A Petrobras abriu 11 processos licitatórios para concluir a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), localizada em Três Lagoas (MS). Os primeiros envelopes começaram a ser analisados na semana passada e a estatal já recebeu quatro propostas. A expectativa é receber todas as ofertas até o fim de dezembro, mantendo o cronograma que prevê conclusão da planta até 2029, com possibilidade de antecipação para 2028 se o ritmo atual for mantido.
Estratégia de fatiamento amplia concorrência
Para atrair mais empresas e reduzir custos, a Petrobras dividiu a contratação em 11 pacotes de serviços. Os lotes cobrem atividades de drenagem, pavimentação, prédios administrativos, laboratórios, oficinas, linhas de transmissão de 138 kV, subestação de entrada, interligações, sistemas de água e efluentes, energia, unidades de amônia, estocagem, ureia melt, granulação, sistema de manuseio, expedição e automação. Segundo a diretoria, cada lote registrava anteriormente um ou dois proponentes; agora, há até cinco participantes, o que a empresa considera positivo para obtenção de preços mais competitivos e maior segurança contratual.
Calendário ajustado
A previsão inicial era concluir a contratação das empresas executoras em 2025, mas o fechamento das licitações deve ocorrer apenas no primeiro trimestre de 2026. Com isso, a retomada física das obras é estimada para 2027. A estatal optou por um prazo de conclusão conservador, posicionando a entrada em operação para o fim de 2029. Ainda assim, a diretoria admite antecipar a data em um ano se todos os pacotes forem adjudicados dentro dos prazos e a execução transcorra sem interrupções.
A revisão do calendário decorre da elevada demanda por contratações no segmento de downstream registrada no ano passado. Para equilibrar a capacidade do mercado fornecedor, a Petrobras priorizou, pela ordem, a Refinaria Abreu e Lima (PE), o Projeto Boaventura (RJ) e, por último, a UFN-3.
Investimentos reservados
No Plano Estratégico 2050 e no Plano de Negócios 2026-2030 divulgados pela companhia, o segmento de fertilizantes aparece com destaque dentro de um montante de US$ 15,8 bilhões destinado a refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes. Para concluir a UFN-3, o investimento estimado é de cerca de R$ 3,5 bilhões, valor que inclui a finalização das obras paradas e a aquisição de equipamentos remanescentes. Paralelamente, as unidades da Fafen-BA, Fafen-SE e Araucária Nitrogenados (PR) receberão aportes para continuidade operacional.
Reações no governo de Mato Grosso do Sul
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, afirmou que recebeu o plano de negócios da Petrobras com preocupação inicial pelo caráter conservador das projeções e pela prioridade conferida aos segmentos de óleo, gás e descarbonização. No entanto, considerou positiva a manutenção da UFN-3 no portfólio de investimentos, bem como a inclusão das demais fábricas de fertilizantes da estatal.
Verruck observou que o cronograma apresentado adia o início efetivo da produção para 2029, o que, na prática, desloca o início das obras para 2027 e posterga a redução da dependência nacional de ureia importada para 2030. Mesmo assim, o secretário destacou que os processos licitatórios já em andamento e a estimativa de investimentos superiores a US$ 800 milhões indicam compromisso da Petrobras com o projeto. Ele também mencionou a recente autorização para importação de gás natural adicional da Argentina pelo Gasoduto Bolívia-Brasil, medida que assegura oferta do insumo na fase operacional da planta.
Histórico da UFN-3
As obras da UFN-3 começaram em 2011 e foram interrompidas em 2014, quando 81 % da estrutura estava concluída. A unidade foi projetada para produzir, anualmente, 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia. A localização em Três Lagoas é considerada estratégica para o fornecimento de fertilizantes às regiões agrícolas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.
O Conselho de Administração da Petrobras aprovou a retomada do empreendimento em outubro de 2022, após nova análise de viabilidade econômica. Desde então, a empresa estruturou o modelo de licitações fatiadas e incluiu o projeto no planejamento de longo prazo, reforçando a intenção de concluir a planta e ampliar a participação nacional na produção de fertilizantes nitrogenados.
Com a abertura dos envelopes em andamento, a Petrobras mantém a previsão de encerrar a fase de propostas até dezembro e negociar contratos ao longo de 2024 e 2025. Caso o cronograma seja cumprido, as obras serão reiniciadas em 2027, permitindo testes operacionais em 2028 e início da produção comercial até o fim de 2029.









