Três Lagoas (MS) – O Conselho de Administração da Petrobras autorizou, nesta semana, a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), empreendimento instalado em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul. A iniciativa prevê investimento de aproximadamente US$ 1 bilhão – valor correspondente a cerca de R$ 5 bilhões pela cotação atual – e deve gerar perto de 8 mil postos de trabalho durante a fase de construção.
O projeto começou a ser erguido em 2011, mas teve as atividades interrompidas em 2014, após a rescisão do contrato com o consórcio formado pelas empresas Sinopec e Galvão Engenharia. Desde 2015, a planta permanecia em estado de hibernação. Uma reavaliação técnica e econômica, iniciada em 2023, confirmou a viabilidade do empreendimento dentro do Plano de Negócios 2026-2030 da companhia, motivando a decisão de retomada.
Obras reiniciam ainda no primeiro semestre
De acordo com o cronograma apresentado pela Petrobras, os trabalhos de conclusão deverão ser reiniciados no primeiro semestre deste ano, assim que forem firmados os contratos de engenharia, suprimentos e construção. A previsão é que a unidade entre em operação comercial em 2029. Atualmente, cerca de 81 % da estrutura física já está finalizada, o que deve acelerar a etapa restante do projeto.
Em nota técnica, a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Renata Baruzzi, informou que a análise de cenários apontou resultado positivo de Valor Presente Líquido (VPL) em todas as projeções, atendendo às premissas de governança e disciplina de capital. Segundo ela, o estudo considerou diferentes variações de demanda, preço de venda e custos de produção, mantendo o retorno financeiro acima do requerido pela empresa.
A UFN-3 foi concebida para produzir aproximadamente 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas diárias de amônia. Parte do volume de amônia será destinada diretamente à comercialização, enquanto o restante servirá de insumo para a própria fabricação de ureia. O principal mercado-alvo compreende os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, concentrando grande parcela do agronegócio nacional.
Segundo o diretor de Processos Industriais, William França, o empreendimento é considerado estratégico por contribuir para a redução da dependência brasileira de fertilizantes importados e por intensificar a integração da cadeia de suprimentos com o setor agrícola. A localização da fábrica, próxima às regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, é apontada pela empresa como vantagem competitiva, pois encurta rotas de distribuição e reduz custos logísticos.
No mercado interno, a ureia é o fertilizante nitrogenado de maior consumo, com demanda anual próxima de 8 milhões de toneladas. O insumo é aplicado em culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, além de ser largamente empregado na pecuária. Já a amônia é matéria-prima essencial não apenas para fertilizantes, mas também para diversos derivados petroquímicos, o que amplia as possibilidades de inserção da produção nacional em cadeias industriais adjacentes.
Com a reativação da UFN-3, a Petrobras retoma atuação no segmento de fertilizantes, área que a empresa havia reduzido nos anos anteriores e que voltou a ser classificada como prioritária em 2023. A companhia reforça que a conclusão do projeto atende a diretrizes de segurança, sustentabilidade e competitividade estabelecidas em seu plano estratégico, além de posicionar o país em condição mais favorável para suprir a crescente demanda de nutrientes agrícolas.
Para as administrações municipais e estaduais, a expectativa é que o canteiro de obras impulsione a economia regional, movimentando empresas de serviços, comércio e logística, além de gerar vagas diretas e indiretas. Após a entrada em operação, a planta demandará equipes permanentes de manutenção, operação e apoio, cuja estimativa de quantitativo ainda será detalhada nos contratos futuros.
As etapas seguintes incluem o lançamento dos processos de contratação, atualização do licenciamento ambiental e definição de fornecedores nacionais e estrangeiros para equipamentos específicos. A Petrobras informou que acompanhará todos os marcos por meio de indicadores de desempenho, com revisões periódicas para garantir que prazos e custos permaneçam alinhados às projeções aprovadas.









