A Polícia Federal de Três Lagoas cumpriu, na manhã desta segunda-feira (23), mandado de prisão preventiva contra um ex-secretário municipal de Saúde de Selvíria. O alvo já havia sido afastado do cargo durante as investigações e, agora, é mantido sob custódia por determinação do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. A medida integra novos desdobramentos da Operação Rastro Cirúrgico, ação iniciada para apurar possíveis desvios de recursos públicos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A ordem de prisão foi expedida depois que a equipe de investigação reuniu indícios que, segundo a Polícia Federal, apontam para a prática de peculato, fraudes em licitações, superfaturamento de contratos, corrupção e frustração do caráter competitivo em procedimentos de compra pública. Os investigadores também identificaram elementos que sugerem lavagem de dinheiro, evasão de divisas e atuação de uma estrutura organizada para a perpetração das irregularidades.
A Operação Rastro Cirúrgico foi deflagrada em agosto de 2025, quando agentes federais cumpriram 13 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos. Na mesma etapa, houve sequestro, arresto e bloqueio de bens que, somados, podem chegar a R$ 5 milhões por investigado. O objetivo principal foi estancar eventuais desvios de verbas do SUS e assegurar recursos para um possível ressarcimento aos cofres públicos.
De acordo com informações da Polícia Federal, a investigação indicou que parte dos contratos firmados pela Secretaria Municipal de Saúde de Selvíria apresentava sobrepreço expressivo, além de evidências de direcionamento de concorrências. As contratações teriam beneficiado fornecedores específicos, burlando a legislação que rege as licitações e reduzindo a competitividade dos certames. O ex-gestor detido nesta segunda-feira é apontado como um dos responsáveis pela articulação dos procedimentos irregulares.
As autoridades sustentam que, embora o investigado já estivesse formalmente afastado das funções públicas, permanecia influenciando decisões administrativas por meio de pessoas ligadas à antiga gestão. Por esse motivo, a Polícia Federal requisitou a prisão preventiva, alegando risco de continuidade delitiva, possível destruição de provas e necessidade de resguardar a ordem pública. O pedido foi analisado pelo TRF-3, que deferiu a medida especificamente em relação ao ex-secretário.
Com a prisão efetivada, o investigado será encaminhado para unidade prisional adequada, onde ficará à disposição da Justiça. Simultaneamente, equipes da Polícia Federal prosseguem com diligências complementares para detalhar o fluxo financeiro dos contratos sob suspeita e rastrear valores que possam ter sido remetidos ao exterior. Auditores buscam ainda mensurar de forma precisa o montante desviado do orçamento municipal da saúde.
Além do ex-secretário, outros agentes públicos e empresários permanecem na condição de investigados. Documentos recolhidos na fase inaugural da operação, bem como dados bancários e fiscais, estão sendo cruzados para verificar a extensão da eventual atuação de uma organização criminosa. A expectativa é de que novos relatórios sejam encaminhados ao Ministério Público Federal, responsável por eventual denúncia à Justiça.
A reportagem solicitou posicionamento da Prefeitura de Selvíria sobre os desdobramentos da Operação Rastro Cirúrgico e a prisão do ex-gestor, mas não houve resposta até o momento da publicação. A investigação segue em sigilo parcial, e novos esclarecimentos por parte da Polícia Federal dependem do andamento das diligências autorizadas pelo juízo competente.









