O Pantanal sul-mato-grossense ganha visibilidade internacional nesta semana com a presença do vice-presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Gilson de Barros, no Lemann Dialogue 2026, conferência realizada nos dias 2 e 3 de maio na Universidade de Harvard, em Cambridge, Estados Unidos. O encontro reúne especialistas, pesquisadores e lideranças do setor público e privado para examinar políticas de conservação e desenvolvimento em diferentes biomas brasileiros.
Com o tema central “Six Biomes, Multiple Realities, One Country”, o fórum promove painéis específicos dedicados a Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampas e Pantanal. Barros participa como palestrante convidado nos debates que abordam a realidade pantaneira, levando à mesa a experiência cotidiana de produção pecuária em uma região onde a atividade econômica convive com a conservação de cerca de 80% da vegetação nativa.
Na quinta-feira (2), o dirigente divide o palco com pesquisadores no painel “Prioridades para os Biomas Brasileiros na Eleição de 2026”. A sessão discute propostas de políticas públicas que conciliem conservação ambiental, regeneração de áreas degradadas e crescimento econômico. Na sexta-feira (3), ele volta ao auditório no “Painel Pantanal”, ocasião em que relata práticas de manejo tradicional adotadas por produtores locais e a evolução da relação entre pecuária extensiva e proteção dos recursos naturais.
O Lemann Dialogue é organizado por um consórcio acadêmico que envolve Harvard, Columbia, Stanford e Universidade de Illinois. O encontro consolidou-se como um dos principais espaços de discussão, no exterior, sobre o futuro do Brasil em áreas como meio ambiente, governança e desenvolvimento sustentável. A edição deste ano concentra-se nos desafios que cada bioma enfrentará até o próximo ciclo eleitoral federal, dando destaque a iniciativas que possam ser incorporadas em programas de governo.
Além do representante de Corumbá, participam especialistas vinculados à Universidade de Brasília (UnB), à Embrapa Pantanal e à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A diversidade de instituições pretende ampliar o intercâmbio de dados científicos, práticas de campo e estratégias econômicas adaptadas às peculiaridades de cada região brasileira.
Corumbá, base de atuação de Barros, ocupa 64,4 mil quilômetros quadrados e é o maior município de Mato Grosso do Sul em extensão. Grande parte desse território situa-se dentro do Pantanal, bioma reconhecido pela alta biodiversidade e pela presença histórica da pecuária extensiva. O setor produtivo local avalia que a participação no evento de Harvard reforça a imagem do produtor rural como agente que alia geração de renda e manutenção dos ecossistemas.
Barros pretende mostrar aos participantes estrangeiros e brasileiros que o manejo tradicional desenvolvido há mais de dois séculos estabeleceu práticas compatíveis com a preservação de grande parte da cobertura vegetal original. Segundo ele, a produção pantaneira depende do equilíbrio hidrológico e da integridade das pastagens nativas, fatores que levam o próprio produtor a reconhecer a importância da conservação a longo prazo.
Outro ponto em destaque nos painéis é o potencial de iniciativas de regeneração em áreas já alteradas, aliadas a instrumentos de pagamento por serviços ambientais e certificações de origem sustentável. A expectativa é que exemplos bem-sucedidos provenientes do Pantanal possam inspirar medidas concretas em outros biomas e, simultaneamente, atrair investimentos voltados à produção de baixo impacto.
O fórum disponibiliza transmissão on-line, permitindo que estudantes, técnicos e interessados acompanhem as discussões sem custos adicionais. A modalidade remota amplia o alcance das propostas apresentadas e facilita a integração de profissionais que atuam diretamente nos biomas, mas não têm possibilidade de deslocamento até Cambridge.
Ao longo dos dois dias, o Lemann Dialogue 2026 deverá produzir um conjunto de recomendações sobre prioridades ambientais e socioeconômicas para subsidiar debates eleitorais e políticas públicas nos próximos anos. A participação de lideranças locais, como a de Gilson de Barros, busca assegurar que experiências práticas de campo sejam consideradas ao lado de estudos acadêmicos na elaboração dessas diretrizes.
Para os organizadores e convidados, o diálogo entre ciência, setor produtivo e formuladores de políticas públicas é fundamental para equilibrar interesses econômicos e preservação ambiental. No caso do Pantanal, a interlocução direta com quem administra fazendas e convive diariamente com o regime de cheias e secas pretende fornecer insumos concretos sobre limitações, oportunidades e caminhos viáveis rumo a um modelo de desenvolvimento que mantenha a integridade do bioma.
Encerrados os debates, as conclusões serão consolidadas em relatórios encaminhados a autoridades brasileiras e organismos internacionais, fortalecendo a agenda de cooperação científica e econômica voltada à conservação dos seis grandes biomas do país.









