Um automóvel de alto padrão avaliado em cerca de R$ 1 milhão foi retirado de circulação na tarde desta terça-feira (10) em Campo Grande, durante ação conjunta das polícias civis de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. O veículo é associado a um homem conhecido pelo apelido de “Vovozona”, apontado pelos investigadores como uma das lideranças de uma facção criminosa que atua no sul de Mato Grosso.
A apreensão integra a Operação Imperium, investigações que se concentram no núcleo financeiro do grupo para identificar, rastrear e bloquear valores originados de atividades ilícitas. A ofensiva foi desencadeada após indícios de movimentação e ocultação de patrimônio por integrantes da facção. Conforme os levantamentos, o automóvel estava oficialmente registrado em nome da esposa de “Vovozona”, que também é investigada por participação no esquema de lavagem de dinheiro.
Equipes do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul atuaram ao lado da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco) da Polícia Civil de Mato Grosso. A integração foi fundamental para localizar o bem em endereço na capital sul-mato-grossense e cumprir a medida judicial de apreensão.
Segundo as autoridades, a retirada do veículo do patrimônio do grupo criminoso atende à estratégia de enfraquecimento financeiro da facção. Além de representar um bem de elevado valor de mercado, o carro seria parte de um conjunto maior de ativos suspeitos de terem sido adquiridos com recursos provenientes de tráfico de drogas, extorsões e outros delitos associados à organização.
Os investigadores detalham que o esquema operava com a interposição de terceiros, a exemplo de parentes e pessoas de confiança dos líderes, para mascarar a origem dos recursos e dificultar o rastreamento. No caso específico, embora o bem estivesse em nome da esposa do investigado, indícios apontam que o real usuário e beneficiário era “Vovozona”.
A Operação Imperium vem sendo conduzida em fases, com cumprimento de mandados de busca, apreensão e sequestro de ativos em diferentes municípios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. De acordo com os delegados responsáveis, a prioridade atual é mapear empresas, contas bancárias, imóveis, veículos de luxo e outros bens que possam ter servido para ocultar lucros ilícitos do grupo.
Até o momento, as diligências resultaram em bloqueios de contas, sequestro de imóveis rurais e urbanos, além da apreensão de quantias em dinheiro ainda não divulgadas. O balanço parcial também inclui a detenção de investigados por porte ilegal de arma de fogo e por associação criminosa, ocorrências registradas em etapas anteriores da mesma investigação.
No caso do veículo apreendido em Campo Grande, não houve prisão em flagrante, pois a medida judicial previa apenas a retirada do bem. O carro foi conduzido para depósito oficial onde permanecerá à disposição do Poder Judiciário até deliberação definitiva sobre eventual perdimento ou restituição, dependendo do desfecho processual.
A cooperação entre as forças de segurança dos dois estados permite ampliar o alcance das investigações, já que a facção alvo da operação possui ramificações interestaduais. O compartilhamento de informações, somado ao uso de ferramentas de inteligência financeira, tem sido decisivo para identificar o fluxo de capitais e revelar possíveis laranjas utilizados na cadeia de lavagem.
Conforme a Polícia Civil, a investigação segue em curso e novas apreensões podem ocorrer. As equipes continuam analisando documentos, extratos bancários e registros de propriedade para comprovar o vínculo entre a facção e diferentes ativos de alto valor. Os relatórios produzidos serão remetidos ao Ministério Público, que poderá oferecer denúncia por crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros delitos correlatos.
Autoridades ressaltam que a Operação Imperium não tem prazo para ser concluída, uma vez que o objetivo é atingir todo o patrimônio ilícito acumulado. A expectativa é de que medidas de bloqueio e sequestro continuem a ser solicitadas conforme novos indícios sejam reunidos, estendendo-se a pessoas físicas e jurídicas que tenham colaborado com a ocultação de recursos da facção.
O caso do carro de luxo apreendido nesta terça-feira representa mais um passo na tentativa de desarticular financeiramente o grupo, estabelecendo prejuízo direto ao caixa da organização criminosa. A polícia reforça que quaisquer pessoas que tiverem adquirido ou mantiverem bens em nome próprio, mas em benefício do grupo, poderão ser responsabilizadas civil e criminalmente.









