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Polícia intercepta carga de medicamentos para emagrecimento dentro de estepe na MS-386

Uma abordagem de rotina na rodovia MS-386, em Ponta Porã, a cerca de 120 quilômetros de Dourados, levou à apreensão de uma carga de medicamentos para emagrecimento cuja venda é proibida no Brasil. A fiscalização ocorreu na tarde desta segunda-feira (12), no quilômetro 116 da via, próximo à base de Sanga Puitã, e resultou em prejuízo calculado em mais de R$ 128 mil ao infrator.

Durante a vistoria, agentes da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul identificaram irregularidades no compartimento destinado ao pneu reserva de um automóvel. Ao removerem o estepe, os policiais localizaram dezenas de canetas injetáveis contendo substâncias para controle de peso, frascos de outros medicamentos de origem estrangeira e um aspirador robô de alto valor comercial. Todo o material havia sido acomodado no espaço de forma a dificultar a detecção visual.

O levantamento preliminar apontou que a mercadoria alcança R$ 88 mil em valor de mercado, enquanto o veículo foi avaliado em aproximadamente R$ 40 mil, totalizando um prejuízo superior a R$ 128 mil para o responsável pela carga. Entre os itens apreendidos estão 85 unidades de tirzepatida TG 15 mg, 20 unidades de tirzepatida TG 10 mg, cinco unidades de tirzepatida Tirzec 15 mg e seis unidades de retratutide 40 mg, além de um aspirador robô Xiaomi X20 Pro.

As substâncias confiscadas, segundo as autoridades, não possuem registro ou autorização de comercialização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dessa forma, a introdução desses produtos no território nacional caracteriza contrabando, crime previsto na legislação brasileira. A tirzepatida, por exemplo, é utilizada para controle glicêmico e perda de peso, mas somente pode ser adquirida no País mediante autorização específica, o que não era o caso das unidades encontradas.

Interrogado no local, o motorista declarou ter adquirido todos os itens no Paraguai. Ainda de acordo com a versão apresentada aos policiais, a encomenda seria levada até o estado de São Paulo, onde seria entregue mediante remuneração pelo transporte. O valor que ele receberia não foi informado.

Após o flagrante, o condutor, o veículo e toda a carga foram levados à Delegacia da Polícia Federal em Ponta Porã. A partir de agora, os investigadores federais conduzirão o inquérito para apurar a origem, o destino final e os possíveis envolvidos na cadeia de distribuição dos medicamentos. Caso seja indiciado e condenado, o motorista poderá responder por contrabando, cuja pena prevista varia de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

Os agentes destacaram que a fiscalização ocorre de forma contínua na região de fronteira, onde o fluxo de produtos estrangeiros sem documentação é intenso. A rodovia MS-386 é uma das rotas mais utilizadas para o transporte ilícito de mercadorias vindas do Paraguai rumo a diferentes estados brasileiros, especialmente os da região Sudeste.

Além do crime de contrabando, a entrada e a circulação de fármacos sem avaliação sanitária representam risco à saúde pública. A Anvisa alerta que medicamentos importados irregularmente podem conter dosagens incorretas, substâncias não declaradas ou até mesmo serem falsificados, ampliando o potencial de efeitos adversos graves nos consumidores.

Segundo a Polícia Militar, a utilização de compartimentos ocultos em veículos de passeio tem sido prática recorrente para burlar a fiscalização. Os agentes informaram que, neste caso, a adaptação realizada no espaço do pneu reserva chamava a atenção por apresentar soldas e encaixes fora do padrão de fábrica, o que motivou uma inspeção mais minuciosa.

A corporação também informou que reforçará o trabalho de inteligência e de barreiras móveis em trechos estratégicos das rodovias estaduais, sobretudo aqueles próximos a unidades de fronteira. A expectativa é coibir novos carregamentos de medicamentos irregulares, eletrônicos e outros produtos contrabandeados.

Enquanto o inquérito prossegue, os medicamentos ficarão depositados em local adequado sob guarda da Polícia Federal até decisão judicial sobre destinação ou destruição. O aspirador robô e o veículo permanecerão apreendidos como parte das provas e para eventual perdimento em favor da União, conforme prevê a legislação.

O caso reforça a atenção das autoridades à entrada clandestina de substâncias de uso restrito no País e destaca a importância de ações integradas entre forças policiais estaduais e federais para enfrentar o contrabando na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul.