Os produtores de Mato Grosso do Sul enfrentaram, em março de 2026, um cenário de retração nos preços da soja e do milho, o que resultou em desaceleração nas vendas de ambas as culturas. Levantamento da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) indica que a combinação de oferta elevada e incertezas no mercado internacional tem levado agricultores a adotar postura mais cautelosa na hora de negociar a produção.
Soja apresenta queda de 5% no mercado disponível
No caso da soja, o preço médio da saca disponível no Estado foi de R$ 111,06, valor 5% inferior ao registrado em março de 2025. No mercado futuro, a retração foi menor, perto de 2%, com a saca cotada a R$ 121,52. Embora a redução seja menor no contrato futuro, o recuo nos valores contribui para o adiamento de novas vendas por parte dos produtores.
A totalidade da safra 2024/2025 já foi comercializada, com preço médio de R$ 119,56 por saca ao longo do ciclo. Para a safra 2025/2026, o comportamento é distinto: até março, apenas 41,5% da produção havia sido negociada, a um valor médio de R$ 114,51. Esse percentual evidencia maior prudência dos agricultores diante de um ambiente de preços menos favorável.
A oferta ampliada de soja no mercado global e a instabilidade geopolítica têm pressionado as cotações. Entre os fatores externos, a guerra envolvendo o Irã tem influenciado a taxa de câmbio e as cotações internacionais do petróleo, variáveis que, por sua vez, impactam os preços das commodities agrícolas. A volatilidade decorrente desse quadro leva os produtores a aguardar melhores oportunidades de venda.
Milho registra recuo de 23% no mercado disponível
O milho apresentou desvalorização ainda mais expressiva. Em março, a saca disponível foi negociada, em média, a R$ 53,07, o que representa queda de 23% em relação ao mesmo mês de 2025. No mercado futuro, a redução ficou próxima de 10%, com a saca cotada a R$ 51,89.
A safra 2024/2025 de milho teve 93% da produção comercializada, a um preço médio de R$ 51,96 por saca. Para o ciclo 2025/2026, o avanço das vendas é significativamente menor: apenas 15,5% foram negociados até março, com valor médio de R$ 51,17. A diferença no ritmo de comercialização reflete tanto a pressão de oferta quanto mudanças na pauta de exportações.
Um dos principais ajustes envolve a demanda internacional. O Irã, maior comprador do milho sul-mato-grossense em 2025, reduziu sua participação nas importações. Esse deslocamento cria a necessidade de redirecionar a produção a outros mercados, operação que exige tempo e, por vezes, renegociação de preços, contribuindo para a lentidão nas vendas.
Oferta elevada e incertezas externas moldam estratégia dos produtores
A coexistência de estoques robustos e fatores externos imprevisíveis tem moldado a estratégia dos produtores rurais. Com preços mais baixos e oscilação cambial frequente, muitos optam por reter parte da produção à espera de possíveis reações positivas nas cotações. A postura mais conservadora também se explica pela proximidade do período de tomada de decisões sobre investimentos para os próximos plantios, que demandam visão clara sobre custos e margens de lucro.
Além das variações de preço, a situação geopolítica impacta diretamente a logística e o fluxo de comércio. A tensão envolvendo o Irã, ao afetar o câmbio e os custos de energia, repercute nos custos de frete e no planejamento das exportações. Isso amplia o grau de incerteza e reforça a necessidade de análise constante das condições de mercado antes da realização de novos contratos.
Volatilidade deve persistir no curto prazo
De acordo com os dados levantados, a conjunção de oferta elevada, realocação de destinos de exportação e influência de eventos geopolíticos tende a manter a volatilidade dos preços no curto prazo. Para os produtores sul-mato-grossenses, o momento demanda decisões mais estratégicas tanto na comercialização quanto na gestão de custos. Enquanto o cenário externo não se estabiliza, a cautela permanece como característica central no ritmo de vendas de soja e milho no Estado.









