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Prazo para cadastro de áreas de algodão em 38 municípios de MS termina nesta sexta-feira

Campo Grande (MS) – Produtores de algodão da Região III de Mato Grosso do Sul têm até esta sexta-feira, 30 de agosto, para informar eletronicamente ao Instituto de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) todas as áreas destinadas ao cultivo da fibra. O procedimento, exigido pela Resolução Conjunta Semadesc/Iagro nº 001/2024, integra o conjunto de medidas estaduais de prevenção e controle do bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis), principal praga da cultura no país.

O cadastro obrigatório abrange agricultores de 38 municípios do sul do Estado. Estão incluídos Dourados, Ponta Porã, Naviraí, Nova Andradina, Amambai, Iguatemi, Caarapó, Laguna Carapã, Itaporã, Fátima do Sul, Mundo Novo, Anaurilândia, Angélica, Antônio João, Aral Moreira, Bataguassu, Batayporã, Coronel Sapucaia, Deodápolis, Douradina, Eldorado, Glória de Dourados, Itaquiraí, Ivinhema, Japorã, Jateí, Juti, Novo Horizonte do Sul, Paranhos, Sete Quedas, Tacuru, Taquarussu e Vicentina.

De acordo com a norma, o produtor deve acessar o sistema eletrônico do Iagro e registrar a localização georreferenciada, a área total semeada, a variedade utilizada e o calendário de semeadura. O prazo para lançamento das informações é de até 30 dias após o encerramento do plantio, porém, para o ciclo atual, a data-limite estabelecida pelo órgão sanitário é 30 de agosto.

O descumprimento das exigências implica sanções que vão desde advertências e multas até a suspensão de incentivos fiscais concedidos ao setor. A perda de benefícios tributários, segundo o regulamento estadual, pode impactar diretamente a competitividade dos produtores na comercialização da pluma.

Mato Grosso do Sul conta atualmente com cerca de 30 mil hectares dedicados ao algodão. A cadeia produtiva local associa o cumprimento das normas fitossanitárias à manutenção da produtividade e à redução de custos indiretos. O bicudo-do-algodoeiro, se não controlado, provoca queda de rendimento e aumento expressivo no uso de inseticidas, elevando despesas operacionais.

Além dos agricultores, concessionárias responsáveis por rodovias, ferrovias, portos e aeroportos dentro dos limites dos mesmos 38 municípios devem manter áreas de domínio limpas, sem plantas voluntárias de algodão ou espécies hospedeiras. A medida pretende criar uma barreira complementar contra a disseminação do inseto, dificultando o deslocamento da praga entre propriedades rurais e áreas urbanas.

O cumprimento das regras também é pré-requisito para a emissão do Certificado de Destruição de Soqueira do Algodoeiro. Esse documento comprova que restos culturais foram eliminados de forma adequada, impedindo que o bicudo complete seu ciclo reprodutivo entre uma safra e outra. Sem o certificado, o produtor fica impossibilitado de acessar determinados programas de apoio financeiro e fiscal vinculados à cotonicultura no Estado.

A Resolução Conjunta especifica ainda que a fiscalização das áreas cadastradas será realizada por equipes do Iagro, podendo ocorrer vistorias in loco em qualquer fase do cultivo. Caso sejam identificadas irregularidades, o produtor será notificado para correção imediata. Persistindo a infração, as penalidades previstas na legislação de defesa sanitária vegetal serão aplicadas sem prejuízo de outras medidas administrativas ou judiciais cabíveis.

Na avaliação do setor, o controle rigoroso do bicudo é estratégico para manter o padrão de qualidade da pluma sul-matogrossense e garantir o atendimento a exigências de mercados compradores. A região concentra propriedades tecnificadas, com uso intensivo de biotecnologia e práticas de manejo integrado de pragas. Mesmo assim, o bicudo permanece como ameaça relevante por seu alto poder de dispersão e capacidade de dano econômico.

Para efetivar o cadastro, o produtor necessita apenas de conexão à internet, dados atualizados da propriedade e senha de acesso ao sistema do Iagro. Orientações detalhadas estão disponíveis nos escritórios locais da agência de defesa sanitária e nos sindicatos rurais de cada município.

Com o encerramento do prazo nesta sexta-feira, a expectativa do Iagro é alcançar a totalidade das propriedades cultivadas na região. A agência reforça que o monitoramento constante das lavouras e a eliminação precoce de focos de infestação compõem a estratégia estadual de sustentabilidade da cotonicultura, setor que movimenta emprego, renda e divisas na economia sul-matogrossense.

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