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Dourados planeja uso de reconhecimento facial para reforçar segurança na 60ª Expoagro de 2026

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) e o Sindicato Rural de Dourados iniciaram, na sexta-feira, 24, as tratativas para implantar um sistema de reconhecimento facial durante a 60ª Expoagro, programada para ocorrer de 8 a 17 de maio de 2026, no Parque de Exposições João Humberto de Andrade Carvalho, em Dourados. A iniciativa pretende replicar o modelo adotado em Campo Grande, onde a mesma tecnologia contribuiu para a prisão de dois foragidos da Justiça na última Expogrande.

A proposta foi apresentada em reunião que contou com representantes da Sejusp, do Sindicato Rural e de várias forças de segurança atuantes na região. O plano é integrar câmeras instaladas no parque a uma plataforma de inteligência artificial capaz de analisar, em tempo real, as imagens captadas e cruzá-las com bases oficiais de mandados de prisão. Caso o sistema identifique alguém com ordem judicial em aberto, o alerta é enviado imediatamente às equipes policiais no local.

De acordo com a Sejusp, o método empregado na capital sul-mato-grossense demonstrou caráter preventivo e contribuiu para inibir a atuação criminosa dentro e no entorno do recinto. Na avaliação do órgão, a adoção do mesmo formato em Dourados tende a elevar o nível de segurança para visitantes, expositores e trabalhadores envolvidos na feira.

A Expoagro reúne anualmente aproximadamente 70 mil pessoas e está entre as maiores feiras agropecuárias do país, combinando mostras de animais, exposições de máquinas, leilões e apresentações musicais. O fluxo elevado de público, segundo os organizadores, exige planejamento específico que envolva monitoramento constante, patrulhamento ostensivo e integração entre as diferentes corporações.

Durante o encontro de sexta-feira, realizado no Departamento de Operações de Fronteira (DOF), representantes da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal discutiram a distribuição de efetivo, a instalação dos equipamentos e os protocolos de resposta em caso de ocorrências identificadas pelo sistema. A ideia é concluir o desenho operacional com antecedência para permitir testes, ajustes técnicos e treinamento das equipes antes do início do evento em 2026.

O projeto prevê que a estrutura de reconhecimento facial seja fornecida pela organização da feira, cabendo à Sejusp a coordenação dos bancos de dados e o acompanhamento das ações em tempo real. A pasta estuda, ainda, incluir na plataforma informações de pessoas desaparecidas e objetos roubados, ampliando o espectro de uso da ferramenta.

A experiência em Campo Grande foi citada pelos participantes como exemplo de processo colaborativo. Na ocasião, após a identificação dos foragidos, equipes posicionadas estrategicamente efetuaram as prisões sem prejuízo ao andamento da feira. O resultado motivou conversas iniciais entre o Sindicato Rural de Dourados e a Sejusp, culminando na negociação agora em andamento.

Além da Expoagro, a secretaria avalia acordos semelhantes para outros eventos de grande porte no estado. Um dos projetos em estudo envolve a 38ª Festa das Nações, em Mundo Novo, que também recebe público expressivo e demanda ações de segurança diferenciadas. A expectativa é que, consolidado o modelo em Dourados, o mesmo padrão de monitoramento possa ser expandido gradualmente a diferentes municípios e celebrações regionais.

Os próximos passos incluem levantamentos técnicos sobre pontos de instalação das câmeras, definição da infraestrutura de rede, aquisição ou locação de equipamentos e capacitação de operadores. Segundo a Sejusp, a meta é estabelecer um cronograma detalhado até o fim deste ano para garantir a contratação dos serviços e a liberação de recursos no orçamento de 2025.

Para o Sindicato Rural, a introdução do reconhecimento facial agrega valor à feira ao oferecer ambiente mais seguro a expositores, visitantes e artistas que se apresentam no parque. A entidade reforça que as ações de vigilância seguirão os parâmetros legais referentes à proteção de dados e ao direito de imagem, ficando restritas à finalidade de identificação de pessoas com pendências judiciais.

A Sejusp ressalta que o uso de inteligência artificial em eventos públicos faz parte de uma estratégia mais ampla de modernização do aparato de segurança estadual. O órgão já emprega tecnologias semelhantes em operações de fronteira, monitoramento de rodovias e combate a crimes patrimoniais, e avalia que o compartilhamento de informações entre diferentes plataformas potencializa resultados operacionais.

Em Dourados, as equipes técnicas devem realizar visitas ao Parque de Exposições nos próximos meses para mapear rotas de acesso, áreas de maior concentração de público e locais estratégicos para implantação das câmeras. O planejamento preliminar aponta a necessidade de cobertura total nos portões principais, setores de shows, leilões e pavilhões de exposição animal.

Com a formalização da parceria e a execução das etapas previstas, organizadores e autoridades esperam oferecer aos participantes da 60ª Expoagro um ambiente monitorado, com resposta rápida a eventuais incidentes e redução de riscos associados a presença de procurados pela Justiça. O modelo faz parte do esforço estadual de combinar tecnologia e integração institucional para promover eventos de grande porte com segurança e tranquilidade.