O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) avançou um passo decisivo para ampliar a assistência a pacientes com câncer na macrorregião Cone Sul de Mato Grosso do Sul. O prefeito de Dourados, Marçal Filho, assinou o protocolo de adesão como Gestor Pleno do Sistema Único de Saúde (SUS) ao projeto de implantação de um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) no campus hospitalar. O ato ocorreu durante reunião que contou com a presença do secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo; do superintendente do HU, Hermeto Macario Amin Paschoalick; da vice-reitora e reitora em exercício da UFGD, Cláudia Gonçalves de Lima; e da gerente-administrativa da unidade, Danielly Vieira Capoano.
Com a adesão formalizada, o planejamento técnico poderá ser submetido às diretorias da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) para aprovação final e liberação de recursos. Caso a disponibilidade orçamentária seja confirmada, a previsão é de que o processo licitatório seja aberto ainda no primeiro semestre de 2024. O cronograma institucional estima um prazo de 36 meses para a conclusão da obra, contados a partir da contratação.
Estrutura prevista
O projeto estabelece a construção de um novo bloco anexo ao hospital, dedicado exclusivamente ao cuidado oncológico. A proposta inclui:
- 60 leitos de internação;
- laboratório de anatomia patológica;
- ampliação dos centros cirúrgicos;
- ambientes para radioterapia, quimioterapia, oncologia clínica, hematologia, oncologia pediátrica, controle da dor, reabilitação e cuidados paliativos.
O modelo de contratação integrado prevê a elaboração dos projetos executivos e a entrega completa da edificação, eliminando etapas intermediárias e concentrando as responsabilidades em um único contrato.
Impacto na assistência regional
Dados epidemiológicos de 2019 a 2024 indicam que, dos 23.300 pacientes oncológicos da macrorregião Cone Sul que necessitaram de internação hospitalar, 8.681 (37%) buscaram atendimento no Paraná e 1.900 (8%) em São Paulo. Somados, representam 10.581 pessoas — 45% do total — que precisaram deslocar-se para fora do estado. O mesmo padrão se repete em procedimentos ambulatoriais: 46% das sessões de quimioterapia e 51% das radioterapias realizadas por residentes da região ocorreram em outros estados.
Com o Cacon, todo o ciclo de cuidado — diagnóstico, cirurgias oncológicas, terapias complementares e acompanhamento — passará a ser ofertado em Dourados. A expectativa do município e da direção do HU é reduzir significativamente o fluxo interestadual de pacientes, encurtar tempo de deslocamento, diminuir custos para o SUS e ampliar o acesso a tratamentos de alta complexidade mais perto da residência dos usuários.
Integração com ensino e pesquisa
Vinculado à UFGD e à rede Ebserh, o hospital universitário exerce papel fundamental na formação de profissionais de saúde. A criação do Cacon foi inserida no Plano Diretor Estratégico 2024-2028 da instituição e está alinhada ao objetivo da rede federal de expandir e qualificar sua participação no cuidado oncológico nacional. A nova estrutura deverá:
- abrir campos de prática para cursos de graduação em saúde;
- permitir a oferta de residências médicas e multiprofissionais específicas em oncologia clínica, cirúrgica e pediátrica;
- fortalecer o Centro de Pesquisa Clínica do hospital, viabilizando estudos clínicos, observacionais e translacionais em parceria com outras instituições;
- facilitar o acesso da população a protocolos terapêuticos inovadores e contribuir para a produção científica regional.
Passos seguintes
Após a manifestação de interesse assinada pela Prefeitura de Dourados, o planejamento será encaminhado para avaliação nas instâncias superiores da Ebserh. Com a aprovação institucional e a garantia de recursos, a autarquia federal irá publicar o edital de licitação. Concluída a concorrência, a empresa vencedora ficará responsável pelo desenvolvimento dos projetos executivos e pela execução integral da obra.
Enquanto a infraestrutura física não fica pronta, a direção do HU-UFGD deve iniciar adaptação de fluxos internos para integrar as futuras atividades do centro oncológico à rotina hospitalar. O município, por sua vez, planeja revisar a regulação de pacientes oncológicos e adequar a rede de atenção básica para encaminhar os casos ao novo serviço assim que entrar em operação.
Com a entrega do Cacon, Dourados passa a integrar o grupo de cidades brasileiras aptas a oferecer tratamento oncológico integral dentro de um único complexo hospitalar universitário, ampliando a cobertura assistencial do SUS e fortalecendo o papel da universidade no desenvolvimento científico e na formação de especialistas.









