Maracaju (MS) – A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul prendeu, na manhã desta quarta-feira (10), dois suspeitos apontados como líderes de uma organização criminosa que atuava no tráfico de drogas em Maracaju, município localizado a aproximadamente 90 quilômetros de Dourados. As prisões ocorreram durante a operação denominada Casa Bomba II, conduzida pela Delegacia de Maracaju com o apoio da Delegacia de Rio Brilhante, do 15º Batalhão de Polícia Militar, do Grupamento de Operações Aéreas (CGPA), do Batalhão de Choque e do Canil do 11º BPM.
Além do cumprimento dos dois mandados de prisão preventiva, outras quatro pessoas foram encaminhadas à delegacia após serem flagradas com porções de entorpecentes. Durante a ação, os agentes também executaram o sequestro de um imóvel que, de acordo com as investigações, foi adquirido com recursos provenientes diretamente da atividade ilícita.
A ofensiva desta quarta-feira é um desdobramento de uma grande apreensão de drogas realizada em julho deste ano. Naquela ocasião, toneladas de entorpecentes foram encontradas em cofres embutidos em paredes de uma residência em Maracaju. O material, avaliado em cerca de R$ 120 mil, estava armazenado como “reserva de valor” da organização, estratégia comumente usada para resguardar patrimônio e garantir liquidez ao grupo criminoso.
Depois do flagrante de julho, investigadores passaram a mapear a estrutura financeira e operacional dos suspeitos. Segundo a Polícia Civil, ficou comprovado que o imóvel utilizado como esconderijo havia sido comprado com lucros do tráfico. Com base nos elementos coletados, a autoridade policial representou ao Poder Judiciário pela prisão preventiva dos principais integrantes do esquema e pelo bloqueio do bem imobiliário.
As ordens judiciais foram expedidas e executadas nesta quarta-feira, com a participação simultânea de equipes terrestres e aéreas. O Grupamento de Operações Aéreas deu suporte ao deslocamento e à observação dos alvos, enquanto o Batalhão de Choque fez a contenção nas entradas dos endereços monitorados. O Canil do 11º BPM auxiliou na varredura de ambientes, ampliando a possibilidade de localizar drogas, armas ou outros objetos ilícitos.
No momento da abordagem, os dois suspeitos que já tinham mandado de prisão expedido não ofereceram resistência. Em endereços relacionados a eles, policiais recolheram pequenas quantidades de entorpecentes e documentos que, segundo a investigação, podem reforçar a comprovação do vínculo entre a atividade criminosa e a aquisição do imóvel agora sequestrado.
As quatro outras pessoas conduzidas foram flagradas portando porções de drogas para consumo ou comercialização em baixa escala. Elas prestaram depoimento e os casos serão analisados individualmente para definição de eventual autuação em flagrante ou adoção de outras medidas legais.
Conforme a Delegacia de Maracaju, o sequestro do imóvel representa um passo essencial na asfixia financeira do grupo. O bloqueio impede qualquer transação de compra, venda ou locação, preservando o bem até decisão final da Justiça. Se confirmada a origem ilícita dos recursos utilizados na aquisição, o patrimônio poderá ser incorporado ao Estado ou destinado a políticas de combate ao crime.
Com a conclusão da fase ostensiva da operação, os investigadores concentram-se na análise do material apreendido e na coleta de novos depoimentos. A Polícia Civil avalia que a prisão dos dois líderes desarticula o núcleo de comando da quadrilha em Maracaju, mas não descarta a possibilidade de novos alvos em outras cidades caso surjam indícios de ramificações.
Os detidos foram encaminhados a unidades prisionais da região e permanecem à disposição da Justiça. Os inquéritos seguem abertos, e a Polícia Civil informa que continuará monitorando ativos e possíveis laranjas utilizados pela organização, com o objetivo de recuperar valores e ampliar o impacto patrimonial sobre o grupo investigado.









