Uma ação conjunta entre a Energisa e a Polícia Militar, realizada na manhã desta segunda-feira (1º), provocou a interrupção de centenas de ligações clandestinas de energia no bairro Estrela Porã, em Dourados, região sul de Mato Grosso do Sul. A operação, voltada à retirada de conexões feitas diretamente na rede elétrica, desencadeou protestos de moradores que acusam a concessionária de deixar mais de 300 famílias sem fornecimento.
De acordo com informações repassadas pela distribuidora, as equipes técnicas identificaram diversos pontos de “gato” na fiação. O procedimento de desligamento foi acompanhado pela PM para garantir segurança aos agentes e evitar confrontos. Segundo a companhia, além de configurar crime previsto no Código Penal, com previsão de multa e reclusão de até cinco anos, as ligações irregulares representam riscos de descargas elétricas, curtos-circuitos, incêndios e acidentes graves.
Logo após o início dos cortes, moradores bloquearam a Rua Olga de Matos Melgarejo utilizando tambores, pedaços de madeira e outros objetos, impedindo a passagem de veículos. O presidente da associação de moradores, identificado apenas como Samuel, afirmou que a comunidade busca regularização junto à Prefeitura de Dourados desde o ano passado, mas ainda não obteve retorno oficial. Ele relatou que a medida afetou residências onde vivem recém-nascidos, idosos e pessoas com problemas de saúde.
Durante a mobilização, representantes da Polícia Militar tentaram negociar a liberação da via. Manifestantes alegaram que a manifestação é pacífica e condicionaram o fim do bloqueio ao recebimento de um posicionamento formal da Secretaria Municipal de Habitação ou do prefeito Marçal Filho. Até o fim da manhã, a rua permanecia fechada, gerando transtornos ao trânsito local.
Na nota distribuída à imprensa, a Energisa destacou que a prática de furto de energia sobrecarrega o sistema, causa oscilações de tensão, queima de equipamentos e pode resultar em interrupções para clientes regulares. A empresa reforçou o compromisso de atuar “de forma constante” para assegurar fornecimento de energia seguro, regular e contínuo à população.
Embora não tenha apresentado números detalhados sobre a quantidade de ligações removidas, a concessionária classificou a operação no Estrela Porã como “necessária” diante da reincidência de fraudes detectadas na região. A distribuidora acrescentou que continuará fiscalizando pontos considerados críticos no município e instaurará, quando cabível, medidas judiciais contra responsáveis por ligações clandestinas.
Por parte dos moradores, a principal reivindicação é a criação de um processo coletivo de regularização que inclua instalação de medidores, definição de tarifas sociais e facilidades de pagamento. Samuel argumenta que várias tentativas de negociação foram realizadas com o Executivo municipal, sem resposta concreta sobre prazos ou requisitos para formalizar os imóveis.
Enquanto aguardam um canal de diálogo com o poder público, os manifestantes mantêm a orientação de apenas permitir a circulação de viaturas de emergência e veículos de serviço essencial. Segundo eles, a presença de recém-nascidos e pacientes acamados torna urgente a retomada do fornecimento de energia. A comunidade afirma ter elaborado abaixo-assinado que será entregue ao gabinete do prefeito ainda nesta semana.
A situação levou a PM a reforçar o policiamento na área, sobretudo nas proximidades do ponto de bloqueio. Até o momento, não foram registrados confrontos físicos, prisões ou feridos. Os policiais permanecem no local para mediar eventuais tensões e garantir que a manifestação siga sem incidentes.
Questionada sobre prazos para restabelecimento do fornecimento às famílias afetadas, a Energisa reiterou que qualquer religação dependerá da regularização formal da rede. A empresa também orientou moradores a procurarem a Central de Atendimento para informações sobre documentação necessária, enquadramento em tarifa social e elaboração de projetos elétricos adequados às normas técnicas.
A Prefeitura de Dourados ainda não divulgou posicionamento sobre o impasse. A Secretaria Municipal de Habitação não confirmou se enviará equipe ao bairro ou se pretende abrir programa específico de regularização para o Estrela Porã. Até a tarde desta segunda-feira, representantes do governo municipal não haviam comparecido ao local do bloqueio, segundo relatos dos próprios manifestantes.
Com a via ainda obstruída e parte dos imóveis sem energia, a expectativa dos moradores é de que uma reunião emergencial seja agendada entre prefeitura, Energisa e associação de bairro. Eles defendem que somente um acordo conjunto poderá encerrar o protesto, reestabelecer o serviço e definir um cronograma de legalização das ligações.









