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Preço da soja sobe, criando oportunidade para produtores brasileiros

João Vítor Aguiar durante entrevista ao programa Agro é Massa -Reprodução/YouTube

O preço da soja na base portuária brasileira tem atingido níveis inéditos desde março de 2023, segundo João Vítor Aguiar, analista de mercado da Pátria Agronegócios.

Aguiar destacou que a valorização da commodity foi impulsionada por fatores climáticos nos Estados Unidos, pela demanda interna norte‑americana e pelas compras chinesas, mantendo o contrato de novembro de 2026 acima de US$ 13 por bushel.

O clima nos EUA, marcado por calor intenso e pouca chuva em julho, seguido de chuvas excessivas em agosto, reduziu a parcela da safra considerada boa ou excelente de 66 % para 58 %, aumentando a percepção de risco sobre a produtividade norte‑americana.

Além disso, a demanda interna dos EUA, sobretudo para o óleo de soja, e as compras de soja norte‑americana pela China, reforçaram a pressão positiva sobre os preços.

O petróleo também desempenhou papel importante: tensões entre Estados Unidos e Irã e a importância do país no comércio mundial de petróleo elevaram o preço do óleo de soja, que costuma acompanhar a soja em grão.

No mercado brasileiro, os prêmios permaneceram estáveis apesar da valorização de Chicago, sinalizando demanda consistente pela soja brasileira. O dólar, que chegou a R$ 5,20, recuou para R$ 5,14, mas não anulou os ganhos provocados pela combinação de fatores.

Aguiar recomenda que produtores aproveitem a janela de preços, especialmente aqueles que já protegeram parte dos custos de produção, mas alerta para a volatilidade que pode surgir com a aproximação do plantio brasileiro.

O analista prevê que a atenção do mercado se deslocará da crise climática americana para as condições das lavouras brasileiras, exigindo cautela na comercialização.

O cenário de El Niño no Pacífico pode aumentar a incerteza para a próxima safra, com previsões de mais chuvas no Sul e secas no Centro‑Oeste e Norte a partir de outubro, adicionando risco às decisões de comercialização.

Mesmo diante dessas incertezas, Aguiar ressalta que os preços atuais representam uma oportunidade relevante para os produtores que precisam garantir margem.