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Produtor rural comenta risco de multa por dessedentação de gado em rios

Dartagnan Ramos Queiroz, pecuarista de Aparecida do Taboado, concedeu entrevista ao programa RCN Notícias da Rádio Cultura FM nesta quarta-feira, 4 de março, para tratar de possível autuação a produtores que permitem o acesso livre do rebanho a rios. O tema ganhou repercussão depois que o portal Compre Rural publicou reportagem informando que a presença de animais em margens pode ser caracterizada como infração ambiental, sujeita a fiscalização remota por satélite e a multa de até R$ 5 mil por hectare.

A prática de conduzir o gado diretamente ao leito d’água é rotina em diversas fazendas do país. Contudo, a legislação estabelece limites. O artigo 9º do Código Florestal Brasileiro autoriza a dessedentação de animais em Áreas de Preservação Permanente (APPs), desde que a atividade não comprometa a função ambiental desses locais. A autorização torna-se inválida quando o pisoteio constante destrói a vegetação ciliar ou quando a área passa a ser utilizada como parte da exploração pecuária, e não apenas como ponto de acesso pontual à água.

O risco de penalidade está descrito no Decreto 6.514/2008, que regulamenta sanções administrativas para infrações ambientais. Caso o órgão fiscalizador identifique degradação em APP, a multa inicial prevista é de R$ 5.000 por hectare afetado. Além do valor pecuniário, o produtor pode ser enquadrado em dispositivos da Lei de Crimes Ambientais, a depender da gravidade do dano constatado.

Durante a entrevista, Queiroz abordou a apreensão que o assunto provocou entre pecuaristas da região. Embora os detalhes de sua manifestação não tenham sido divulgados, ele procurou esclarecer como os criadores podem adequar o manejo para cumprir a legislação e, ao mesmo tempo, garantir o abastecimento hídrico do rebanho. A conversa também ressaltou a preocupação com eventuais autuações automáticas geradas por imagens de satélite, ferramenta que os órgãos de fiscalização ambiental vêm utilizando para monitorar recomposição florestal, desmatamento e uso do solo.

Especialistas citados na discussão lembram que a simples presença de animais na margem não configura irregularidade. O problema surge quando grandes lotes têm acesso irrestrito e diário, provocando erosão, compactação do solo, assoreamento do curso d’água e perda da cobertura vegetal. Nessas situações, a autoridade ambiental pode caracterizar a atividade como pecuária dentro de APP, prática proibida pela legislação.

Para reduzir o risco de autuação, técnicos recomendam uma série de medidas de manejo. O cercamento das áreas de preservação permanente é considerado o primeiro passo, pois impede o trânsito contínuo dos animais. Em paralelo, é possível instalar bebedouros artificiais fora das APPs, alimentados por bombas ou gravidade, permitindo que o gado acesse a água sem alcançar a mata ciliar. O manejo rotacionado de pastagens complementa a estratégia, distribuindo o rebanho em piquetes e controlando o tempo de ocupação de cada área, o que diminui a pressão sobre as margens dos rios.

Além do aspecto ambiental, o cercamento beneficia a qualidade da água e a saúde animal. Cursos d’água preservados apresentam menor concentração de sedimentos, patógenos e nutrientes que favorecem a proliferação de algas. Do ponto de vista econômico, a redução de doenças relacionadas à má qualidade hídrica pode diminuir gastos com medicamentos e melhorar índices de produtividade.

A reportagem do portal rural destacou ainda que estados e municípios vêm intensificando a fiscalização em bacias hidrográficas consideradas sensíveis. O monitoramento por satélite permite identificar clareiras na vegetação ciliar, trilhas abertas pelo gado e marcas de pisoteio. Quando confirmada a infração, o produtor recebe notificação para apresentar defesa ou iniciar processo de recuperação de área degradada, que pode incluir plantio de espécies nativas e isolamento da faixa de proteção.

No cenário atual, a recomendação de entidades do setor é que pecuaristas revisem seus planos de manejo, verifiquem o cumprimento das faixas mínimas de APP estabelecidas pelo Código Florestal e recopilem documentos que comprovem eventuais autorizações ou projetos de adequação ambiental. A falta de regularização pode resultar não apenas em multa, mas também em embargos de atividade, afetando a comercialização de animais e a certificação de propriedades.

Em Aparecida do Taboado, a discussão ganha relevância adicional porque a pecuária de corte é uma das principais atividades econômicas do município. A entrevista de Dartagnan Ramos Queiroz serviu como alerta para produtores locais, que agora buscam orientação técnica e jurídica para adequar as propriedades às exigências legais e evitar sanções. O tema permanece em evidência, e novas orientações de órgãos ambientais ou do Poder Legislativo podem surgir à medida que o debate avança.

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