A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul apreendeu uma pistola calibre 9 mm, três carregadores e 16 munições na manhã desta terça-feira (7) durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em Campo Grande. A medida integra a investigação de um caso de violência doméstica conduzido pelo Setor de Investigações Gerais da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).
O alvo da operação é um homem de 33 anos, suspeito de injúria e lesão corporal contra a ex-companheira, de 42 anos. A ocorrência foi registrada em 23 de março, depois que a vítima procurou a delegacia para relatar agressões físicas e ofensas verbais supostamente praticadas pelo investigado entre os dias 7 e 22 do mesmo mês. De acordo com a corporação, o casal manteve um relacionamento de aproximadamente sete meses.
No boletim de ocorrência, a mulher apresentou documentação médica que comprovou hematomas compatíveis com agressões. Os exames foram decisivos para que a autoridade policial solicitasse à Justiça o mandado de busca, argumentando a necessidade de apreender eventual arma de fogo que pudesse representar risco à integridade da vítima. O pedido foi aceito e a ordem judicial expedida.
Por volta das 10 h desta terça-feira, investigadores da Deam e agentes do Setor de Investigações Gerais chegaram a um imóvel localizado no bairro Vila Santo Eugênio, na região sudeste da capital. Durante a revista no endereço, os policiais encontraram uma pistola marca Glock, calibre 9 mm, além de três carregadores e 16 cartuchos intactos. Todo o material foi recolhido e encaminhado para perícia.
Segundo a Polícia Civil, a arma apreendida estava regularmente registrada em nome do investigado. Ainda assim, o magistrado responsável pelo caso determinou que o armamento fosse retirado do local como medida de proteção à vítima, prevista na legislação que trata da violência doméstica e familiar contra a mulher. O suspeito não foi detido em flagrante, pois o mandado tinha finalidade exclusivamente cautelar.
Com a apreensão concluída, o inquérito policial segue em andamento na 1ª Deam. Os investigadores vão analisar detalhadamente laudos médicos, relatórios psicológicos, o histórico de possíveis ocorrências anteriores e eventuais provas digitais, como mensagens de texto e registros de chamadas, que possam corroborar ou refutar as denúncias de agressão e injúria. A pistola, os carregadores e as munições permanecerão sob custódia do Estado até decisão judicial definitiva.
A corporação reforçou que mulheres em situação de violência podem registrar boletim de ocorrência presencialmente nas delegacias especializadas ou pela Delegacia Virtual. Também podem solicitar medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha, que incluem desde o afastamento do agressor até a apreensão de armas de fogo legalmente registradas, como ocorreu neste caso.
Autoridades policiais destacaram ainda a importância de denúncias tempestivas, pois relatos imediatos facilitam a obtenção de provas e a adoção de medidas de segurança. A Polícia Civil informou que manterá acompanhamento do caso e que outros desdobramentos, como eventual indiciamento ou pedido de prisão preventiva, dependerão da conclusão das diligências em curso. Enquanto isso, a vítima permanece amparada pelas medidas determinadas pela Justiça.
O caso se soma a outras ações recentes voltadas ao enfrentamento da violência doméstica em Mato Grosso do Sul, estado que registra números expressivos de ocorrências envolvendo agressões a mulheres. A Deam de Campo Grande concentra esforços em investigações que, assim como a operação desta terça-feira, visam não apenas apurar responsabilidades, mas também remover fatores de risco imediato, como armas de fogo, do ambiente ao qual a vítima está exposta.








