A Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) realizou, nesta terça-feira (31), nova etapa de atendimento destinada aos candidatos suplentes do Programa Recomeçar Moradia na modalidade Pessoa com Deficiência (PCD). A atividade ocorreu na sede da Secretaria de Assistência Social (Sas), em Campo Grande, e concentrou-se na conferência de documentos pessoais e laudos médicos com Classificação Internacional de Doenças (CID) que atestam a condição de deficiência.
O trabalho foi acompanhado pela prefeita Adriane Lopes, que conversou com os pretendentes ao benefício. A vice-prefeita Camila Nascimento destacou, durante a visita, que a parceria entre Sas e Emha tem como foco acolher situações de vulnerabilidade e ampliar o número de famílias atendidas.
Criado pela Lei Municipal nº 6.797/2022, o Recomeçar Moradia oferece um auxílio mensal de R$ 500, pago por 12 meses – com possibilidade de prorrogação – a famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade social e necessitam de apoio para custear o aluguel. Desde a implantação, mais de 400 núcleos familiares já foram contemplados. Segundo a Emha, o programa constitui a primeira iniciativa de transferência de renda voltada especificamente à locação social em Campo Grande, direcionando os recursos diretamente aos beneficiários.
Nesta fase de atendimento, foram chamados suplentes inscritos na categoria PCD. Eles passaram por avaliação para comprovar a condição de deficiência, apresentar a documentação exigida e atualizar informações socioeconômicas. A seleção envolve verificação de renda familiar, situação habitacional, composição do grupo doméstico e laudos médicos recentes.
Entre os candidatos, a aposentada Sonia Martins, de 61 anos, moradora do bairro Santo Antônio, relatou que o filho ficou tetraplégico após um acidente e que os gastos mensais com medicamentos e alimentação pesam no orçamento familiar. Para ela, o subsídio de R$ 500 representa alívio nas despesas com moradia, especialmente diante do aumento no valor dos aluguéis.
Outra candidata, Janilda Pereira, de 45 anos, residente no bairro Santo Eugênio, cuida da filha que possui deficiência intelectual associada a transtorno mental. Sem imóvel próprio, a família vive de aluguel e lida com custos fixos elevados, o que torna o benefício fundamental para equilibrar o orçamento doméstico.
O diretor-presidente da Emha, Claudio Marques, explicou que a primeira convocação de pessoas com deficiência ocorreu em dezembro do ano passado e que a atual chamada amplia o alcance do programa a novos suplentes. De acordo com ele, a escolha desse público reforça o compromisso de priorizar grupos historicamente vulneráveis e garantir a destinação do recurso a quem enfrenta barreiras adicionais para manter uma moradia segura.
Durante todo o período em que o auxílio é concedido, as famílias recebem acompanhamento técnico da equipe de assistência social. O suporte inclui visitas domiciliares, orientação para inclusão em outros serviços governamentais, encaminhamento para cursos de geração de renda e monitoramento de eventual necessidade de prorrogação do benefício. O objetivo é fortalecer a autonomia dos beneficiados, promover estabilidade habitacional e estimular condições que possibilitem a permanência em moradias dignas após o término do repasse financeiro.
A Emha informou que o atendimento aos suplentes prosseguirá nas próximas semanas, conforme análise da documentação entregue. Caso haja pendências, os candidatos serão orientados sobre prazos para regularização ou complementação de informações. A lista final dos contemplados será divulgada quando todas as etapas de verificação forem concluídas.
De acordo com a prefeitura, o Recomeçar Moradia integra um conjunto de políticas públicas voltadas à redução do déficit habitacional e ao enfrentamento da vulnerabilidade social em Campo Grande. A gestão municipal avalia que a transferência de renda específica para pagamento de aluguel contribui para mitigar o risco de desabrigamento, sobretudo entre famílias que convivem com deficiência, renda limitada ou dependência de benefícios assistenciais.
As secretarias envolvidas reforçam que a continuidade do programa dependerá da disponibilidade orçamentária e do cumprimento dos critérios legais por parte dos beneficiários. A administração municipal mantém canais de atendimento para tirar dúvidas sobre inscrições, critérios de elegibilidade e cronograma de chamadas.
Enquanto aguarda a confirmação final, Sonia Martins resume a expectativa compartilhada por muitos suplentes: o subsídio de R$ 500 pode significar não apenas alívio financeiro imediato, mas também a possibilidade de reorganizar a vida familiar diante das demandas impostas pela deficiência. Para Janilda Pereira, o programa representa a chance de garantir estabilidade à filha e de planejar o futuro em um ambiente adequado.
Com a nova convocação, a prefeitura espera expandir o alcance do Recomeçar Moradia e consolidar a iniciativa como instrumento de proteção social para populações que enfrentam múltiplas vulnerabilidades na capital sul-mato-grossense.








