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Parcelamento responde por mais de um quarto dos acordos no Feirão Limpa Nome em Mato Grosso do Sul

O parcelamento de dívidas tornou-se a principal alternativa de consumidores de Mato Grosso do Sul para retomar o controle do orçamento durante o Feirão Limpa Nome promovido pela Serasa. Levantamento da empresa mostra que, nas duas primeiras semanas da ação, 26,8% dos acordos firmados no Estado foram concluídos em prestações, sinalizando preferência por soluções que não comprometam de imediato toda a renda mensal.

Entre 39,9 mil negociações efetivadas no período, 10,7 mil foram fechadas com pagamento parcelado. A modalidade consolidou-se como uma das rotas mais utilizadas para sair da inadimplência, reflexo da busca por previsibilidade no fluxo de caixa familiar e do receio de acordos à vista que possam gerar novos atrasos.

Questionados pela Serasa, 63% dos entrevistados consideram o parcelamento uma forma viável de quitação dos débitos, enquanto 61% relatam sensação de maior controle financeiro ao distribuir a dívida em parcelas. O resultado corrobora a avaliação de que, além de descontos, a organização do pagamento em prestações tem peso decisivo na hora de negociar.

Os motivos apontados para adotar a modalidade aparecem com clareza: 42% dos participantes afirmam que as parcelas cabem no orçamento, e 37% optam por essa saída porque o nome é retirado dos cadastros de inadimplência logo após o primeiro pagamento. Esse retorno mais rápido ao mercado de crédito é visto como fator estratégico para restabelecer a capacidade de consumo e de contratação de serviços.

As condições ofertadas na campanha reforçam o apelo do parcelamento. Há propostas com prestações a partir de R$ 9,90 e abatimentos que podem chegar a 99% do valor original da dívida, dependendo do perfil do débito e da empresa credora. Ao todo, mais de 1,6 mil companhias participam da iniciativa. Em âmbito nacional, a atual edição do Feirão contabiliza 738.662 acordos parcelados desde o início.

O estudo também evidencia que 55% dos consumidores enxergam o parcelamento como meio de acesso a bens e serviços que não conseguiriam adquirir à vista. A prática faz parte da cultura de consumo do país, mas especialistas em educação financeira ponderam que o crédito deve ser encarado como extensão do planejamento, não como complemento permanente da renda.

A mesma ferramenta capaz de facilitar a regularização pode, entretanto, agravar a situação de quem não se organiza. Do total de entrevistados, 12% admitem ter se endividado por falta de controle sobre o orçamento e 3% tiveram o nome negativado justamente por excesso de compras parceladas. Os dados ilustram o limite tênue entre o uso consciente do crédito e o risco de sobre-endividamento.

Para a Serasa, o cenário reforça a importância de alinhar o valor das prestações aos ganhos mensais, evitando comprometer recursos destinados a despesas essenciais. A orientação da empresa é que o parcelamento seja direcionado a compromissos pontuais, preservando margem no orçamento para suportar eventuais imprevistos.

A discussão ganha relevância diante do quadro nacional de inadimplência. Em setembro, o Brasil somava 79,1 milhões de consumidores com contas em atraso, aumento de 0,40% em relação a agosto. A maior concentração está na faixa etária de 41 a 60 anos, que responde por 35,4% dos negativados. Em seguida aparecem pessoas de 26 a 40 anos (33,8%), maiores de 65 anos (19,5%) e jovens de 18 a 25 anos (11,3%).

Diante desse contingente, iniciativas de renegociação em massa seguem como estratégia para reduzir o endividamento das famílias. Ao oferecer prestações compatíveis com a renda e descontos expressivos, o Feirão Limpa Nome apresenta-se como ferramenta de reentrada dos consumidores no mercado formal de crédito, desde que haja acompanhamento rigoroso do próprio orçamento.

Ainda em andamento, a campanha permanece disponível em Mato Grosso do Sul e nos demais estados por meio dos canais digitais da Serasa e pontos presenciais definidos pela empresa. O desempenho das primeiras semanas indica que o parcelamento continuará desempenhando papel central nas transações, equilibrando as necessidades de quem busca quitar dívidas e a disposição dos credores em conceder condições flexíveis.

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