A Polícia Militar de Paranaíba, município do leste de Mato Grosso do Sul, realizou uma intervenção em uma quitinete localizada no bairro Santo Antônio após denúncias de intensa movimentação relacionada ao consumo de entorpecentes. A ação, deflagrada na manhã desta quarta-feira, resultou na apreensão de porções de substância análoga à cocaína e na condução de quatro pessoas, incluindo uma adolescente de 15 anos, à Delegacia de Polícia Civil.
De acordo com o relatório policial, a guarnição foi acionada por moradores da região que relataram fluxo constante de possíveis usuários de drogas entrando e saindo do imóvel. Com base nessas informações, a equipe organizou um cerco no quarteirão e procedeu à abordagem. Quando os militares se identificaram, o principal suspeito, um homem de 27 anos, tentou descartar três invólucros contendo pó branco semelhante à cocaína no interior da residência, mas foi contido pelos policiais.
Durante a entrada no imóvel, os agentes constataram a presença de outros três frequentadores: um jovem de 21 anos, outro de 22 e a menor de 15 anos. Todos foram submetidos à busca pessoal. O homem de 27 anos demonstrou resistência, descumprindo ordens para permanecer imóvel enquanto a equipe recolhia o material ilícito. A desobediência foi registrada no boletim de ocorrência, que também inclui o crime de tráfico de drogas e possível corrupção de menor.
Segundo a Polícia Militar, o investigado teria adotado o modelo de comercialização “formiguinha”. Nessa modalidade, o fornecedor adquire pequenas quantidades de entorpecentes e revende porções fracionadas para consumidores do próprio bairro, a fim de reduzir o risco de grandes apreensões e possíveis prejuízos financeiros. Conforme o relato oficial, os jovens de 21 e 22 anos confirmaram que fizeram uso de cocaína no local desde as primeiras horas da manhã, corroborando a suspeita de consumo ativo dentro da quitinete.
A menor de idade relatou ter acompanhado toda a movimentação. Diante da presença de uma adolescente em ambiente onde se consumia e supostamente se comercializava entorpecentes, os policiais registraram o fato como indício de corrupção de menores, crime previsto no artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente. Para preservar os direitos da adolescente, a equipe acionou os pais, que compareceram à Delegacia de Polícia Civil e acompanharam os procedimentos.
Na sequência da ocorrência, os militares recolheram os três invólucros de substância análoga à cocaína e dois aparelhos celulares pertencentes ao homem de 27 anos. O material foi encaminhado à Polícia Científica, responsável pela perícia que confirmará o tipo e a quantidade da droga, bem como a extração de dados dos dispositivos móveis. A análise dos celulares deverá auxiliar a identificação de eventuais fornecedores, clientes e demais envolvidos na cadeia de distribuição.
A Polícia Militar informou que todos os detidos tiveram seus direitos constitucionais garantidos, incluindo o acesso a telefonema, identificação dos agentes responsáveis pela prisão e encaminhamento para avaliação médica quando solicitado. Nenhum dos envolvidos apresentava lesões aparentes no momento da condução, e não houve necessidade de atendimento de urgência.
Após a elaboração do boletim de ocorrência, o suspeito de 27 anos permaneceu à disposição da autoridade policial por tráfico de drogas, resistência e desobediência. Os dois jovens de 21 e 22 anos foram ouvidos como testemunhas e liberados em seguida, podendo ser convocados novamente conforme o avanço das investigações. A adolescente retornou à guarda da família, mas o caso seguirá acompanhado pelo Conselho Tutelar, que avaliará a necessidade de medidas protetivas.
A Delegacia de Polícia Civil de Paranaíba prosseguirá com as diligências para apurar a origem da droga, a rotina de comercialização no bairro Santo Antônio e a eventual participação de outros indivíduos. O inquérito também examinará se o suspeito mantinha vínculos com facções criminosas ou atuava de forma independente. Caso a perícia confirme a venda de substâncias ilícitas envolvendo menores, ele poderá responder por corrupção de menores, crime que prevê pena de reclusão de dois a quatro anos, além das sanções pelo tráfico.
Em nota, o comando da Polícia Militar destacou que a atuação rápida se deveu à colaboração da comunidade, ressaltando a importância do registro de denúncias anônimas por meio do telefone 190 ou do aplicativo oficial. A corporação reforçou que operações semelhantes continuarão sendo realizadas em pontos considerados críticos no município, com foco na redução de crimes relacionados a entorpecentes e na proteção de crianças e adolescentes.
Até o momento, não foi divulgado o prazo para conclusão do inquérito nem detalhes sobre audiências de custódia. A Polícia Científica tem até 30 dias para apresentar o laudo pericial definitivo sobre o conteúdo apreendido. Somente após a conclusão desses procedimentos o Ministério Público deverá decidir sobre eventual denúncia formal à Justiça.








