Search

Pai é detido após deixar crianças de 4 e 7 anos sozinhas em carro durante a madrugada em Campo Grande

Campo Grande (MS) – A Polícia Militar conduziu à delegacia, na madrugada desta sexta-feira (10), um homem suspeito de abandonar os dois filhos, de 7 e 4 anos, dentro de um automóvel estacionado na Avenida Senador Antônio Mendes Canale, no bairro Pioneiros. As crianças foram encontradas chorando por uma transeunte por volta das 4h30, sem qualquer responsável por perto.

A mulher que se deparou com a cena acionou imediatamente o telefone de emergências 190 e permaneceu ao lado do veículo até a chegada da equipe policial. Dentro do carro, os militares localizaram um celular, que serviu de ponto de partida para identificar familiares. Contatada pela guarnição, a avó das crianças foi ao local e forneceu o endereço do pai, possibilitando a ida dos agentes até a residência indicada.

Na casa informada, os policiais encontraram o homem dormindo. Questionado, ele relatou que saiu de casa por volta das 2h30, deixando os filhos no automóvel estacionado, primeiro para correr e, depois, para comprar bebidas alcoólicas. Os policiais observaram latas de cerveja no interior do veículo, indício de que o consumo teria ocorrido enquanto as crianças continuavam sozinhas.

Diante das circunstâncias, os militares optaram por algemar o suspeito como medida de segurança e o conduziram à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol. Segundo a ocorrência, ele não apresentava lesões aparentes quando foi interceptado pela equipe.

Situação de vulnerabilidade e providências iniciais

A exposição das crianças em via pública durante a madrugada, sem supervisão, foi classificada como situação de risco. Após o registro na delegacia, o caso foi encaminhado para investigação. A Polícia Civil deve apurar responsabilidade por negligência e avaliar possíveis medidas de proteção aos menores, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

A princípio, não foi informado se o Conselho Tutelar foi acionado imediatamente ou se as crianças permaneceram aos cuidados da avó após o atendimento policial. As autoridades costumam adotar medidas como acompanhamento psicológico, inclusão em programas de assistência social e verificação das condições do núcleo familiar sempre que há indícios de abandono ou maus-tratos.

Orientações para denúncias

O episódio reforça a recomendação para que casos envolvendo risco a crianças e adolescentes sejam comunicados sem demora aos órgãos competentes. Nas situações de urgência, o canal indicado é o telefone 190, da Polícia Militar. Também é possível registrar denúncias de violações de direitos humanos pelo Disque 100, serviço nacional disponível todos os dias, 24 horas.

De acordo com a legislação brasileira, deixar menores sozinhos em locais que possam comprometer sua segurança pode configurar crime de abandono de incapaz, previsto no artigo 133 do Código Penal. A pena pode variar conforme as circunstâncias, agravando-se se houver lesão ou resultado mais grave.

Próximos passos da investigação

Na fase de inquérito, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente deve requisitar depoimentos de testemunhas, familiares e profissionais que possam contribuir para esclarecer o histórico de cuidado dos menores. Além disso, poderão ser solicitados laudos médicos e psicológicos que ajudem a avaliar eventuais impactos físicos ou emocionais resultantes do ocorrido.

Enquanto o procedimento tramita, a promotoria da infância acompanha o caso e pode propor medidas como guarda provisória ou acompanhamento socioeducativo dos responsáveis. A definição sobre o retorno das crianças ao convívio do pai dependerá da análise de risco e da eventual adoção de compromissos formais por parte do investigado.

Até o momento, não há informações sobre fiança ou se o suspeito permanecerá preso durante a investigação. A Polícia Civil tem prazo legal para concluir o inquérito e remeter os autos ao Ministério Público, que decidirá sobre oferecimento de denúncia à Justiça.

O caso chama atenção para a importância da participação da comunidade em situações que envolvam menores em estado de vulnerabilidade. A atuação da testemunha que percebeu o choro das crianças foi fundamental para interromper a exposição ao perigo e acionar as autoridades competentes.

Eventuais desdobramentos da investigação, como a definição de medidas judiciais contra o pai e a avaliação da guarda das crianças, deverão ser divulgados pelos órgãos responsáveis após a conclusão dos relatórios técnicos e jurídicos.