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Polícia Civil conclui investigação e afasta culpa de motorista em morte de mulher na BR-163, em Campo Grande

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul encerrou a investigação sobre a morte de Ely da Silva Quevedo, ocorrida em 13 de abril deste ano, em um trecho da BR-163, em Campo Grande. Após quase dois meses de diligências, laudos periciais e análise de imagens, a 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (1ª Deam) concluiu que não há elementos para responsabilizar criminalmente o motorista que conduzia o automóvel no momento do episódio.

De acordo com a corporação, o inquérito reuniu provas técnicas que demonstraram que a vítima saiu voluntariamente do veículo ainda em movimento, caiu na pista e foi atropelada pelo próprio carro. Os peritos não detectaram sinais de luta dentro do automóvel, lesões de defesa no corpo da vítima nem qualquer indício de intervenção física do condutor que pudesse ter provocado a queda.

Os trabalhos incluíram exames minuciosos no interior e na parte externa do veículo, além da avaliação detalhada das lesões apresentadas por Ely da Silva Quevedo. Segundo a equipe de perícia criminal, o padrão dos ferimentos é compatível com atropelamento subsequente à queda, sem marcas que indicassem agressões prévias ou tentativa de contenção.

Imagens de câmeras próximas ao local e vídeos obtidos pelos investigadores foram analisados quadro a quadro. Essa etapa técnica reforçou a hipótese de saída espontânea da passageira, evidenciando que o motorista não realizou manobra brusca nem teve comportamento que pudesse ser interpretado como intencionalmente lesivo.

Com base nessas conclusões, a 1ª Deam registrou que a morte resultou de ação exclusiva da própria vítima, afastando, portanto, a configuração de feminicídio ou outro crime atribuído ao condutor. O inquérito foi arquivado sem indiciamento, e não haverá oferecimento de denúncia ao Ministério Público.

Em nota oficial, a Polícia Civil informou que o conteúdo detalhado dos autos permanece sob sigilo, em respeito à memória da vítima e aos familiares. A instituição ressaltou que a divulgação de laudos completos ou de registros internos poderia expor informações pessoais e técnicas que não interessam ao público em geral nem contribuem para o esclarecimento dos fatos.

Conforme a 1ª Deam, o procedimento investigativo seguiu o protocolo aplicado em casos de mortes violentas de mulheres no estado. Entre as etapas previstas, constam o levantamento de vestígios em local de crime, exames necroscópicos, reconstituição de dinâmica, oitivas de testemunhas e, quando disponíveis, a análise de registros audiovisuais. Somente após o cruzamento de todas as evidências é produzido o relatório conclusivo que indica ou não a responsabilidade penal de possíveis envolvidos.

A reportagem apurou que o motorista prestou depoimento ainda no dia da ocorrência, apresentou documentação do carro e permaneceu à disposição das autoridades durante todo o inquérito. Também foram ouvidas pessoas que trafegavam pela rodovia na hora do fato, além de profissionais de atendimento emergencial que estiveram no local.

O trecho da BR-163 onde o caso ocorreu liga a região urbana de Campo Grande a municípios do interior do estado e apresenta intenso fluxo de veículos, sobretudo de carga. A Polícia Civil destacou que a colaboração da concessionária responsável pela rodovia, no fornecimento de imagens e de informações sobre a circulação na data do incidente, foi essencial para a elucidação.

Com o arquivamento, a investigação é considerada concluída pelas autoridades de segurança pública de Mato Grosso do Sul. Eventual reabertura do caso só poderá ocorrer se surgirem novos elementos de prova que contrariem as conclusões atuais, hipótese que, segundo a 1ª Deam, não está prevista no momento.

O caso gerou comoção inicial e levantou suspeitas de feminicídio devido às circunstâncias da morte e ao perfil da vítima. Contudo, a Polícia Civil enfatizou que a ausência de indícios de agressão direta, aliada à confirmação pericial de saída voluntária do veículo, foi decisiva para afastar qualquer responsabilização do condutor.

Por fim, a corporação reiterou o compromisso com a apuração rigorosa de todos os casos de violência contra a mulher no estado e orientou que denúncias sejam formalizadas pelos canais oficiais, como delegacias especializadas e telefones de emergência.

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