Uma articulação concretizada durante a 86ª edição da Expogrande pretende transformar Campo Grande em referência estadual na pecuária de corte. O acordo une a Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Novilho Precoce e a Prefeitura da Capital com o objetivo de criar a maior cooperativa do setor em Mato Grosso do Sul.
O entendimento foi firmado no estande institucional do município montado na feira agropecuária, ambiente que tradicionalmente reúne produtores, representantes do poder público e potenciais investidores. A proposta centraliza em Campo Grande a sede da futura cooperativa, integrando criadores de diferentes regiões do Estado para ampliar escala, reduzir custos operacionais e elevar a competitividade da carne sul-mato-grossense no mercado interno e externo.
De acordo com o projeto inicial, a nova entidade cooperativista contará com três pilares estruturantes. O primeiro envolve a implantação de um armazém de insumos agropecuários, destinado ao armazenamento coletivo de ração, suplementos e demais produtos utilizados na engorda dos animais. A compra compartilhada deve possibilitar preços mais vantajosos e logística otimizada para os associados.
O segundo pilar prevê a instalação de um sistema de confinamento voltado ao acabamento do gado. O modelo concentrado de engorda permitirá padronizar lotes, melhorar a qualidade da carcaça e garantir maior previsibilidade na oferta de animais prontos para o abate, adequando-se às exigências da indústria frigorífica.
O terceiro eixo concentra esforços na organização da produção e da comercialização. A intenção é estruturar um calendário integrado que alinhe o fornecimento de lotes às janelas de maior demanda, negociar coletivamente com frigoríficos e abrir espaço para novos mercados. Com isso, espera-se fortalecer todas as etapas da cadeia produtiva, do campo ao consumidor final.
Para Rafael Gratão, presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Novilho Precoce, Campo Grande já reúne condições favoráveis para sediar a iniciativa. A cidade concentra plantas de abate, empresas de insumos e serviços especializados, configurando um polo natural de decisões e investimentos voltados à bovinocultura de corte. Com a formação da cooperativa, a expectativa é intensificar esse protagonismo e atrair novos recursos para a região.
O município participa diretamente do processo por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades). A pasta ficará responsável por mapear as principais demandas dos produtores, apoiar a elaboração do modelo de negócios e viabilizar etapas burocráticas necessárias à formalização da entidade.
A prefeita Adriane Lopes destaca que o diálogo com o setor produtivo faz parte da estratégia de desenvolvimento econômico da Capital. Segundo ela, iniciativas como essa cooperativa podem gerar empregos na zona rural e urbana, aumentar a circulação de renda e estimular a modernização tecnológica das propriedades, refletindo positivamente no Produto Interno Bruto local.
Além de ganhos diretos para pecuaristas e indústrias, os idealizadores avaliam que a organização cooperativista tende a fortalecer a imagem da carne produzida em Mato Grosso do Sul. Com maior escala, rastreabilidade aprimorada e logística coordenada, o produto deve ganhar competitividade em feiras internacionais e atender com mais consistência os padrões exigidos pelos compradores externos.
A Expogrande, tradicional vitrine do agronegócio sul-mato-grossense, consolidou-se mais uma vez como palco de articulações estratégicas. Ao reunir governo municipal, entidades representativas e empresários, a feira funcionou como ambiente propício para a costura do acordo, que agora entra na fase de detalhamento operacional e levantamento de recursos.
Nos próximos meses, a associação e a prefeitura concentrarão esforços para definir estatuto, governança e quadro de participação dos produtores. Paralelamente, estudos de viabilidade econômica e ambiental deverão dimensionar o tamanho do armazém, a capacidade do confinamento e as necessidades logísticas de escoamento. A previsão é que essas etapas iniciais sinalizem aos parceiros comerciais e instituições financeiras o potencial de retorno do empreendimento.
Se concretizada conforme o cronograma, a maior cooperativa de pecuária de corte do Estado poderá tornar-se referência em gestão coletiva, eficiência produtiva e acesso a mercados. Para Campo Grande, o projeto representa a oportunidade de reforçar sua vocação agropecuária e consolidar-se como centro decisório de uma cadeia que movimenta expressiva parcela da economia sul-mato-grossense.








