A Polícia Civil encerrou as diligências preliminares sobre o desentendimento registrado em 27 de dezembro de 2025 entre o vereador Élio Moreira Junior (PP), conhecido como Elinho Jr., e o vendedor ambulante José Elizeu Lara Navarro, 41 anos, no centro de Corumbá, Mato Grosso do Sul. O inquérito descartou a existência de coação, ameaça ou pagamento irregular dentro da delegacia, pontos levantados em vídeos difundidos nas redes sociais após o episódio.
Imagens captadas pelo próprio ambulante mostram o parlamentar discutindo em tom exaltado em frente a um comércio da rua Delamare. Durante a discussão, o vereador afirma ser proprietário do estabelecimento e acusa o vendedor de importunar sua esposa. Os registros mostram ainda a bicicleta e a caixa de isopor usadas na venda de salgados sendo danificadas.
A Polícia Militar foi chamada por meio do telefone de emergência 190 e constatou o conflito. Após a intervenção dos policiais, ambas as partes seguiram espontaneamente para a Delegacia de Polícia de Corumbá, onde a ocorrência foi registrada.
Na unidade, houve tentativa de conciliação informal intermediada por civis. Uma liderança religiosa participou da conversa, e o ambulante gravou um vídeo de retratação na área externa da delegacia, declarando que o impasse estava solucionado. Segundo o laudo da investigação, nenhum policial civil esteve presente no momento da gravação.
Na noite seguinte, porém, o vendedor publicou novo vídeo alegando que teria sido pressionado por um agente da Polícia Civil a gravar a retratação, apagar conteúdos anteriores e desistir da queixa. Ele disse ainda ter recebido de R$ 100 a R$ 200 dentro da delegacia como condição para o acordo.
Em resposta às acusações, a Delegacia Regional acionou a Corregedoria-Geral da Polícia Civil e o Departamento de Polícia do Interior. Foram ouvidas testemunhas civis, policiais militares que atenderam à ocorrência e agentes plantonistas. Além disso, câmeras internas e externas da unidade e registros de sistema foram analisados.
De acordo com o relatório, nenhuma testemunha confirmou práticas de coação, ameaça ou entrega de dinheiro por servidores públicos. As gravações mostram o ambulante circulando livremente dentro da delegacia sem acompanhamento de policiais no período apontado como momento da suposta pressão. A apuração identificou que a quantia citada foi paga pelo vereador, a título de indenização pelos danos à bicicleta e à caixa de isopor, fato admitido pelo próprio parlamentar em depoimento.
A investigação também registrou divergências nos relatos do vendedor sobre quem teria repassado o dinheiro, o local exato da suposta coação e quem teria sugerido a gravação do vídeo de retratação. Testemunhas apontaram que a iniciativa de buscar conciliação partiu da esposa do vereador e de uma pastora da igreja frequentada pelo ambulante.
Embora a suspeita de abuso de autoridade tenha sido descartada, dois procedimentos permanecem em andamento. O primeiro avalia possíveis crimes de vias de fato, dano, injúria e ameaça resultantes da discussão inicial. O segundo apura eventual infração administrativa por parte de servidores, com análise de registros digitais e imagens de segurança ainda em curso.
Após a repercussão, o vereador publicou vídeo admitindo ter “perdido a cabeça” no momento da discussão. O ambulante, por sua vez, alternou declarações: inicialmente pediu que o caso não prosseguisse, depois reiterou nas redes sociais que teria agido sob pressão.
Com a conclusão das diligências iniciais, o inquérito aguarda novos laudos e depoimentos para definir se haverá indiciamentos pelos delitos investigados ou aplicação de sanções administrativas a servidores eventualmente envolvidos. Até o momento, não foi solicitada prisão preventiva nem expedidas medidas protetivas, e ambos os envolvidos seguem respondendo em liberdade.
O caso continua sob responsabilidade da Delegacia de Polícia de Corumbá, que aguarda a finalização dos procedimentos complementares para encaminhar o relatório definitivo ao Ministério Público.









