escoamento da água em chuvas regulares, mas reforça que o sistema completo é indispensável para situações extremas. “Drenagem precisa ter começo, meio e fim. Hoje dispomos de piscinões para retenção, porém falta o destino final desse volume, etapa essencial para eliminar o risco de novos alagamentos”, afirmou.
Investimento adicional para a etapa final
De acordo com Osmar Dias, a obra que garantirá a saída definitiva da água, incluindo a travessia sob a rodovia, possui orçamento estimado em R$ 25 milhões. Esse projeto deve interligar as estruturas já prontas — como galerias e reservatórios — a um ponto de despejo seguro, concluindo o ciclo de captação, retenção e descarte.
O secretário observa que, embora o efeito das obras emergenciais seja percebido em períodos de chuva dentro da normalidade, apenas a execução integral do sistema eliminará o problema em cenários de precipitação intensa. “Dentro da normalidade, essas obras já resolvem boa parte da questão. Mas precisamos concluir todo o sistema para suportar eventos mais severos”, declarou.
Papel do Contorno Rodoviário
O Contorno Rodoviário integra a malha de infraestrutura federal e municipal e tem o objetivo de desviar o tráfego pesado do perímetro urbano, além de criar caminho para condutos pluviais que atravessarão a rodovia. Seu avanço ao patamar atual — cerca de 80% — representa, segundo a prefeitura, uma etapa crucial para destravar as demais obras previstas na carteira do PAC para o município.
Quando o contorno for concluído, estima-se que a canalização do Córrego da Onça seja uma das primeiras frentes a ser aberta, possibilitando a ligação definitiva entre os piscinões já construídos e o leito do rio, ponto de lançamento final da água. Na sequência, devem começar as intervenções no Jardim Brasília, região que também registra alagamentos frequentes.
Impacto esperado
Com a conclusão de todas as etapas — do contorno às canalizações e à travessia da rodovia — a administração municipal espera resolver de forma estrutural os pontos críticos de inundação em Três Lagoas. O planejamento prevê que o sistema completo suporte tanto as chuvas sazonais quanto episódios de precipitação acima da média, reduzindo prejuízos a moradores, comércio e vias públicas.
Até lá, a prefeitura afirma que continuará com obras localizadas de drenagem e pavimentação, ampliando gradualmente a capacidade de escoamento e minimizando os impactos enquanto a solução definitiva não é entregue.









