A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) apresentou, nesta quarta-feira (4), o balanço da Operação Mulher Segura, iniciativa que integra a Ação Nacional de Enfrentamento à Violência de Gênero coordenada pelo Ministério da Justiça. Desde o início da mobilização, em 19 de fevereiro, foram cumpridos 35 mandados de prisão preventiva em todo o Mato Grosso do Sul, resultado que, segundo as autoridades, reforça a proteção às mulheres em situação de risco no estado.
O relatório foi divulgado durante coletiva na Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, considerada ponto de referência para atendimento de vítimas de agressão doméstica. De acordo com a delegada titular da Deam, Fernanda Barros Piovano, a maioria das ordens judiciais foi expedida contra suspeitos que descumpriram medidas protetivas. Também há registros de capturas relacionadas a crimes de ameaça e a tentativas de feminicídio.
Somente nesta quarta-feira, classificada pelos órgãos de segurança como “dia D” da operação, nove pessoas foram presas: cinco pela Polícia Militar e quatro pela Polícia Civil. Além dos mandados, as equipes registraram mais de 50 autuações em flagrante ao longo das duas semanas de trabalho concentrado. Todos os detidos por determinação judicial permanecem custodiados em unidades prisionais do estado.
A Operação Mulher Segura mobilizou efetivos da capital e do interior. Delegacias especializadas, unidades da Polícia Militar e equipes da Polícia Civil atuaram de forma conjunta, com deslocamento de agentes ainda na madrugada para cumprir as ordens expedidas pelo Poder Judiciário. O objetivo principal, segundo a delegada, é dar resposta rápida às denúncias e impedir que agressões evoluam para quadros mais graves.
Fernanda Piovano salientou que não há represamento de investigações na delegacia. Conforme explicou, os inquéritos policiais abertos em razão de violência doméstica têm sido concluídos até o mês seguinte ao registro da ocorrência. A delegada afirmou ainda que a agilidade depende do engajamento das vítimas: “Incentivamos as mulheres a romperem o silêncio para que possamos agir com celeridade e garantir a efetividade das medidas protetivas”.
Dados apresentados na coletiva indicam que, em 2026, Campo Grande não registrou nenhum feminicídio até o momento. No conjunto do estado, quatro casos foram contabilizados neste ano. A meta das autoridades é reduzir o índice em relação ao ano anterior, tendência que, de acordo com a Deam, pode ser alcançada com a manutenção de ações integradas, fiscalização permanente das medidas judiciais e apoio especializado às vítimas.
A operação, embora planejada com prazo definido, mantém efeitos contínuos. O encerramento formal está previsto para esta quinta-feira (5); entretanto, o cumprimento de novos mandados e as atividades de monitoramento de risco seguem sem interrupção, de acordo com a Polícia Civil e a Polícia Militar. As forças de segurança destacam que a estratégia de atuação conjugada permanecerá como protocolo para casos envolvendo violência de gênero, sobretudo em situações de reincidência ou quando houver indícios de ameaça à vida da vítima.
Além das prisões, a ofensiva resultou em procedimentos complementares, como fiscalizações de endereços de agressores, verificação de cumprimento de medidas protetivas e orientações às mulheres atendidas. As rondas ostensivas, conduzidas em parceria com patrulhas especializadas da Polícia Militar, também foram intensificadas em bairros apontados como de maior incidência de violência doméstica na capital e em cidades do interior.
As autoridades lembram que denúncias podem ser registradas em qualquer delegacia, pela Central de Atendimento à Mulher (180) ou pelo telefone de emergência da Polícia Militar (190). Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira concentra serviços de acolhimento, apoio psicossocial, orientação jurídica e encaminhamento para abrigos temporários, quando necessário.
A resposta policial articulada na Operação Mulher Segura, conforme o balanço parcial, demonstra a prioridade conferida ao enfrentamento da violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul. Enquanto o esforço ostensivo se estende, a Deam reforça o pedido para que vítimas e testemunhas acionem os canais de denúncia diante de qualquer sinal de agressão, assegurando que as estruturas de proteção estão ativadas para garantir segurança e celeridade na apuração dos fatos.








