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Operação Camuflagem apura esquema de ocultação de patrimônio e cumpre cinco prisões em Sidrolândia

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou, nesta quinta-feira (26), a Operação Camuflagem em Sidrolândia, município localizado a cerca de 70 quilômetros de Campo Grande. A ação, conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) em apoio à 3ª Promotoria de Justiça da comarca, investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria sido articulado por integrantes de organização criminosa já alcançada anteriormente por outra força-tarefa.

Segundo o MPMS, o núcleo investigado é suspeito de ocultar e dissimular bens, direitos e valores com o objetivo de frustrar bloqueios judiciais. As apurações apontam que um dos alvos estruturou ampla rede de apoio composta por pessoas físicas e jurídicas, utilizada para movimentar recursos financeiros e preservar patrimônio acumulado de forma ilícita. O grupo empregava diferentes mecanismos para dificultar o rastreamento dos valores, entre eles o uso de contas bancárias de terceiros, abertura de empresas em nome de comparsas e a interposição de laranjas para efetuar pagamentos e transferências.

De acordo com as investigações, parte dessas movimentações teria ocorrido enquanto o principal suspeito encontrava-se em prisão cautelar, o que indica, na avaliação do Ministério Público, a continuidade das práticas criminosas mesmo durante o cumprimento da medida restritiva. Familiares do investigado também teriam sido beneficiados pelo esquema, recebendo valores ou bens cujo real proprietário permaneceria oculto.

A Operação Camuflagem é descrita pelo MPMS como desdobramento da Operação Tromper, conduzida anteriormente para desarticular a mesma organização criminosa. Na etapa atual, oito mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão foram expedidos pelo Poder Judiciário a partir de representação do Ministério Público. Todos os alvos dos mandados encontram-se em Sidrolândia.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, equipes do Gecoc recolheram documentos, equipamentos eletrônicos e registros contábeis considerados relevantes para a investigação. O material será submetido a perícia para identificação da origem e do destino dos recursos, bem como para verificar a existência de eventuais ramificações do esquema em outras localidades.

O Ministério Público informou que a operação integra um conjunto de medidas adotadas para combater a corrupção e a lavagem de dinheiro no município. As autoridades responsáveis ressaltam que a ocultação de patrimônio dificulta a reparação de danos aos cofres públicos e compromete o poder de alcance das decisões judiciais, razão pela qual o foco da Camuflagem é recuperar ativos desviados e interromper a engrenagem financeira da organização criminosa investigada.

Os investigados presos nesta quinta-feira serão encaminhados a unidades do sistema prisional estadual, onde permanecerão à disposição da Justiça. Os nomes dos detidos não foram divulgados, em razão do sigilo que ainda recai sobre parte do procedimento. As pessoas físicas e jurídicas citadas na investigação respondem por possíveis infrações à legislação que trata de lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Além do Gecoc, participam da operação promotores de justiça, servidores do MPMS e policiais militares cedidos para o cumprimento dos mandados. Não foram registrados confrontos ou incidentes durante as diligências. O Ministério Público destacou que novas fases podem ser desencadeadas caso a análise dos materiais apreendidos revele outros participantes ou indique a localização de bens ainda ocultos.

Sidrolândia volta a ser alvo de grandes operações de combate a ilícitos patrimoniais menos de dois anos após a deflagração da Operação Tromper. À época, as investigações concentraram-se em fraudes envolvendo contratos públicos. Agora, a atenção recai sobre a etapa de branqueamento dos valores supostamente obtidos de forma ilegal, etapa considerada fundamental para a manutenção da estrutura criminosa.

O MPMS reforçou que a população pode colaborar com as apurações por meio de denúncias anônimas, encaminhadas aos canais oficiais da instituição. Informações repassadas de forma sigilosa poderão contribuir para a identificação de ativos ainda não localizados e para responsabilizar outros envolvidos.

Concluída a fase de cumprimentos de mandados, a investigação prosseguirá com o exame dos documentos arrecadados, depoimentos dos suspeitos e eventual rastreamento de transações financeiras adicionais. O resultado dessa etapa determinará os próximos passos do procedimento e subsidiará eventuais denúncias criminais a serem oferecidas pelo Ministério Público perante o Poder Judiciário.

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