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Pix se consolida como principal forma de pagamento entre pequenos negócios, mostra pesquisa

O Pix, sistema de transferências instantâneas lançado há cinco anos pelo Banco Central, tornou-se o meio de pagamento mais utilizado por pequenos empreendedores em todo o Brasil. Levantamento realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) revela que 58% dos proprietários de micro e pequenos negócios apontam a ferramenta como principal opção para receber valores de clientes.

O estudo, que acompanha a evolução dos métodos de pagamento nas empresas de menor porte, indica que a preferência pelo Pix não se limita às vendas. Quando se trata de quitar compromissos com fornecedores, 53% dos entrevistados utilizam o mesmo sistema. Outras modalidades, como boletos bancários, representam 23% das transações, enquanto cartões de crédito concentram apenas 8% dos pagamentos nesse segmento.

A pesquisa abrangeu negócios de diferentes portes dentro do universo das micro e pequenas empresas. Entre os microempreendedores individuais (MEI), a adoção da transferência instantânea é ainda mais expressiva: 70% usam o Pix como principal meio para receber de clientes. Nas microempresas, a proporção é de 48%, e nas empresas de pequeno porte, de 38%. O levantamento também mostra um comportamento similar nas despesas operacionais: 59% dos MEI, 46% das microempresas e 38% das pequenas empresas pagam fornecedores por meio do Pix.

Os resultados refletem, segundo o Sebrae, a rápida digitalização das atividades comerciais no país. Para o presidente da entidade, Décio Lima, o cenário confirma que empreendedores buscam soluções que garantam rapidez e segurança nas transações, requisitos considerados cruciais para a competitividade. O estudo reforça essa tendência ao mostrar que cartões de crédito e débito, somados, correspondem a 17% dos pagamentos nos pequenos negócios, enquanto o uso de dinheiro em espécie aparece em apenas 7% dos casos.

A participação reduzida de cédulas e moedas indica mudança no comportamento do consumidor e na estrutura de custos das empresas. A eliminação de taxas normalmente associadas a cartões, bem como a liquidação imediata dos valores transferidos, são fatores apontados por empresários como determinantes para a escolha do Pix, de acordo com o relatório.

A predominância do sistema é observada em todas as regiões do país, com maior incidência no Norte e no Nordeste. O levantamento não especifica percentuais regionais exatos, mas aponta que nessas áreas o acesso limitado a serviços bancários tradicionais impulsionou a adoção de meios digitais, tornando o Pix a alternativa mais prática tanto para quem vende quanto para quem compra.

A idade do empreendedor também influencia o uso da ferramenta. Entre empresários com até 60 anos, a taxa de preferência supera a média nacional. Já no grupo acima dessa faixa etária, 46% citaram o Pix como principal meio de transação. O dado sugere que a familiaridade com tecnologias móveis e aplicativos bancários continua sendo um fator relevante na adoção do sistema entre gerações mais velhas.

O recorte por raça apresenta diferenças expressivas. Empreendedores negros utilizam o Pix em 66% das operações, enquanto entre empresários brancos o índice é de 54%. Para o Sebrae, a informação evidencia que o sistema instantâneo favorece a inclusão financeira ao dispensar requisitos como maquininhas de cartão ou tarifas fixas, ampliando o alcance das transações eletrônicas a partir de qualquer dispositivo conectado à internet.

Além da inclusão, a pesquisa destaca impactos na gestão interna dos negócios. A facilidade de conciliação em tempo real, a possibilidade de programar pagamentos e a eliminação de prazos para recebimento contribuem para um controle de fluxo de caixa mais eficiente. Para Décio Lima, acompanhar soluções tecnológicas é essencial não apenas para vender mais, mas também para reduzir custos operacionais e otimizar processos.

O relatório conclui que o Pix se firmou como componente estratégico da rotina dos pequenos negócios, tanto na entrada quanto na saída de recursos. Cartões e boletos ainda mantêm participação relevante, sobretudo em setores que dependem de vendas parceladas, mas a tendência aponta para a consolidação do pagamento instantâneo como padrão. Com a ampliação de serviços adicionais, como o Pix Garantido e o Pix Parcelado, o Sebrae projeta que a presença do recurso em operações comerciais deverá se intensificar nos próximos anos.

O estudo completo do Sebrae e do Ipespe inclui recortes setoriais e regionais que serão utilizados para orientar ações de capacitação voltadas a pequenos empresários. Segundo a entidade, programas de educação financeira e digital devem ganhar reforço para que o mercado acompanhe a evolução do sistema, garantindo que empreendedores de todos os perfis possam aproveitar as vantagens da ferramenta nas atividades diárias.