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Queijos artesanais de Mato Grosso do Sul ganham espaço no mercado no Dia Mundial do Queijo

No dia 20 de janeiro, data em que se celebra o Dia Mundial do Queijo, produtores brasileiros aproveitam a visibilidade para ressaltar o avanço dos queijos artesanais, segmento que se fortalece tanto no mercado interno quanto em feiras internacionais. Entre os polos que mais crescem está Mato Grosso do Sul, onde pequenos laticínios, com apoio do Sebrae MS e da Associação dos Produtores de Queijos Artesanais de Mato Grosso do Sul (APQAMS), buscam consolidar certificações e ampliar canais de distribuição.

O movimento pela valorização do produto nacional não se restringe ao Centro-Oeste. No Norte, o Pará conquistou a Indicação Geográfica (IG) para o Queijo do Marajó, reconhecimento que impulsionou as vendas e estimulou outras regiões a buscar o mesmo caminho. A experiência paraense serve de parâmetro para Mato Grosso do Sul, que miram o Selo Arte – autorização para comercializar oficialmente em todo o País – e a própria IG, considerada estratégica para acesso a mercados mais exigentes.

No estado sul-mato-grossense, a diversificação é um dos pontos fortes. Entre os principais produtos encontram-se o Queijo Minas, o Queijo Coalho, o Queijo de Cabra, o Queijo do Mato Grosso do Sul (com perfil sensorial associado ao clima e à pastagem locais) e variedades curadas. A APQAMS aponta crescimento consistente em volume e qualidade nos últimos anos, resultado de investimentos em manejo de rebanhos, boas práticas de fabricação e controle sanitário.

Produtores relatam que o consumidor valoriza cada vez mais itens de origem artesanal, identificados com características regionais. Essa demanda incentiva a adoção de processos de maturação diferenciados, testes de novas culturas lácteas e o desenvolvimento de receitas que incorporam sabores típicos. No caso dos queijos de cabra, por exemplo, há lotes que recebem ervas do Pantanal ou especiarias do Cerrado, ampliando o portfólio e atraindo nichos específicos de mercado.

O salto qualitativo ficou evidente em concursos especializados. Laticínios de Mato Grosso do Sul já figuram entre os premiados no Prêmio Queijo Brasil e em mostras internacionais, o que contribui para ampliar a visibilidade fora da região. Ainda que as exportações continuem limitadas, o reconhecimento técnico vem abrindo portas em grandes centros consumidores, especialmente no Sudeste.

Sustentabilidade também integra a estratégia dos produtores. Muitas fazendas mantêm práticas de manejo que conciliam a pecuária leiteira com a conservação de pastagens nativas, reduzindo o uso de insumos químicos e fortalecendo a imagem de produto ambientalmente responsável. Essa abordagem é vista como diferencial competitivo e pode influenciar negociações com mercados estrangeiros, onde selos verdes ganham relevância.

O Sebrae MS atua como principal suporte institucional. A entidade promove capacitações em gestão, higienização, marketing e logística, além de consultorias técnicas que orientam desde o tratamento do rebanho até os controles de maturação e cura. Outro foco consiste em levar produtores a feiras nacionais e internacionais, espaço em que ocorrem rodadas de negócios e degustações dirigidas a compradores de atacado, empórios e redes de restaurantes.

Para destravar a circulação interestadual, o Selo Arte é prioridade. Com a certificação, o queijo elaborado em pequenas unidades passa a transitar legalmente entre os estados sem necessidade de registro federal individual, medida considerada crucial para escalar vendas. Paralelamente, grupos de produtores estruturam dossiês que embasam o pedido de Indicação Geográfica, documento que atesta vínculo entre território, método de produção e características finais do alimento.

Outra iniciativa que pode impulsionar a cadeia é a Rota Bioceânica, corredor rodoviário que ligará Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, atravessando Paraguai e Argentina. A expectativa é reduzir custos logísticos e facilitar o acesso a parceiros comerciais nesses países, ampliando o alcance do queijo sul-mato-grossense no cone-sul. Estudos preliminares indicam oportunidade para exportação de produtos de maior valor agregado, como peças curadas e queijos de cabra especiais.

O ambiente natural da região imprime características específicas aos laticínios locais. O clima com grande amplitude térmica favorece processos de cura que resultam em casca firme e interior cremoso, enquanto o pasto predominantemente gramíneo confere notas de sabor suaves. Nos queijos frescos, como o Minas, a textura macia e a leve acidez se alinham ao paladar nacional, permitindo presença em cafés da manhã, lanches e preparações culinárias diversas.

Com mercado consumidor em expansão, reconhecimento em premiações e avanços regulatórios, o setor de queijos artesanais de Mato Grosso do Sul projeta crescimento sustentado. A combinação de apoio técnico, busca por certificações e abertura de novos corredores logísticos fortalece a posição do estado no mapa nacional do queijo, ao lado de tradicionais produtores de Minas Gerais, Pará e Rio Grande do Sul. Neste Dia Mundial do Queijo, o cenário aponta para maior competitividade e consolidação da identidade sul-mato-grossense no segmento lácteo.

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