Um homem de 50 anos foi resgatado pela Polícia Militar após ser submetido a tortura e agressões graves na tarde de domingo, 22, na Rua Alfa, bairro Jupiá, em Três Lagoas (MS). A ocorrência mobilizou equipes de Rádio Patrulha e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que encaminharam a vítima ao Hospital Auxiliadora com múltiplos ferimentos.
De acordo com o boletim policial, a central de atendimento 190 recebeu informação de que uma pessoa estava caída na via pública, aparentemente impossibilitada de se locomover. Quando os militares chegaram, encontraram o homem com fortes dores, sangramentos e dificuldades para respirar. Ele relatou que havia conseguido escapar dos agressores momentos antes.
Segundo a narrativa apresentada aos policiais, três homens ainda não identificados invadiram a casa da vítima, localizada nas proximidades da ponte do Rio Jupiá. A porta foi arrombada e, em seguida, os invasores renderam o morador, amarraram-lhe os braços e colocaram uma sacola plástica sobre sua cabeça. As agressões teriam começado dentro do imóvel e se estendido até que o homem fosse abandonado na rua.
O objetivo da ação criminosa, conforme o depoimento, era forçar o morador a fornecer informações sobre o paradeiro de um jovem de 27 anos desaparecido há mais de uma semana no mesmo bairro. A família desse jovem realiza buscas desde então e utiliza redes sociais para solicitar ajuda da comunidade.
No curso das investigações preliminares, a principal suspeita de ter articulado as ameaças é a mãe do desaparecido, de 41 anos. Sem apresentar provas formais, ela passou a acreditar que o morador de 50 anos teria ligação com o sumiço do filho. Dias antes do ataque, a mulher teria ido até a residência do homem portando uma faca e, segundo registrado, afirmou que os “dias dele estavam contados”.
Testemunhas relataram ainda que um parente da suspeita, identificado como agente penitenciário no Estado de São Paulo, foi visto circulando pelo bairro na véspera do crime. A polícia apura se esse familiar tem participação direta ou indireta nas agressões.
Após o resgate, a equipe médica do Hospital Auxiliadora constatou fratura de costela, pneumotórax e enfisema cervical, lesões compatíveis com tentativa de estrangulamento. A vítima também apresentava perfuração no braço esquerdo provocada por objeto perfurocortante. Apesar da gravidade dos ferimentos, seu quadro era considerado estável até o fechamento da ocorrência.
Com base nas informações colhidas no local, a Polícia Militar realizou diligências no bairro Jupiá para localizar a mulher apontada como suspeita. No entanto, ela não foi encontrada. Moradores indicaram que ela mora na própria Rua Alfa, ao lado de um ponto comercial conhecido como Rei do Camarão, um quiosque de venda de crustáceos na mesma via.
O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (DEPAC) de Três Lagoas. A Polícia Civil dará continuidade às investigações para identificar os três executores da tortura, confirmar eventual envolvimento da mãe do jovem desaparecido e esclarecer se há relação entre o sequestro e o sumiço do rapaz de 27 anos.
Até o momento, nenhum dos suspeitos teve identidade revelada e não foram divulgadas imagens de câmeras de segurança que possam ter registrado a movimentação na área. A polícia avalia solicitar perícia no imóvel invadido e na área externa onde a vítima foi encontrada, em busca de impressões digitais, objetos utilizados no crime e possíveis vestígios de sangue.
Familiares do jovem desaparecido continuam mobilizados nas redes sociais, pedindo informações que possam levar ao seu paradeiro. A Polícia Civil reforça a orientação para que qualquer dado relevante seja comunicado diretamente às autoridades, evitando abordagens pessoais que possam resultar em novos atos de violência.
O homem agredido permanece internado, sob observação clínica e à disposição dos investigadores para esclarecer detalhes da dinâmica do crime assim que houver liberação médica. A corporação não informou prazo para conclusão do inquérito.








