O município de Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, voltou a ganhar destaque no cenário esportivo nacional com a participação do jovem paratleta Bruno Eduardo, de 16 anos, no Campeonato Brasileiro de Bocha Paralímpica. Realizada no último fim de semana em Curitiba, a competição reuniu atletas de diferentes estados e consolidou a cidade sul-mato-grossense como um polo de desenvolvimento da modalidade. Bruno competiu na classe BC2, reservada a pessoas com paralisia cerebral que possuem grau moderado de comprometimento motor, e encerrou o torneio com a medalha de prata.
Esta foi a terceira vez que o atleta disputou o campeonato brasileiro, registrando, segundo a equipe técnica, sua evolução mais consistente. O desempenho colocou Bruno na segunda posição do pódio, atrás apenas do campeão da categoria. Com o resultado, ele confirmou vaga automática para a fase regional da competição, prevista para ocorrer entre 23 e 26 de julho, em Uberlândia, Minas Gerais. A etapa funcionará como seletiva para fases posteriores do circuito nacional, ampliando a possibilidade de convocação para a seleção brasileira de bocha paralímpica.
Bruno integra o projeto municipal de paradesporto desde 2019, ano em que iniciou os treinamentos sob orientação do técnico Roney Araújo. De acordo com o treinador, o desenvolvimento de fundamentos específicos, somado à rotina de preparação física e estratégica, foi determinante para o rendimento apresentado em Curitiba. O trabalho enfatiza controle de força, precisão nos arremessos e capacidade de leitura tática das partidas, fatores considerados cruciais na categoria BC2.
O calendário competitivo de 2024 começou, para o atleta, com torneios locais e interestaduais que serviram de preparação para o campeonato brasileiro. Nessas disputas preliminares, Bruno acumulou vitórias que reforçaram a confiança da equipe técnica. Em Curitiba, enfrentou adversários de diferentes regiões, avançou nas fases classificatórias e chegou à decisão com aproveitamento elevado nas bolas de aproximação, fundamento que lhe garantiu vantagem em momentos decisivos.
A medalha de prata também contribui para o posicionamento de Três Lagoas no ranking de municípios mais bem-sucedidos na bocha paralímpica. Nos últimos anos, a cidade registrou crescimento expressivo no número de praticantes, impulsionado por investimentos públicos e parcerias com entidades de apoio a pessoas com deficiência. As ações incluem disponibilização de quadras adequadas, aquisição de equipamentos específicos e formação continuada de técnicos e voluntários.
Com a classificação ao regional confirmada, o planejamento imediato da equipe prevê intensificação dos treinamentos. A agenda inclui sessões diárias de exercícios de coordenação, alongamento, resistência muscular e simulações de partidas sob condições variadas de pressão. A preparação física será complementada por acompanhamento fisioterapêutico, voltado a aumentar a amplitude de movimento e prevenir lesões frequentes em atletas com paralisia cerebral.
Na fase regional de Uberlândia, Bruno encontrará adversários que também conquistaram vagas nas etapas estaduais ou nacionais. A competição servirá como termômetro para aferir o nível técnico antes das seletivas finais que definem a formação da seleção brasileira. O critério de convocação envolve pontuação acumulada ao longo do circuito, desempenho em confrontos diretos e avaliação do potencial de evolução a curto prazo.
Além do aspecto esportivo, a participação do jovem atleta reforça a importância da inclusão no ambiente competitivo. A bocha paralímpica, regulamentada pelo Comitê Paralímpico Internacional, requer elevado nível de concentração e estratégia, proporcionando aos atletas com deficiência severa oportunidade de alto rendimento. Em Três Lagoas, o êxito de Bruno incentiva novos praticantes, contribuindo para a ampliação do projeto municipal e para a descoberta de talentos em outras categorias funcionais.
O treinador Roney Araújo destaca que a meta principal, neste momento, é manter a consistência exibida no campeonato brasileiro. Para isso, a equipe multidisciplinar — composta por educador físico, fisioterapeuta e psicólogo esportivo — continuará monitorando indicadores de desempenho, como índice de acerto nos arremessos e controle emocional em partidas prolongadas. A expectativa é que o trabalho sistemático proporcione ganhos técnicos suficientes para transformar a prata nacional em resultado ainda mais expressivo na etapa regional.
Se alcançar boa colocação em Uberlândia, Bruno ampliará as chances de representar o Brasil em competições internacionais, objetivo que se alinha à estratégia de longo prazo do programa de paradesporto de Três Lagoas. Enquanto isso, a medalha de prata conquistada em Curitiba simboliza não apenas a progressão individual do atleta, mas também o reconhecimento do trabalho conjunto da cidade na consolidação da bocha paralímpica como modalidade de excelência no interior do país.








