A Prefeitura de Campo Grande submeteu à Arquidiocese local, nesta sexta-feira (10), uma proposta preliminar para requalificar a Praça do Papa, situada na região central da Capital. O plano prevê a construção de uma capela, além da implantação de estruturas recreativas com o objetivo de ampliar o uso cotidiano de um espaço reconhecido pelo valor histórico, mas ainda pouco frequentado pela população.
Inaugurada em 2007, a praça ocupa mais de 60 mil metros quadrados e foi concebida para lembrar a visita do papa João Paulo II, que celebrou uma missa campal na cidade em 1991. O local abriga um memorial dedicado aos pontífices e, segundo a administração municipal, mantém relevância simbólica tanto para a comunidade religiosa quanto para a memória urbana de Campo Grande.
O projeto foi apresentado como um esboço sujeito a ajustes. De acordo com a prefeita Adriane Lopes (PP), a proposta surgiu a partir de solicitações da própria Arquidiocese, que buscava alternativas para reforçar a importância histórica da praça e, simultaneamente, adequá-la às demandas atuais de convivência. “Não se trata de um plano fechado; estamos iniciando um processo colaborativo”, afirmou a chefe do Executivo municipal durante a reunião.
Entre as intervenções avaliadas estão a construção de uma capela destinada a celebrações religiosas, implantação de playground para crianças, instalação de academia ao ar livre voltada à prática de exercícios e criação de quadras esportivas em área delimitada. A combinação de equipamentos tem como meta transformar a praça em um ponto de encontro capaz de unir lazer, esporte e espiritualidade, sem descaracterizar o propósito original do espaço.
Representantes da Arquidiocese participaram da apresentação e manifestaram interesse em colaborar com o desenho final, ressaltando o potencial de a praça voltar a ser palco de eventos comunitários e cerimônias litúrgicas. Para a Igreja, a revitalização pode fortalecer o vínculo entre fiéis e o local que remete à passagem de João Paulo II, pontífice que atraiu milhares de pessoas à cidade na década de 1990.
Apesar de detalhar as principais diretrizes, a prefeitura informou que não há cronograma definido para licitação ou início das obras. A próxima etapa envolve a consolidação de sugestões recebidas, além da elaboração de projetos executivos que precisarão considerar parâmetros técnicos, ambientais e orçamentários. Somente depois dessa fase o município deve fixar prazos e estimar custos.
Conforme a administração, a área passará por estudos de impacto para garantir a preservação do memorial existente e assegurar acessibilidade. O desenho urbanístico pretende integrar os novos equipamentos ao traçado atual, respeitando a vegetação e a topografia do terreno, de modo a evitar intervenções invasivas.
A revitalização da Praça do Papa integra um conjunto de iniciativas voltadas à qualificação de espaços públicos em Campo Grande. Nos últimos anos, a prefeitura tem priorizado, em diferentes bairros, a instalação de academias ao ar livre, a reforma de praças e a ampliação de áreas destinadas a práticas esportivas. A administração avalia que tais investimentos estimulam a ocupação comunitária e contribuem para a segurança, ao aumentar a circulação de usuários em locais antes ociosos.
No caso específico da Praça do Papa, a expectativa é que o novo conjunto de equipamentos expanda o fluxo diário de visitantes, equilibrando atividades religiosas com lazer e esporte. A direção municipal sustenta que a presença constante de moradores favorece a conservação do espaço, reduz vandalismo e fortalece o sentimento de pertencimento.
Durante a reunião de apresentação, técnicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura adiantaram que a capela deverá seguir padrões arquitetônicos compatíveis com o entorno e ter dimensões adequadas à celebração de missas, batizados e cerimônias pequenas. Já o playground e a academia ao ar livre serão posicionados em setores diferentes para evitar interferências entre públicos de faixas etárias distintas, enquanto as quadras esportivas ficarão próximas a vias de acesso que facilitem eventual iluminação pública complementar.
A partir das discussões iniciais, prefeitura e Arquidiocese preveem novas reuniões para aprofundar aspectos técnicos, definir fontes de financiamento e estabelecer parcerias. O poder público avalia a possibilidade de recorrer a verbas orçamentárias próprias ou a emendas parlamentares, além de buscar apoio da iniciativa privada por meio de termos de cooperação.
Sem data oficial para o início das intervenções, o projeto permanece em fase de escuta e revisão. Tanto a administração municipal quanto a Igreja reforçaram que qualquer execução dependerá da viabilidade financeira e da aprovação dos órgãos competentes. Enquanto isso, a Praça do Papa segue aberta ao público, preservando o memorial dos papas como ponto de referência histórica e espiritual na capital sul-mato-grossense.








