Quatro pessoas foram presas em flagrante pela Seção de Investigações Gerais (SIG) de Nova Andradina, a 180 quilômetros de Dourados, na segunda-feira (16). O grupo, formado por três homens e uma mulher, é suspeito de praticar fraude eletrônica e associação criminosa após aplicar o chamado golpe do falso advogado, que resultou em prejuízo de R$ 68.589,21 a uma moradora de 64 anos.
De acordo com informações fornecidas pela Polícia Civil, a investigação teve início quando a vítima procurou a Delegacia de Nova Andradina para relatar que havia transferido dinheiro a pessoas que se passaram por advogados por meio do aplicativo WhatsApp. Na mensagem recebida, os criminosos alegaram a existência de custos processuais urgentes e convenceram a mulher a efetuar a transferência bancária.
Confirmada a fraude, equipes da SIG iniciaram uma série de diligências para identificar os envolvidos e rastrear o destino dos valores. Durante a apuração, os policiais localizaram parte dos investigados ainda em Nova Andradina e recuperaram quantia não divulgada, oriunda do montante subtraído da vítima.
Os indícios coletados apontam para uma atuação coordenada do grupo. Conforme a polícia, os suspeitos utilizavam contas bancárias pertencentes a terceiros, realizavam saques em espécie e efetuavam transferências via PIX para espalhar rapidamente o dinheiro, dificultando a localização dos recursos. Essa estratégia é comum em fraudes desse tipo, pois pulveriza o valor entre diferentes titulares e instituições financeiras, criando obstáculos adicionais ao rastreamento.
A apuração revelou que o golpe seguia um roteiro previamente planejado. Primeiro, os autores entravam em contato com a vítima apresentando-se como profissionais do Direito. Na sequência, forneciam supostos detalhes de um processo judicial e mencionavam prazos curtos para pagamento de taxas, custas ou honorários. Com isso, buscavam criar senso de urgência e, assim, induzir a vítima a realizar a transferência sem conferir a veracidade da informação com fontes confiáveis.
Na ocorrência registrada, a vítima realizou uma única transferência que totalizou R$ 68.589,21. O valor foi encaminhado a uma conta indicada pelos golpistas, que, em seguida, distribuíram os recursos de acordo com o método já descrito. A Polícia Civil não informou quanto desse montante foi efetivamente recuperado até o momento, mas destacou que as diligências continuam.
Durante a operação que resultou nas prisões, foram capturados homens de 42, 38 e 27 anos, além de uma mulher de 21 anos. Todos foram autuados em flagrante pelos delitos de fraude eletrônica, previstos na legislação que trata de crimes cibernéticos, e por associação criminosa. Até a conclusão do procedimento de auto de prisão em flagrante, os detidos permaneceram na unidade policial local e, posteriormente, ficaram à disposição da Justiça, que definirá as medidas cautelares cabíveis.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informou ainda que o inquérito permanece em andamento para identificar eventuais cúmplices que possam ter auxiliado na abertura de contas bancárias, na movimentação financeira ou na abordagem a outras vítimas. Investigadores não descartam a existência de mais pessoas prejudicadas pela mesma quadrilha, já que a tática empregada costuma ser reproduzida em série por grupos especializados.
O golpe do falso advogado vem sendo registrado em diferentes regiões do país. Nessa modalidade, os criminosos exploram dados públicos ou obtidos ilegalmente sobre processos judiciais, combinando-os a artifícios de engenharia social para conferir credibilidade à fraude. A recomendação das autoridades é de que qualquer solicitação de pagamento supostamente relacionada a causas judiciais seja verificada diretamente com o advogado constituído ou com o cartório responsável antes de qualquer transferência.
Em Nova Andradina, a SIG mantém as investigações para rastrear integralmente os valores desviados, identificar novos participantes no esquema e reunir provas que subsidiem o inquérito encaminhado ao Poder Judiciário. Os quatro detidos permanecem em situação de flagrante e aguardam decisão judicial que definirá se responderão ao processo em liberdade ou sob custódia.









