Campo Grande, 5 de fevereiro – O desenvolvimento profissional está diretamente ligado ao planejamento de metas, ao conhecimento das próprias competências e à atualização contínua de habilidades técnicas e comportamentais. A avaliação foi apresentada pelo psicólogo de performance Luciano Coppini durante participação no quadro Fábrica de Talentos, realizado nesta segunda-feira (5) em Campo Grande.
De acordo com Coppini, qualquer pessoa que ingressa no mercado de trabalho já inicia uma trajetória profissional, independentemente do cargo ou setor. A diferença, afirmou, está entre conduzir esse percurso de maneira estruturada ou apenas reagir às circunstâncias. “O resultado costuma ser mais consistente quando existe um plano claro; quem segue apenas a intuição tende a avançar de forma desorganizada e corre o risco de não atingir objetivos relevantes”, observou.
Para o especialista, o primeiro passo é definir um destino preciso, comparável a programar a rota de um GPS. Esse processo requer autoconhecimento, pois somente a partir de uma visão realista sobre pontos fortes e lacunas de competência é possível traçar metas alcançáveis e selecionar os recursos adequados para alcançá-las. “Sem esse mapeamento, o profissional pode investir tempo e energia em qualificações que não contribuem para o objetivo principal”, explicou.
Coppini destacou que muitas empresas vêm oferecendo instrumentos formais para orientar esse planejamento, com destaque para o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI). A ferramenta orienta funcionários a estabelecer metas de curto, médio e longo prazo, registrar habilidades a serem aprimoradas e acompanhar a evolução ao longo do tempo. Segundo o psicólogo, o PDI ajuda a alinhar expectativas da organização e do colaborador, reduzindo ruídos que costumam comprometer o progresso.
Além das competências técnicas, conhecidas como hard skills, o mercado tem atribuído peso crescente às habilidades comportamentais, as chamadas soft skills e, mais recentemente, às heart skills. Nesta última categoria, encontram-se aptidões relacionadas a relacionamento interpessoal, liderança, empatia e equilíbrio emocional. “São qualidades que não podem ser facilmente substituídas por máquinas e que facilitam o trabalho em equipe, a gestão de conflitos e a adaptação a cenários de mudança”, resumiu.
Nesse contexto, a capacidade de receber feedback e transformá-lo em ação aparece como fator decisivo. Coppini advertiu que a resistência a orientações de superiores ainda impede muitos profissionais de evoluir. “Há casos em que o colaborador prefere pedir demissão a rever métodos de trabalho. Essa postura rompe o ciclo de aprendizado e compromete a construção de uma carreira sólida”, observou.
O avanço tecnológico e a difusão da inteligência artificial também foram mencionados como elementos que redefinem a demanda por competências. O psicólogo entende que funções rotineiras tendem a ser automatizadas, elevando a importância de atributos ligados ao pensamento crítico, criatividade e gestão de pessoas. “Não é a profissão que perde valor, e sim o profissional que deixa de acompanhar as exigências. Quem investe em qualificação mantém espaço, mesmo em cenários de transformação acelerada”, avaliou.
Para enfrentar esse ambiente dinâmico, Coppini recomenda que cada trabalhador assuma protagonismo sobre a própria qualificação, em vez de depender exclusivamente da empresa ou de instituições de ensino. Há, segundo ele, diversos recursos acessíveis para atualização, como cursos on-line, mentorias, grupos de estudo e redes de networking. “A disposição individual para aprender continuamente conta mais do que fatores externos”, reforçou.
O psicólogo salientou ainda que o planejamento de carreira não se limita a promoções verticais. Mudanças laterais de função, projetos temporários e experiências em outros setores podem ampliar repertório e abrir oportunidades futuras. “Construir uma trajetória diversificada aumenta a resiliência profissional, pois expõe o trabalhador a diferentes contextos e amplia a capacidade de adaptação”, comentou.
Outro ponto abordado foi a importância de indicadores de desempenho claros. Conforme o especialista, metas objetivas permitem medir avanços e corrigir rotas com agilidade. Ferramentas como avaliações periódicas de performance, autoavaliações e feedback 360 graus auxiliam no monitoramento dos resultados e favorecem ajustes em tempo real.
No encerramento de sua participação, Coppini reiterou que o cenário econômico ou a situação específica de cada setor influenciam, mas não determinam, o sucesso individual. Ele defendeu que o compromisso pessoal com o aprendizado, a flexibilidade diante de novas demandas e a responsabilidade sobre escolhas profissionais compõem o núcleo do crescimento sustentável.
Entre os temas discutidos, destacam-se ainda questões de empregabilidade regional. Em Mato Grosso do Sul, iniciativas de qualificação têm sido estimuladas por programas públicos e privados, reflexo de um mercado em adaptação às novas tecnologias. Segundo Coppini, ambientes que incentivam o desenvolvimento contínuo tendem a reter talentos e elevar a competitividade das organizações locais.
Ao longo da entrevista, o psicólogo reforçou que o conjunto de ações sugeridas – planejamento, autoconhecimento e investimento em competências – forma um ciclo integrado. Cada elemento influencia o outro, e a ausência de um deles pode comprometer o resultado final. “A carreira é um projeto de longo prazo, e quem estrutura etapas, acompanha indicadores e se mantém aberto à aprendizagem aumenta a probabilidade de alcançar suas metas”, concluiu.









