O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul conduziu uma queima prescrita no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari, localizado no município de Costa Rica, como medida preventiva para a próxima temporada de estiagem. A técnica, executada na primeira quinzena de abril, visa reduzir a biomassa acumulada no solo e, consequentemente, diminuir o material combustível disponível para eventuais focos de incêndio de grande proporção.
A operação contou com a participação de 20 militares, cinco viaturas terrestres e duas aeronaves Air Tractor especializadas em combate aéreo a incêndios. O trabalho foi articulado em parceria com o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), a Prefeitura de Costa Rica, a Brigada de Incêndio de Alcinópolis e pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O esforço conjunto permitiu integrar conhecimento técnico, logística local e recursos de monitoramento para alcançar a área selecionada, considerada de difícil acesso.
Antes do início da queima, as equipes mobilizadas instalaram uma estação meteorológica portátil no interior da unidade de conservação. O equipamento aferiu velocidade do vento, umidade relativa do ar e temperatura ambiente, parâmetros necessários para avaliar se as condições atmosféricas estariam dentro da faixa segura para a execução do procedimento. Segundo o capitão Pedrozo, chefe de operações da Diretoria de Proteção Ambiental dos Bombeiros, a escolha do período levou em conta a temperatura mais amena registrada nesta fase do outono e a previsão de chuva para os dias subsequentes, fatores que favorecem a dissipação controlada das chamas.
O ponto selecionado para a queima desempenha papel estratégico no planejamento de proteção do parque. Por situar-se em região isolada e de acesso restrito, a vegetação acumulada poderia atuar como corredor natural para o fogo durante a seca. Ao remover parcialmente essa carga de biomassa, cria-se uma faixa de contenção capaz de retardar a propagação de eventuais incêndios e oferecer zona de segurança para ações de combate futuras. A execução controlada também evita que o fogo atinja velocidade e temperatura elevadas, reduzindo o impacto sobre a fauna e aumentando a eficácia de resposta das equipes.
No decorrer da atividade, as aeronaves lançaram água para resfriar a borda da linha de fogo e impedir que as chamas avançassem além do perímetro delimitado. Simultaneamente, militares em solo utilizaram sopradores, abafadores e mangueiras para monitorar a direção do fogo e extinguir focos residuais. O controle constante do comportamento das chamas garantiu que a queima se mantivesse dentro dos limites planejados, sem registrar incidentes ou danos à infraestrutura da unidade.
Além do exercício prático no Parque Nascentes do Rio Taquari, o Corpo de Bombeiros apresentou o cronograma de preparação para a temporada de incêndios florestais de 2026. A fase atual contempla vistorias em reservas estaduais, manutenção de maquinário pesado e capacitação contínua das brigadas municipais. Entre as inovações em avaliação, destacam-se drones equipados com sensores térmicos, capazes de identificar focos subterrâneos ou pontos de calor ocultos pela copa das árvores. Esses equipamentos devem complementar o monitoramento por satélite, fornecendo dados em tempo real sobre áreas remotas.
Outra frente de trabalho envolve a readequação de ferramentas manuais e equipamentos de proteção individual dos combatentes. Abafadores, sopradores e roupas antichamas passam por inspeção detalhada para assegurar desempenho e segurança. O nivelamento de procedimentos entre as diferentes equipes estaduais e municipais também faz parte do plano. A padronização visa agilizar a formação de forças-tarefa conjuntas em casos de ocorrências de grande proporção, reduzindo o tempo de resposta e otimizando recursos.
Para as autoridades ambientais, a combinação de estratégias preventivas como a queima prescrita, a adoção de tecnologias de detecção precoce e o treinamento integrado de pessoal amplia a capacidade de enfrentamento aos incêndios que costumam se intensificar entre julho e outubro. No bioma do Cerrado, onde se insere o Parque Nascentes do Rio Taquari, a vegetação herbácea seca rapidamente durante a estiagem, tornando-se altamente inflamável. A retirada controlada de parte dessa massa vegetal, realizada em período climatologicamente favorável, reduz o risco de grandes queimadas e mitiga impactos sobre a biodiversidade.
O Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari ocupa área de relevância ecológica para a região norte de Mato Grosso do Sul. Além de abrigar nascentes que formam o principal curso d’água da bacia do rio Taquari, a unidade protege fragmentos de Cerrado sensíveis à expansão agrícola e à pressão de incêndios recorrentes. A ação coordenada pelos Bombeiros reforça a política estadual de manejo integrado do fogo, que une prevenção, monitoramento e resposta rápida como pilares essenciais para a conservação dos ecossistemas.
Com a conclusão bem-sucedida da queima prescrita, as equipes permanecem em alerta para possíveis reativações de combustão, procedimento padrão após operações desse tipo. As informações coletadas durante a intervenção serão analisadas para aprimorar protocolos e definir novas áreas prioritárias, mantendo o foco na redução do risco ambiental e na proteção da população local.









