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Pai de 38 anos é detido em flagrante por agredir filho de 11 em Dourados

Um homem de 38 anos foi preso em flagrante na terça-feira (02) em Dourados, região sul de Mato Grosso do Sul, sob acusação de maus-tratos contra o próprio filho de 11 anos. A ocorrência levou a polícia ao bairro Jardim Guaicurus depois que funcionários de uma escola localizaram a criança com ferimentos extensos nos braços, costas e pernas, alguns deles tão profundos que deixaram partes da pele em carne viva.

De acordo com o registro elaborado pela Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), o menino chegou para as aulas exibindo marcas visíveis de violência. Os ferimentos chamaram a atenção de uma professora, que imediatamente notificou o Conselho Tutelar. Os conselheiros compareceram ao colégio, ouviram a vítima e constataram que as lesões eram resultado de agressões recentes.

Em depoimento inicial aos conselheiros, o garoto relatou ter sido espancado na própria residência na noite anterior. Segundo ele, o pai utilizou fios elétricos, um chinelo e varas para desferir os golpes. O motivo alegado pelo agressor, conforme o relato da criança, seria uma possível reprovação escolar. Ainda de acordo com o menino, esse tipo de violência vinha ocorrendo de forma frequente, embora os episódios anteriores não tenham sido denunciados às autoridades.

Diante da gravidade dos fatos, o Conselho Tutelar acionou a Polícia Militar, que foi até a casa da família no Jardim Guaicurus. O suspeito foi encontrado no local, recebeu voz de prisão em flagrante e foi conduzido diretamente à Depac. Durante o trajeto, os policiais coletaram informações preliminares sobre o contexto da agressão e preservaram possíveis provas materiais, incluindo instrumentos que teriam sido usados durante o espancamento.

Na delegacia, o homem permaneceu em silêncio diante dos questionamentos sobre as motivações das agressões. A autoridade policial registrou o caso como maus-tratos, artigo previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, e colocou o suspeito à disposição da Justiça. O inquérito segue em andamento para esclarecer a extensão dos ferimentos, a frequência das agressões e eventuais responsabilidades de outros integrantes da família.

A criança passou por avaliação médica para medição do grau das lesões e recebeu atendimento psicossocial encaminhado pelo Conselho Tutelar. O órgão ainda analisa se haverá necessidade de medida protetiva, o que pode incluir o afastamento do pai do convívio familiar até que as investigações sejam concluídas. Enquanto isso, a guarda provisória do menino permanece sob acompanhamento do próprio conselho, que monitora as condições de segurança da residência.

O caso repercutiu entre vizinhos e na comunidade escolar, que já havia observado mudanças no comportamento do aluno. Segundo funcionários da escola, o menino apresentava sinais de medo e evitava falar sobre a rotina em casa. Todos os servidores que mantiveram contato com a vítima foram orientados a formalizar relatos para auxiliar a polícia na apuração dos fatos.

Com a prisão em flagrante, a Depac prosseguirá na coleta de depoimentos, perícias e eventuais diligências complementares. O objetivo é confirmar a dinâmica das agressões e reunir elementos suficientes para o Ministério Público avaliar a oferta de denúncia. Se condenado, o pai pode enfrentar pena de detenção, multa e outras sanções previstas em lei. A polícia informou que novas atualizações serão divulgadas conforme o avanço das investigações.