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Parceria com Citrosuco direciona 5 mil hectares à citricultura em Três Lagoas

Uma nova frente agrícola começa a tomar forma em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul. O empresário Jamil Buchalla Filho firmou parceria com a Citrosuco, uma das maiores processadoras de laranja do mundo, para converter áreas tradicionalmente dedicadas à pecuária em extensos pomares de laranja. O movimento reflete a busca por diversificação produtiva na região e abre caminho para a formação de um polo citrícola de grande escala.

As tratativas com o governo estadual tiveram início há cerca de dois anos, em meio à expansão da silvicultura e à necessidade de redefinir o uso de propriedades rurais no município. Segundo Buchalla, a escolha pela citricultura levou em conta projeções de mercado, facilidades logísticas e a sinergia com grupos industriais já estabelecidos no país. A partir desses fatores, delineou-se o projeto que prevê o plantio de laranja em 5 000 hectares ao longo de um período de até dois anos e meio.

O cronograma foi dividido em etapas. Na fase atual, homens e máquinas atuam na abertura de áreas, nivelamento do terreno, correção de solo, instalação de pivôs centrais e construção da infraestrutura de apoio. O plantio das primeiras mudas já começou e deve avançar conforme os lotes fiquem prontos para receber as plantas. A estratégia é escalonar a implantação para garantir manejo adequado, acompanhamento fitossanitário e distribuição equilibrada da mão de obra.

Com a entrada gradual dos pomares em produção, a estimativa é de que o empreendimento reforce a cadeia citrícola local e atraia novos fornecedores de insumos, serviços e transporte. Produtores vizinhos também poderão ser integrados à rede de suprimento da indústria, ampliando a base de oferta de frutas para processamento.

A parceria com a Citrosuco vai além do fornecimento de laranja. Embora ainda não haja data definida, a companhia avalia instalar uma unidade de processamento em Mato Grosso do Sul no médio prazo. A viabilidade do investimento, de acordo com as partes envolvidas, dependerá da consolidação dos pomares já contratados e do incremento da produção regional. Caso se confirme, a planta industrial reduziria custos logísticos, encurtaria distâncias até os portos e potencializaria a competitividade da citricultura sul-matogrossense.

O projeto está concentrado no Distrito de Arapuá, zona rural de Três Lagoas. Na fase operacional plena, a expectativa é de criação de aproximadamente 700 empregos, distribuídos entre atividades agrícolas, administrativas e de apoio. Esse contingente deve envolver desde a manutenção de irrigação até a colheita, passando por monitoramento fitossanitário, carregamento e transporte das frutas.

Para o município, a iniciativa representa diversificação econômica num território historicamente associado à pecuária e, mais recentemente, à produção de celulose. A chegada de uma cultura permanente, com demanda contínua por mão de obra qualificada, pode estimular investimentos em capacitação profissional, infraestrutura viária e serviços especializados.

Em paralelo, técnicos acompanham indicadores agronômicos para ajustar densidade de plantio, variedades de laranja e tecnologias de irrigação. O objetivo é adequar o sistema às condições climáticas do cerrado sul-matogrossense, caracterizado por estações bem definidas, altas temperaturas e períodos de estiagem. A adoção de pivôs centralizados permitirá administrar a disponibilidade hídrica, fator decisivo para a produtividade e a qualidade da fruta.

A projeção de longo prazo inclui a entrada progressiva dos talhões em pleno rendimento, cenário que pode consolidar Três Lagoas como área estratégica do mapa citrícola nacional. Além de ampliar a oferta de matéria-prima para a indústria de sucos, o aumento de volume tende a gerar efeitos em cadeia sobre transporte, armazenagem e comércio regional de insumos.

Enquanto a infraestrutura industrial não se materializa, a produção prevista será direcionada a unidades de processamento já existentes em outros estados, em especial São Paulo, maior polo citrícola do país. A logística contará com a malha rodoviária que liga Três Lagoas aos principais corredores de exportação, aspecto considerado determinante para a escolha do local.

Com investimentos em curso, cronograma definido e respaldo de uma processadora global, o projeto de Buchalla e Citrosuco sinaliza um redesenho da matriz produtiva no leste de Mato Grosso do Sul. A implantação dos 5 000 hectares de laranja, distribuídos em etapas até meados de 2026, servirá de termômetro para novas decisões de capital tanto na produção agrícola quanto na transformação industrial da fruta na região.