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Outono em Três Lagoas deverá ser dominado por calor acima da média e tempo seco

O outono de 2026, iniciado oficialmente em 20 de março, às 10h45, e com término previsto para 21 de junho, às 4h25, tende a apresentar um cenário de calor persistente, baixa umidade e chuvas escassas em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul. A projeção meteorológica aponta temperaturas acima dos valores históricos, redução dos acumulados pluviométricos e aumento do risco de queimadas e problemas de saúde relacionados ao tempo seco.

Entre março e abril, a tendência é de que as temperaturas fiquem próximas ou ultrapassem a média climatológica em praticamente todo o estado, segundo análise do meteorologista Natálio Abrahão, da Universidade Anhanguera-Uniderp. Esse comportamento inclui a possibilidade de veranicos — períodos de calor e estiagem com duração de vários dias — e até mesmo de ondas de calor, fenômenos incomuns para a estação, mas cada vez mais observados diante de padrões climáticos irregulares.

A combinação de céu aberto, radiação solar intensa e poucos sistemas organizados de chuva favorece a queda brusca da umidade relativa do ar durante as tardes. Esse quadro gera preocupação para a população, pois pode agravar doenças respiratórias, aumentar o ressecamento da vegetação e elevar o potencial para focos de incêndio, sobretudo em áreas rurais e nas proximidades de rodovias.

Apesar do predomínio de tempo seco, o outono não deverá ser completamente sem precipitação. Em abril, ainda são esperadas pancadas isoladas, típicas do período de transição entre o regime das chuvas de verão e a estiagem do inverno. Esses eventos, contudo, tendem a ocorrer de forma irregular e com acumulados pouco significativos.

Maio desponta como o mês mais crítico em relação à falta de chuva. A estimativa indica entre 25 e 30 dias com precipitação inferior a 5 milímetros em Três Lagoas. Esse déficit hídrico prolongado reforça o alerta para estiagem, comprometendo a reposição de água no solo, prejudicando pastagens e lavouras e intensificando o risco de incêndios florestais.

O prognóstico também contempla a chegada de incursões de ar frio entre maio e junho, porém sem a formação de ondas intensas. Em maio, os termômetros podem registrar mínimas abaixo dos 15 °C nas madrugadas, enquanto em junho existe a possibilidade de quedas ainda maiores, com valores inferiores a 12 °C durante a passagem de massas de ar polar. Mesmo assim, as tardes deverão continuar quentes, preservando o contraste típico da estação.

Nas primeiras semanas do outono, o Pacífico Equatorial central permanece em condição de neutralidade, situação que se estende, pelo menos, até junho. Essa neutralidade significa ausência dos fenômenos El Niño ou La Niña, responsáveis por alterar a distribuição de calor e umidade em várias regiões do planeta. A partir de julho, contudo, cresce a probabilidade de formação de um episódio de El Niño, o que pode modificar o regime de chuvas e temperaturas no segundo semestre, inclusive em Mato Grosso do Sul.

Para o período que vai até 21 de junho, entretanto, a influência oceânica deve manter o padrão mais seco. Somente parte do estado poderá registrar totais de chuva próximos à respectiva média histórica, mas Três Lagoas permanece com perspectiva de volumes reduzidos. Dessa forma, a estação favorece a manutenção de lagos e represas em níveis mais baixos, demanda maior atenção de produtores rurais para manejo da irrigação e exige cuidados extras da população com hidratação e prevenção de doenças relacionadas ao ar seco.

A conjugação de calor acima do normal, veranicos, umidade baixa e precipitações esparsas sugere que serviços de saúde, defesa civil e órgãos ambientais iniciem campanhas preventivas. Orientações sobre queimadas controladas, restrição de fogueiras e consumo responsável de água ganham relevância diante da estimativa de dias consecutivos sem chuva significativa. Além disso, escolas e unidades de atendimento médico podem precisar reforçar instruções sobre prevenção a problemas respiratórios, especialmente entre crianças e idosos.

Em síntese, o outono de 2026 em Três Lagoas tende a ser caracterizado por condições meteorológicas atípicas para a estação, com calor persistente, chuvas abaixo da média e um breve intervalo de frio moderado entre maio e junho. A vigilância sobre focos de incêndio e a adoção de medidas de adaptação ao tempo seco devem pautar a rotina de moradores, produtores e autoridades locais durante os próximos três meses.

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