Search

Operação Tunna da PF prende cinco suspeitos e desarticula rota internacional de cocaína entre Bolívia e três estados brasileiros

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (28) a Operação Tunna, que resultou na prisão de cinco pessoas e na apreensão de veículos de alto valor, desmantelando um esquema de tráfico internacional de cocaína com origem na Bolívia e ramificações nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

Os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram cumpridos de forma simultânea em quatro municípios: Campo Grande (MS), Piracicaba (SP), Arapongas (PR) e Londrina (PR). A execução coordenada das ordens judiciais envolveu várias equipes da PF, que atuaram de maneira integrada para evitar vazamento de informações e garantir a prisão dos principais alvos.

Segundo a investigação, o grupo mantinha uma rota estruturada que começava em território boliviano, avançava pelo Mato Grosso do Sul e seguia para outros corredores logísticos em Mato Grosso e Roraima. A partir desses pontos, a droga era redistribuída até chegar às cidades de São Paulo e do Paraná, onde abastecia mercados consumidores locais.

Mato Grosso do Sul funcionava como porta de entrada do entorpecente no Brasil. A partir do estado, os investigados contavam com motoristas contratados, veículos adaptados e pagamentos previamente combinados para reduzir o risco de apreensões durante o trajeto. A PF aponta que o grupo tinha um esquema de comunicação que envolvia a troca de informações em tempo real sobre barreiras policiais e fiscalizações nas estradas.

O trabalho de mapeamento da organização começou em 2025, após a apreensão de aproximadamente uma tonelada de cocaína em Terenos, município sul-mato-grossense. Na ocasião, a quantidade chamou a atenção dos investigadores, que passaram a identificar possíveis conexões entre aquele carregamento e outros flagrantes registrados em diferentes regiões do país.

Com o avanço das apurações, os policiais federais localizaram, em território paulista, cerca de 230 quilos de cocaína pertencentes ao mesmo grupo. A nova interceptação reforçou a hipótese de que se tratava de uma rede interestadual com estrutura para atuar além das fronteiras, articulando fornecedores estrangeiros e distribuidores no Brasil.

A partir da análise de documentos, conversas telefônicas e movimentações financeiras, a PF traçou a cadeia de comando interna da organização. Os investigadores identificaram líderes responsáveis pela negociação internacional da droga, intermediários encarregados da logística e motoristas que faziam o transporte em veículos com compartimentos ocultos.

Indícios de lavagem de dinheiro também foram revelados. De acordo com a PF, integrantes do grupo adquiriam carros de luxo para ocultar a origem ilícita dos valores obtidos com o tráfico. Os automóveis apreendidos durante a operação serão submetidos a perícia para demonstrar a incompatibilidade entre o patrimônio e a renda declarada pelos suspeitos.

Os pagamentos a motoristas e colaboradores eram realizados de forma sistemática, muitas vezes em espécie, para dificultar o rastreamento bancário. Além disso, parte dos valores transitava por contas de terceiros, estratégia que, segundo a investigação, visava confundir possíveis fiscalizações sobre movimentações fora do padrão.

A Operação Tunna cumpriu mandados de busca em residências, escritórios e garagens utilizadas pelo grupo. Computadores, celulares, documentos contábeis e anotações foram recolhidos. O material passará por análise pericial na tentativa de identificar novos envolvidos, rotas alternativas e eventuais conexões do esquema com outras organizações criminosas.

Os cinco presos permanecem à disposição da Justiça Federal. Eles deverão responder por tráfico internacional de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 20 anos de reclusão, além de multa.

De acordo com a Polícia Federal, o inquérito segue aberto. A prioridade agora é rastrear o fluxo financeiro gerado pela venda da cocaína e identificar possíveis laranjas utilizados para dissimular ganhos ilegais. Novas quebras de sigilo bancário e fiscal não estão descartadas.

A corporação também estuda a possibilidade de solicitar cooperação internacional para aprofundar a parte da investigação que envolve fornecedores bolivianos. Caso sejam confirmadas ligações diretas com grupos estrangeiros, pedidos de prisão ou de informações adicionais poderão ser encaminhados por meio dos canais de assistência jurídica entre os dois países.

Até o momento, a Polícia Federal não informou a quantidade total de droga que a organização conseguiu transportar antes da deflagração da operação. No entanto, com base nas apreensões anteriores e na estrutura logística identificada, os investigadores acreditam que o volume pode chegar a várias toneladas ao longo do período em que o grupo atuou.

Os materiais apreendidos, incluindo os veículos, ficarão retidos até a conclusão do processo. Se confirmada a origem ilícita dos bens, eles poderão ser leiloados, e os valores revertidos para o Fundo Nacional Antidrogas, conforme prevê a legislação brasileira.

A Operação Tunna reforça, segundo a PF, a importância de ações conjuntas e simultâneas em diferentes estados para combater o tráfico transnacional. A corporação informou que novas diligências podem ser realizadas nos próximos dias, a depender da análise dos documentos e mídias eletrônicas apreendidos.

Por enquanto, a investigação aponta que o núcleo principal da organização foi desarticulado. A Polícia Federal, entretanto, mantém as equipes de inteligência mobilizadas para identificar eventuais tentativas de reorganização do grupo ou de expansão de rotas alternativas utilizadas por organizações semelhantes.

Isso vai fechar em 35 segundos